segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Futebóis

Desde que me conheço como adepto do futebol, já assisti a vários ciclos de decisão sobre o número de clubes que devem fazer parte do escalão principal da modalidade.

Assim, dependendo dos ventos, já vi consensos bem fundamentados sobre a necessidade de reduzir os clubes que participam nessa prova, nomeadamente por forma a conferir-lhe maior equilíbrio e homogeneidade. Depois, vêm os tempos da "abertura": os teóricos da bola consideram que, por razões exatamente tão válidas como as que anteriormente eram apresentadas como irrefutáveis para suportar o argumento contrário, há a imperiosa necessidade de alargar o número de clubes participantes.

Este movimento está, em regra, ligado a uma "hidden agenda" no sentido de fazer ascender, por decisão administrativa, agremiações que a verdade desportiva colocou no escalão inferior e, quase sempre, faz parte de um "deal" não explicitado por detrás do apoio das associações distritais a determinadas candidaturas a órgãos dirigentes da federação e da "liga". Como agora ambas as instituições mudaram de titulares, não estranho que estejamos perante mais uma reedição deste tipo de jogadas. 

E o país desportivo de bancada, impávido mas reverente, assiste - através de "A Bola", o "Record" e "O Jogo", bem como da abundância de programas televisivos dedicados ao futebol - a esta ciclotímica mudança de razões, sempre impecavelmente bem fundamentadas.

Aliás, é o mesmo país que andou anos a discutir se o novo aeroporto se (não) fazia na Ota ou em Alcochete. Sempre com excelentes argumentos para cada lado, recorde-se.

1 comentário:

Anónimo disse...

Meu caro Embaixador sobre este assunto remeto-o para a entrevista do Oliveira que esclarece tudo ! Não vale a pena reinventar a bola!


Ogman