Jean-Luc Mélenchon começa a destacar-se nas sondagens como o candidato que pode vir a disputar (e, muito provavelmente, perder) a segunda volta contra Marine Le Pen. A cartada de centro-esquerda que Glucksmann (vencedor das primárias) representa parece não estar a fazer caminho.
Se o cenário Mélenchon vier a consolidar-se para a segunda volta, não vai importar muito em quem Glucksmann vier a recomendar o voto. A questão estará em saber que parte do eleitorado de esquerda terá uma atitude, por ação ou omissão, que possa ajudar à eleição de Le Pen.
No momento do voto, a maioria dos socialistas franceses não irá equiparar a extrema-esquerda à extrema-direita, como (lá como cá) fazem as pessoas de direita. Num país com a história política da França, a rejeição da extrema-direita está no DNA dos socialistas e de muita esquerda.
Contudo, por muito voto que Mélenchon venha a recolher à esquerda, e até em algum centro "republicano", as suas hipóteses de vencer Le Pen parecem próximas de zero. O ódio a Mélenchon arrastará a direita e a pós-direita macronista em desespero, no máximo para a abstenção.
À direita, por ora, as hipóteses de alguém chegar à segunda volta parecem ínfimas. Philippe não descola e Retailleau, da direita clássica, idem. Surgiu a novidade do liberal Lisnard, líder nacional dos "maires". E fala-se que ainda poderiam surgir Lagarde ou Tierry LeBreton.
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