Em 2021, integrava o Conselho Geral Independente (CGI) que escolheu, de entre mais de uma dezena de candidaturas, Nicolau Santos para presidente e Hugo Figueiredo para administrador da RTP.
Nicolau Santos vinha da administração da Lusa e era um nome prestigiado do jornalismo. Hugo Figueiredo chegara-nos, anos antes, através de um processo de recrutamento conduzido por uma empresa de "head-hunting", para substituir Nuno Artur Silva. .
Que um CGI de composição diferente tenha reiterado a escolha, depois de anos de experiência com esta administração, reforça bastante a justeza da nossa decisão de então.
A irritação que o modelo de gestão da RTP, criado por Miguel Poiares Maduro, visivelmente provoca em certos meios e em diferentes governos (hoje no PSD, como ontem no PS, sejamos claros) prova à saciedade a bondade intrínseca do sistema.
A má vontade dos diferentes governos é demonstrada pela persistente recusa em liquidarem à RTP as verbas devidas pelo serviço público prestado, pela recusa em proporem a atualização da contribuição audiovisual e, de forma flagrante, pela recorrente "guerrilha" em torno da escolha do administrador financeiro: o executivo tem de concordar com o nome, mas o Ministério das Finanças não o pode escolher.
A tutela do CGI protege as administrações da RTP da habitual tentação de influência do executivo de turno, e isso dói a quem gostaria de a usar como instrumento político.
Como dizia o presidente do CGI quando dele fiz parte, o professor António Feijó, a RTP é uma televisão pública, mas tudo deve ser feito para que não se torne numa televisão de Estado.
Parabéns a Nicolau Santos e a Hugo Figueiredo.

Sem comentários:
Enviar um comentário