quarta-feira, 25 de abril de 2012

Os partidos e o 25 de abril

Hoje, dia 25 de abril, convidei para um almoço na embaixada  dois representantes em França de cada um dos cinco partidos políticos que hoje têm representação na nossa Assembleia da República. Durante cerca de duas horas, revisitámos, celebrando-a, a data fundacional da democracia que nos rege, numa discussão serena, onde não deixaram de estar presentes as divergências de que se constitui a diversidade da nossa vida política. Mas onde também ficou evidente, acima dessas diferenças, o quanto Portugal deve a quem o libertou de uma ditadura que criou um triste interregno, de cerca de meio século, numa vida democrática que havia sido iniciada em 1820.

A política é uma atividade nobre que, em grande parte, se objetiva através da ação dos partidos políticos, entidades congregadoras de vontades e portadoras de projetos de sociedade, por natureza contraditórios entre si. Nos últimos tempos, em Portugal, mas não só, a atividade partidária tem vindo a ser denegrida, nos simplismo de um discurso de matriz populista, identificada como um mero exercício de lóbi, como espaço para o carreirismo pessoal, para a concretização de algumas negociatas e para agendas que, muitas vezes, estão longe da prossecução do interesse público que deveria ser o centro da sua atividade. É muito provável que, numa certa medida, essa acusação possa ter alguma sustentação na realidade, justificando assim todos os esforços que possam ser feitos para uma regeneração do nosso sistema partidário. Mas que fique claro: sem os partidos políticos, estes ou outros, não há democracia.

O meu convite de hoje destinou-se, assim, a homenagear os partidos políticos portugueses, com uma saudação particular para aqueles que, nomeadamente em França, já existiam antes do 25 de abril e através de cuja ação militante, muitas vezes em condições bem difíceis, também foi possível ajudar a concretizá-lo.

18 comentários:

Margarida disse...

" (...) É muito provável que, numa certa medida, essa acusação possa ter alguma sustentação na realidade, justificando assim todos os esforços que possam ser feitos para uma regeneração do nosso sistema partidário.(...)"

Essa acusação tem toda a sustentação na realidade, justificando o afastamento das pessoas da actividade política, levando-as a desprezar (ou odiar) algumas personagens partidárias, e considerando ser impossível transformar este quadro, porque os interesses pessoais, de lóbis, de grupos, associações e quejandos conseguem sempre sobrepor-se ao interesse nacional. Sempre.
O desencanto e o cinismo chegou a isto: se algo de bom sucede para o vulgo, algo de muitíssimo melhor aconteceu aos que o obtiveram.
Os ideais serão nobres e as intenções primevas as melhores, mas depois 'acontece' a realidade, e esta não se compadece com romantismos ideológicos.
O homem é um ser falho e, para a maior parte, primeiro estão eles e os seus, depois, ao que sobrar, logo se vê a quem se 'distribui'.
O cartão partidário é salvo-conduto para muitas fronteiras invisíveis.
E vender a alma é mais simples do que se possa imaginar.
Aqueles que são intrinsecamente sãos e leais, acalentam de forma algo naïve os seus princípios.
E divulgam a sua crença, como se fora um evangelho.
É bonito, isso.

Portugalredecouvertes disse...

Sr. Embaixador,
na minha opinião,
os partidos são feitos por homens por isso integram o que neles há de bom e de mau, de competência ou falta dela, como em outras actividades

deveria haver uma protecção, tipo "seguro de responsabilidade civil" o que é obrigatório para qualquer actividade lucrativa em contacto com o público, como as actividades económicas

isto para que essa parte humana do mal não prejudique os cidadãos, e a vida civil, essa que essas pessoas que adoptam a vida política tem o dever de preservar; para cargos de tamanha responsabilidade tanto ou mais do que outros, deveria haver uma salvaguarda, e não somente que os cidadão e os países fiquem dependentes das boas intenções (que segundo se diz, já enchem o inferno!) da boa vontade, patriotismo ou bom coração dos eleitos, daí talvez a insegurança que se sente e dúvidas sobre o nosso sistema democratico.

Parece que se pede à sociedade civil que "perdoe" tudo, em nome da continuação da democracia e sob a ameaça de que esta possa vir a desaparecer se o sistema for demasiado criticado

não será lógico que não possamos reclamar no caso de um mau serviço por parte de qualquer fornecedor, por receio que ele deixe de fazer trabalho para nós, a lei dá-nos uma série de garantias

é só uma ideia que me surgiu!
penso que as dúvidas sobre a democracia atual ou vontade para que ela melhor, não deveriam estar ligadas ao 25 de Abril, ou seja um processo que começa tem toda a legitimidade para ser melhorado no futuro.

Isabel Seixas disse...

Pois a meu ver fez muito bem.

O pluralismo é o cimento da liberdade e o reconhecimentodo mais concreto do direito humano o direito de existir e coexistir,consignado também na democracia com a liberdade de escolha.

