terça-feira, janeiro 06, 2026

Ortographico

Estou muito curioso em perceber o que se vai passar dentro do "Público", depois da desassombrada tomada de posição do seu novo "provedor do leitor", denunciando o caráter retrógrado da não utilização do "Acordo Ortographico" pelo jornal. 

13 comentários:

Luís Lavoura disse...

Não será "Accordo"?

Anónimo disse...

É provável que marquem um ringue de boxe para uma cena entre o provedor e aquele insuportável Nuno qualquer coisa que todas as duas semanas escreve um monte de baboseiras contra o Acordo.

Deve estar de cortar à faca, o ambiente.

O mais giro é que isto se passa num jornal que adota absolutamente todo e qualquer estrangeirismo, que pratica a engenharia da linguagem e que tem gente a escrever e a falar dando pontapés na gramática o tempo todo.

Anónimo disse...

O que se « vai passar no Púbico »? Não sei. Eu sei o que vou fazer

João Cabral disse...

Pois, mas se bem entendo a função, o provedor não tem de se pronunciar sobre as opções editoriais formais do jornal, ainda menos quando isso não foi suscitado por nenhum leitor que se lhe dirigiu. De resto, o próprio provedor indica no seu texto que não tem de meter o bedelho no assunto. Pergunta-se, portanto: o que terá passado pela cabeça de João Garcia?
Também não se percebe porque é que incomoda tanto os defensores do AO haver um jornal que não o aplica. Se gostam de afirmar que só mudaram 2% das palavras...

marsupilami disse...

Ortographico, não. Orthographico.

Retrógrado? Tudo depende do prisma de leitura.

Um velho acordo com mais de três décadas, feito em cima do joelho, que falhou com estrondo o seu objectivo de unificar a ortografia portuguesa. Um falhanço diplomático, sublinhe-se.

Perante tal cenário desolador, seria vanguardista um movimento que se apresentasse para defender uma ortografia que respeite a etimologia e que faça o Português juntar-se a línguas cultas como o Francês (com os seus orthographe, conceptuel et physique) ou o Inglês (orthography, conceptual and physics). Quem é que pronuncia "concétual" sem "p" - a Teresa Guilherme?

Há algo mais provinciano do que uma elite a escrever Inglês com uma ortografia que respeita a etimologia latina e em Português deste modo abastardado?

João Cabral disse...

Ora bem... Deixa lá escrever as letras mudas (e dobradas) do inglês e do francês, que ficam tão bem, mas desdenhar quem quer escrevê-las em português. É isto que temos actualmente.

Anónimo disse...

"Conceptual" lê-se com P, logo, escreve-se com P

Luís Lavoura disse...

O problema de marsupilami é que só conhece o francês e o inglês, ou só a elas reconhece o estatuto de "língua cultas".
O francês e o inglês são exceções, não são regras. A generalidade das línguas cultas escreve as palavras como elas se lêem e não de acordo com tradições antigas. Veja-se o castelhano, o italiano, o alemão, o russo, etc.

Anónimo disse...

O Inglês tem uma ortografia absurda! Toda a gente o sabe e é assunto corrente de gozo no próprio mundo anglófilo. O facto de que alguém possa sacar do inglês para atacar o AO é, no mínimo, ridículo! Mas, também, quantas vezes é que os ataques ao AO não são ridículos e baseados em falácias?

João Cabral disse...

Uma ortografia absurda, mas que se impôs mundialmente. E esta hem? Andamos nós a querer "simplificar", cortando tudo e mais alguma coisa.

João Cabral disse...

Já Leite de Vasconcelos dizia que, dada a fonética difícil do português, era impossível escrever-se como se fala. Além disso, basta este pequeno exercício: escrevendo-se como se fala, será vaca ou baca?

marsupilami disse...

Luís,

Não vejo como seria possível deduzir uma norma unicamente a partir da pronunciação das palavras, uma vez que estas se pronunciam de forma diversa em diferentes regiões.

Pretender escrever as palavras como elas se lêem é um método peculiar ; diria mesmo mais: circular.

Um critério muito útil é seguir tão perto quanto se possa a etimologia, isso dá mais poder de compreensão (incluindo histórica, nada despicienda aliás) aos falantes.

marsupilami disse...

Diatribes contra a norma ortográfica são legião e não se limitam ao Inglês. Roland Barthes e Pierre Bourdieu, vêem-me à memória, não pouparam farpas à norma e ao seu pretenso elitismo. Foi uma corrente popular há muitas décadas, banhada num crasso miserabilismo e na pouca fé que tinham na capacidade cognitiva das classes populares. A tese da escola como o reprodutor das desigualdades sociais. Bourdieu jurou por esta tese numa época em que os dados de tempo longo demonstravam claramente que a escola pública funcionara em França como um poderoso elevador social. Choraram-se muitas lágrimas de crocodilo à custa desta tese. Braudel, o homem do tempo longo, é que não se deixou impressionar e, para quem tenha ouvido, bateu-o aos pontos numa divertida « jam session » no ringue Apostrophes.

E por aqui me fico, para não testar indevidamente a paciência do nosso anfitrião.

"O medo ou os valores - escolham!"

Sei que sou suspeito, porque tenho lá um texto com o título que está em epígrafe, mas acho que o número da "Visão" desta semana, a...