terça-feira, 22 de novembro de 2011

Danielle Mitterrand (1924-2011)

Alguém disse, um dia, que Danielle Mitterrand, que agora desapareceu, era a consciência de esquerda do seu marido. Mulher de causas, atenta à vida e às injustiças internacionais, nunca deixou de ser uma personalidade bastante discreta na vida pública francesa, onde media as suas aparições com grande parcimónia. Apaga-se agora o sorriso daquela cara com olhos felinos, atrás do qual se adivinhavam os segredos de uma relação complexa com um dos homens mais misteriosos da história francesa contemporânea.

24 comentários:

Henrique ANTUNES FERREIRA disse...

Curvo-me perante o desaparecimento desta Senhora, que tive a honra de conhecer. Que descanse em paz. A única coisa que temos certa na vida... é a morte.

E tenho de dizer que foi muito simpática para mim, durante uma conversa de mais ou menos meia hora, no Porto, aquando do comício A Europa está connosco. Já quanto ao marido com quem estive algumas vezes, a simpatia não era o seu forte.

Helena Sacadura Cabral disse...

Ainda hoje tenho alguma dificuldade em compreender Danielle Mitterrand e aquilo que a fez permanecer ao lado de um homem que, de facto, a "desconsiderou" com as aventuras que sempre teve. Mais, tendo convivido, no Eliseu, paredes meias com Madame Pingeot e sua filha.
Há amores - será amor ou será um qualquer outro sentimento? - que não se explicam.
Por razões bem diferentes, também tenho alguma dificuldade em perceber Anne Sinclair.
Há homens que por terem poder político, consideram que tudo lhes pode ser tolerado. Não pode. Nem deve!

patricio branco disse...

sim, como diz hsc, a atitude de certos conjuges como a de mitterrand ou a de dsk faz nos pensar no porquê e a conclusão a que se chega é que o poder e/ou o dinheiro têm força suficiente para fazer superar humilhações, infidelidades, etc, que se aceitam em troca dessa situação majestatica irressistivel considerada mais conveniente

Anónimo disse...

Danielle Mitterrand distinguiu-se ainda mais durante a primeira coabitação. Enquanto o seu marido Presidente “Presidia” uma política claramente de direita, com Chirac em Matignon e Pasqua no Interior (plus à droite que moi tu meurs – podia dizer Pasqua) Danielle Mitterrand continuava a afirmar-se de esquerda, sem complexos nem táticas Mitterrandistas que se pudessem opor. Sim, mais à esquerda que Mitterrand não havia dúvidas durante aquela coabitação mas também antes e depois... E pensava por cabeça própria como tantas e tantas mulheres, umas célebres outras nem tanto, o fazem !
José Barros

Anónimo disse...

Estes 3 comentários são o máximo! quanto ao primeiro, então nem vale a pena dizer nada!!!! E o segundo, com a "madame Pingeot e sua filha"! e, o remate do teriro! esse é que tinha se ser!!!!! calma.....

Carlos Cristo disse...

Foi-se um paradigma da liberdade, da tolerância e da dignidade. Fica o seu exemplo.

Isabel Seixas disse...

Também gostei dos comentários de respeito.Basicamente os que evocam também a identidade indivisivel e independente que se consegue dissociar do matrimónio.

Anónimo disse...

Subscrevo na íntegra o comentário da Helena SC.

O "comentário" do Anónimo das 16:48 não tem ponta por onde se lhe pegue. Escrevinhar é fácil, rebater é que é mais complicado...

Isabel BP

Julia Macias-Valet disse...

Caro embaixador,
Cuidar a forma como se escreve deveria ser por si so uma forma de homenagear alguém que morre...
Erros de gramática nesta casa sao imperdoáveis :

http://www.canalplus.fr/c-divertissement/pid3349-c-le-grand-journal.html

Visionar "Partie 3" !

Helena Oneto disse...

Anti-conformista, politicamente incorrecta, Danielle Mitterrand lutou a vida inteira contra a injustiça. Foi uma Mulher exemplar, livre, fiel aos seus ideais de esquerda. E um dever moral perpetuar a seu combate pela Liberdade.

"Il y a une droite et une gauche, la droite défend un capitalisme pur et dur qui oublie l’intérêt général, la gauche est plus attentive à la population, c’est vrai. Mais aujourd’hui, le système est si fort qu’il a fini par convaincre des gens qui normalement devraient s’y opposer. Le libéralisme a trompé son monde, avec ce mot qui ressemble tant à celui de liberté." Danielle Mitterrand.

Anónimo disse...

Concordo a 100% com o comentario da Sra Dra .Helena Sacadura Cabral .

Cumprimentos

Carlota Joaquina

Anónimo disse...

Se o Mitterrand foi um Homem misterioso, então 95 % dos Politicos de topo também o são , porque eles são todos alunos das grandes escolas dos mistérios do divido e do espiritual !
Não vejo onde possa estar a surpresa numa coisa tão real!
Quando à surpresa sobre o amor de sua esposa Danielle a esse homem misterioso, faz-me lembrar o amor da Carla Bruni, da Anne Sinclair e também da princesa Diana!

A Dra HSC demonstrou sérias dificuldades em compreender esse amor. Penso eu que à luz de uma visão convencional e profana, tal é absolutametne compreensivel. Deixa de o ser à luz de uma visão dos tais "mistérios" que são ocultados dos profanos! E essas Madammes quando entram nesse circo misterioso já não conseguem sair! São obrigadas a engolir os tais "sapinhos" porque a sua vida fica em causa!!!
O Strauss Kan também é um homem muito "misterioso" e rico , por isso tinha tudo para ser muito amado!

