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domingo, abril 01, 2012

O dia das verdades

Por razões que julgo óbvias, não me agrada muito a utilização do termo "resgate", aplicado ao acordo de ajuda internacional de que Portugal beneficia. Porém, segundo o léxico jornalístico, é essa a figura a que o nosso país se viu obrigado a recorrer, há cerca de um ano, no auge de uma complexa situação financeira, num cenário de tensão social e política interna, que conduziu a eleições legislativas antecipadas. 

O jornal "Público" tenta, na sua edição de hoje, fazer a história possível desse período político, desenhando, pela coleta de testemunhos e pela produção de inferências, o que terão sido esses agitados dias no seio das nossas instituições e contactos externos.

O interesse em explorar a história imediata é sempre muito grande e compreensível. Mas porque não existe uma suficiente distância no tempo, porque haverá atores e figurantes que ainda guardam as suas cartas junto ao peito, porque as versões dos factos não são neutrais face ao jogo político, esse esforço de leitura corre sempre o imenso risco de ser parcelar e lacunar e, por essa via, de ficar aquém do rigor descritivo e interpretativo que seria, não só desejável, mas eventualmente mais próximo da realidade dos factos. Essa é a sina eterna do jornalismo e dos jornalistas, que alguém já qualificou como os "impacientes da História". No entanto, essa limitação não desvaloriza a recolha de dados feita, bem como a mostra do confronto de perspetivas.

Daqui a alguns anos, a história diplomática portuguesa, recolhida em capitais por onde passaram algumas das decisões que também ajudaram a formatar o saldo desses dias, poderá vir a dar a sua contribuição para tornar bastante mais nítido esse mesmo retrato, quiçá conferindo-lhe inesperadas cores e fazendo surgir, sobre a paisagem de fundo, novos matizes em eventos e factos que, por ora, estão apenas desenhados a traços grossos. Esse dia, porém, está ainda bastante longe de ter chegado.

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