Anónimo disse...

Antes do 25 de Abril, aqui em França, grupos politicos a combaterem o fascismo já havia; mas Partidos, no plural, à parte o PC, só com uma expressão muito despercebida.
José Barros     

Anónimo disse...

Pois não sei.... mas temo que 2012 seja para este regime a mesma coisa que foi 1961 para o anterior. Estaremos perante a divisão de visões do mundo entre antigos e modernos..... Espero que a crise não o diga.

Anónimo disse...

POLIS. Política.

DEMOS. Cracia.

A total subversão dos termos está aí...

Os sinais começam a ser muitos.

Cumprimentos de Abril.
.

Anónimo disse...

Senhor Embaixador,

De Londres as mihas atrasadas saudacoes. 25 DE ABRIL SEMPRE.

Deixe-me congratula-lo. E bom saber que ainda ha Embaixadas onde esta data nao e esquecida.

Um abraco amigo,

F. Crabtree

patricio branco disse...

almoços em que alem dos partidos caberá por direito historico-profissional um representante militar, talvez um adido de defesa.
opinião puramente pessoal, claro.
muitas combinações se poderiam fazer neste dia à mesa para comemorar o dia sob diversas perspectivas.

Margarida disse...

F.Crabtree!
A falta de acentos já é deliciosa, a nota subtil, um must.
O atraso é que não nada cavalheiresco.
To say the least.

Francisco Seixas da Costa disse...

Caro Patrício Branco: a representação, à mesa, dos militares de abril esteve assegurada. Por mim.

Isabel Seixas disse...

Sr. embaixador " De Abril", acho delicioso que se assuma, mesmo correndo o risco de auto-estima inflacionada, só lhe fica Bem ostentá-lo com Orgulho. Parabéns

Jose Xavier disse...

Senhor Embaixador;

Congatulo-me com a sua nobre atitude de estar com os partidos políticos e a comunidade portuguesa em França, na comemoração de um dia muito especial para Portugal.
Atitude exemplar que serve de exemplo para muitos colegas seus, que infelizmente se afastam da comunidade portuguesa e dos seus actos tão simbólicos.
Serão muitos poucos como o Senhor e felizmente que conheci só alguns, mas a larga maioria, não está para "perder tempo" com essas coisas.

Um abraço de Abril, desde a Holanda.

José Xavier

Helena Oneto disse...

Senhor Embaixador,

Se não são os autores do 25 de Abril a dar o exemplo, quem o fara daqui por uns anos? Testemunhar, para não esquecer, é um dever de todos.
Viva o 25 de Abril!

Francisco Seixas da Costa disse...

Caro José Xavier: a França é o único país - que eu saiba! - onde todos os partidos politicos portugueses com representação parlamentar têm seus delegados. Por isso, só por aqui é possível ter uma iniciativa como esta.

Anónimo disse...

Excelentes, Excelência, as respostas dadas a Patrício Branco e a José Xavier - permita-me que lho diga, com muito apreço e um saudoso abraço.
fg

Anónimo disse...

Cara Margarida, a velha senhora parece que não é tão cética:

protagonista da entrevista,
guidinha, filha, que lhe deu?
que tentação do camafeu
a pôs assim tão pessimista?

pois, que cruel texto este seu,
e que é tão falso tendo em vista
quão persistente é a conquista
que o homem faz de terra e céu.

não crê que 'o mundo pula e avança'
e se melhora a humanidade 
em tanto do que a vista abarca?

naïve eu? quero é ser criança:
do camafeu ter quase a idade
mas do futuro ir já na barca*
----
*que séria esta merdice 
em que me vim(!...) cair!
mas o que eu, filha, disse,
à séria, dá pra rir.

Isabel Seixas disse...

A velha Senhora no Seu Melhor
com pêndulo no 25 de Abril
faz da rima com agridoce sabor
partido afrodisiaco de fazer rir

Velados são os seus orgasmos
parecem só espirituais
verbaliza-os deixando-nos Pasmos
descontraida nos seus rituais

Depois leva o dono do blogue
pelo beicinho
Publica-lhe Tudo sem ficar grogue
do efeito de halo e sem ser pobre
tem aqui o... O domínio

Não é por nada, que ideia...
Deus me livre de invejosa
enquanto ao mérito de panaceia
toda contente e orgulhosa
por certo é a idade que premeia.

Anónimo disse...

Cara Margarida,

Tem razao, a falta de acentos e triste. Eu nao sou muito boa no que toca as novas tecnologias e o meu laptop teima que e ingles, que os leitores inteligentes imaginem e semeiem os acentos e outros diacriticos...

Ja consegui um cravo e amanha vou comprar mais ao mercado das flores rectitando Jacques Prevert baixinho...
" acheter des fleures pour toi mon amour..."

E ja agora BOM 1o DE MAIO (que nesta ilha passou a segunda feira seguinte, dia 7!!!!) Coisas...

F. Crabtree



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