OGman

ARD disse...

Mitterrand, com a sua personalidade e a sua história em claro-escuro, era um personagem de enorme complexidade e, portanto, insusceptível de abarcar em "apontamentos".
Nada nele era linear; nem a trajectória pessoal e política, nem a vida íntima e pessoal.
Era um "florentino", mas era um gigante se comparado com os políticos que, hoje, gerem (?) os destinos do Mundo.
Comece-se pela cultura vastíssima, impressionante, e termine-se com as angústias existenciais e filosóficas que marcaram os últimos anos da sua vida.
Madame Pingeot, Mazarine (delicioso nome, certamente dado por ele), fazem parte de uma das faces desse Homem multidimensional, complexo, fracturado e torturado; penso que, não obstante a dignidade humana das duas senhoras (e de outras), as suas histórias não chegam a embaciar a dimensão dostoyevskyana de Mitterrand.
Danièle era uma mulher "à part entière". Mas, sejamos justos, foi um satélite cujo brilho era o reflexo do do seu marido. Isso não diminui a sua inteligência, a sua simpatia e encanto nem a sua acção política de esquerda. Mas factos são factos.
E Mitterrand foi o Homem que unificou a esquerda e a colocou, pela primeira vez na História da Vª República, no Poder.
Eu estava em Paris em Maio de 81. Sei o que foi.

Helena Oneto disse...

Senhor Embaixador,

Fiquei muito sensibilisada com a delicadeza da sua homenagem a Danielle Mitterrand.

Queria também felicitar o seu leitor ARD pela justeza e sobriedade do seu comentario.

Contrariamente às amigas comentadoras, eu admiro a tolerância e discrição com que Danielle Mitterrand geriu as infidelidades do marido e a nobreza de caracter em aceitar a presença da amante e filha a seu lado no funeral do marido.

Helena Sacadura Cabral disse...

Minha querida Helena O.
"...Contrariamente às amigas comentadoras, eu admiro a tolerância e discrição com que Danielle Mitterrand geriu as infidelidades do marido e a nobreza de caracter em aceitar a presença da amante e filha a seu lado no funeral do marido".
Inteiramente de acordo quanto ao funeral. Tinham "ambas! direito a estarem na despedida do homem que amaram.
Quanto à filha nem se contesta. Era o que faltava. Tem tantos direitos ao afecto paterno como qualquer dos seus irmãos!
Mas quanto à dignidade da co-habitação, lado a lado, entre ambas as mulheres, isso, minha cara, para mim já se revela mais duro de engolir.
Tolerar - e sei do que falo - não significa partilhar o mesmo espaço. Já basta partilhar o mesmo corpo. Ou não?
O que não diminui, em nada, tudo aquilo que aqui se disse de Danielle como intelectual.

Helena Sacadura Cabral disse...

Caro Ogam
Não se trata de uma visão convencional, já que profana é, de facto. E ainda bem.
Não tenho visões convencionais do casamento. Até porque quase já não vejo a sua civil necessidade.
Mas a partilha do corpo é do foro pessoal e da responsabilidade de cada um. Não vejo qualquer necessidade de a tornar pública.
Ou há?!

Anónimo disse...

Hoje no "The Independent" dois obituarios lado a lado: Danielle Miterrand (foto 1995 dando boas vindas a Fidel Castro, D.M. vestida de vermelho e Fidel de farda verde. Na pagina da esquerda, obituario de Paul Motion, baterista, nascido em 1931. Tocou no trio de Keith Jarrett que diz em citacao:'A musician's drummer who thought about the music, not just the rhythm'. Gostei de os ver lado a lado.

F.Crabtree

Francisco Seixas da Costa disse...

Cara F. Crabtree: em matéria de bateria, a acompanhar o Jarrett (e julgo que Vexa por lá estava, nos idos de 90), lembro-me mais do DeJohnette.

Anónimo disse...

Partilhar o espaço e o corpo.

Porque não?

Dá que pensar.

Helena Oneto disse...

Querida Helena,
Tenho todo o gosto de trocar impressões consigo sobre este assunto mas não aqui.
Penso que compreende.

Helena Oneto disse...

Senhor Embaixador,

Escolhemos a melhor fotografia de Danielle Mitterrand no Google.

Francisco Seixas da Costa disse...

Cara Helena Oneto: bom gosto é isso mesmo!

Anónimo disse...

A poligamia , na nossa sociedade só está ao alcance de pouco !

Para uma homem do povo, dir-se- ia que traia a mulher e portanto era condenado a adultério.
Para os homens, das ordens fraternas e das irmandades,diz-se que as amantes souberam dignificar a figura publica e o homem que sempre amaram !

São conceitos diferentes para realidades embora semelhantes, também são diferentes!

OGman

Anónimo disse...

Ainda Paul Motion/De Jonnette,

Pois que tambem por ca andei nos idos 90 Keith Jarret/De Jonnette, e verdade.E de novo em 2010 no RFH. Tanto quanto sei Paul Motion tocou com Keith Karrett sobretudo na America e tive a esperanca que V.Exa os tivesse ouvido por la...

Cumprimentos de Londres

F. Crabtree