domingo, 27 de novembro de 2011

O que tu queres...

"Gostei do teu post de ontem sobre o fado. Bem subtil, hum...", diz-me um amigo, críptico, há minutos, de Lisboa. Já um comentador tinha ido pelo caminho do "ele não dá ponto sem nó...", ou "ele tem alguma na manga...", como poderão verificar.

Caramba! Será que não se consegue escrever uma coisa sem que alguém dela possa intuir apenas o que lá está escrito? Por que diabo cresce, dia a dia, em muita gente, esta ideia peregrina de que o que se escreve, o que se diz ou o que se faz tem sempre, necessariamente, "alguma coisa por detrás"? O que leva a este mundo de teorias conspirativas, de segundas intenções, de "hidden agendas"? O que aduba este Portugal do "o que tu queres sei eu!"?. 

Só se for... cala-te boca!

18 comentários:

Isabel Seixas disse...

Dificil é ocultar algo na palavra
já num olhar se oculta um querer
deixa-se embrenhar sem que se abra
e a palavra dita deixa-se mover

maldita ou bendita é de quem diz
há quem aproveite e mude a essência
talvez num sentido a faça infeliz
noutro acorda desperta-lhe decência

Das hierarquias que reza a história
A das intenções fica-nos na memória
Só com o eco do timbre das palavras

Escreva sem medo a leituras amargas
o autor sustentado tem em seu poder
liberdade de mandar o que é de ler

Helena Oneto disse...

Genial, Isabel!!!

Henrique ANTUNES FERREIRA disse...

E ele a dar-lhe; há gente capaz de tudo e para tudo. Esqueça, sff

Santiago Macias disse...

Conheço muito bem essa sensação.
Em pequenas cidades do interior cada gesto que se faça ou linha que se escreva é objeto das mais delirantes interpretações.
Haja criatividade.

patricio branco disse...

A única frase vagamente ambígua no post sobre o fado é a ultima, vai bem longe o nosso fado. Se bem que a interpretação imediata e neutra seja apenas a de que chegou longe com o reconhecimento da Unesco.
No parágrafo anterior há uma leve crítica à rima pouco imaginativa das letras e o reconhecimento que é forma musical não fácil de entender fora de Portugal. Mas as coisas difíceis de entender são muitas vezes as de que mais se gosta uma vez entendidas.
Mas não é a subtileza um bom recurso da escrita e da fala?

Helena Sacadura Cabral disse...

Ó Senhor Embaixador o que sorri com este seu post e com os comentários.
Julgo que teremos deixado um pouco disto no Brasil onde o "pois não" representa sim.
Somos um povo delirantemente conspirativo e é isso que anima os nossos dias...
Permita-me que lhe proponha que continue a fazer postes cuja qualidade se preste às mais sofisticadas interpretações.
Num dos seus próximos, prometo arranjar também uma pequena conspiração para o divertir!

ARD disse...

A subtileza pode ser...cala-te boca!

Fada do bosque disse...

O que aduba este Portugal? Deve ser o sintoma de um povo que tem sido consecutivamente enganado pelas classes dominantes e elitistas, ainda mais se fazendo notar, quando pensaram que ía deixar de acontecer quando se viram numa democracia.
Como os meios de "produção ideológica" Mass Media, pertencem aos que estão no poder, a divulgação das ideias limita-se às ideias dessa mesma classe dominante. Portanto a crítica positiva, construtiva e baseada no método, foi substituída pela mentira, pela especulação e pelo populismo. O povo sabe que é enganado, só não sabe bem como nem porquê e é de tal modo o jogo de espelhos feito pelo sistema, que acabam sempre a votar naquele que supera o outro na mentira. Ora partindo este exemplo de cima...
Se estou errada peço o favor de me corrigirem.
Aliás já o Eça, que colocou num post acima, se queixava do mesmo...
O sr. Embaixador sente-se vítima de um sistema que provocou uma forma de pensar bem ao seu gosto: O império da ignorância e da ilusão, é o solo ideal para que esse mesmo sistema se desenvolva.
Somos quase todos vítimas, mas é claro, é mais uma visão conspirativa... embora, verdade seja dita, eu nunca tenha visto isso nas palavras do sr. Embaixador.

Anónimo disse...

Aproveito para congratular a Fada pela condecoração do seu par pela Unesco !

NJA

Margarida disse...

Só quem não o conhecer...
:))))

Anónimo disse...

Boa, Fada do Bosque! Gostei.

xg

Anónimo disse...

Aproveito para congratular a Fada, pela reflexão "conspirativa" que aqui nos deixou!

N. Santos

Helena Oneto disse...

O poste sobre o fado, é a meu ver, um mau exemplo para ilustrar os "pontos sem nó" que por aqui se fazem. A diferença reside na habilidade de quem os faz. Nem todos têm unhas para tocar guitarra:)...

EGR disse...

Senhor Embaixador:as manifestações que V.Exa refere resultam,a meu ver,dum clima mental patologico que se instalou entre nós.
Cada vez mais as pessoas são incapazes de aceitarem que haja quem se exprima com seriedade.
Pela minha parte só espero poder continuar a ler os seus textos.

Anónimo disse...

A velha senhora 'adorou' a decisão da Unesco, mostra-se muito agradada dos dois posts e dos comentadores ('mas com uma exceção, porra!', manda-me ela que escreva) e cumprimenta em especial a sua admirada Fada. Do soneto de Isabel Seixas diz que a impressiona e a desafia, e dedica à sua amiga esta espécie de sonetilho brincalhão, dirigido a quem não quer que se diga (eufemisei um pouco, para ver se passa):

rimalhices é comigo
o rimalhar é o meu fado
nua à lua venha amigo
ó meu amor desejado

vejo o tejo e só me almejo
de amor sem dor invadida
invejo o beijo o desejo
que estranha forma de vida

até de lado
sigo consigo
beijo sem pejo

sonho e rimalho
alho com alho
ai tão bem ida.

Isabel Seixas disse...

Se me permite Sr. Embaixador...

Ora "Eça", que a nossa velha amiga quer ponto de encontro no fado.

Portugalredecouvertes disse...

Eu diria que com a globalização deveriamos parar de nos sentir perseguidos pelas "pequenas mentes", uma vez que temos acesso ao mundo inteiro e a milhões de ideias,
é impossível descrever tamanha escolha à mão de semear,
então porque ficamos com "o que aduba Portugal" se não o queremos? já deixou de ser uma obrigação!

nem precisa sair de casa ou viajar por milhares de quilómetros...

Anónimo disse...

Sr Embaixador ! Não percebi nada sobre os subentendidos nem fiz qualquer esforço para detectar o subliminar escondido !

Mas como toda a gente se queixa das conspirações, do preso por ter e por não ter cão, eu vou lançar um desafio engraçado a todos vocês que são letrados e cultos na arte e escrever e de interpretar:

Vejam donde nasce o conceito de "verdade insofismável" !

E a mais engraçada: Vão ao dicionário de sinónimos, quanto mais antigo melhor, e procurem a palavra "jesuita" e vejam quais os sinónimos que aparecem !

Atenção: Os dicionários novos já não têm esse substantivo !

Depois se tiverem paciência e vontade digam-me qualqeur coisa !

OGman