quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Viva o Estado!

"Nisto não se mexe, isto é do Estado!". Tenho esta frase no ouvido desde a minha infância. Eu devia ter 7 ou 8 anos e o meu pai, chefe de um serviço público numa cidade de província, havia-me levado, uma tarde, a assistir à abertura de uns caixotes de madeira que, uma vez por ano, chegavam, "de Lisboa", com o material de papelaria, para ser utilizado pelos funcionários, nos 12 meses seguintes. Eram resmas e blocos de papel, lápis, cartolina, borrachas, elásticos e tinta para canetas. Para quem, como eu, vive, desde que se conhece como gente, fascinado pela "stationery", a visão desse material deve ter-me criado imensa água na boca. Mas o meu pai, nas coisas do Estado, era inflexível: nunca tive, pela sua mão, um lápis ou uma borracha "do Estado" e, recordo-me muito bem que, quando passei a poder usar uma velha máquina de escrever da família, o meu pai trazia para casa fitas já usadas, consideradas demasiado gastas para o serviço.

Foi assim que, em minha casa, aprendi, para vida, o que era o Estado. Dessa forma me foi ensinado o que era ser servidor público, como o meu avô já o fora, este mostrando-me, pelo exemplo constante de vida, que servir o Estado era sinónimo de servir o país. Com ele aprendi a recusar uma dualidade pessoal com o Estado, porque, como sempre lhe ouvi, "o Estado somos todos nós".  

Faz hoje, precisamente, 40 anos, dia por dia, em que "entrei para o Estado". Passei, num concurso com muitas centenas, a ser funcionário público, uma designação que os meus amigos estranham que eu sempre escreva e diga, em lugar de "diplomata", quando tenho de declarar a minha profissão. Faço-o porque tenho uma imensa honra em ser servidor público, em ser funcionário do Estado, porque continuo a pensar que essa é a mais nobre forma de servir Portugal.

Os tempos que correm - eu sei! - não vão fáceis para o Estado e para quantos o defendem. Diabolizado por muitos, o Estado passou a ser o bode expiatório de todos os males e de todos os défices, com alguns a apelar por "menos Estado e melhor Estado", quase sem esconderem o desejo de colocar ao seu serviço o que dele sobrar. Os professores, as forças de segurança, os servidores da Justiça, os militares, os funcionários da saúde pública, os técnicos e administrativos de imensas áreas e, por maioria de razão, essa casta irritantemente snobe que são os diplomatas - tudo isso não passa, no discurso dos turiferários das virtudes angelicais da "sociedade civil", de um bando de inúteis gastadores, de preguiçosos absentistas, de mangas-de-alpaca que pilham o erário e o que foi criado pelo suor de quem "produz a riqueza". 

É claro que sei que vou contra "l'air du temps", que vou correr o risco de eriçar alguns sobrolhos e de excitar alguns blogues ou colunistas desses novos "libertadores", mas deixem-me que aqui diga hoje, quatro décadas depois de ter começado a servi-lo, sem uma ponta de arrependimento, com um imenso orgulho e com a liberdade a que o 25 de abril me deu direito: viva o Estado!

46 comentários:

Isabel Seixas disse...

Parabéns e viva.

Alexandre Rosa disse...

Também o sirvo há 43 anos e 1 mês..E devo confessar que com dificuldade me veria a fazer outra coisa que não fosse serviço público. Por isso percebo que assinales os 40 anos de serviço com um viva o Estado.
Um abraço amigo

Anónimo disse...

Grato, sr. embaixador. É bom ter alguém com o seu prestígio a remar ao nosso lado.

António Silva (militar na reserva)

Helena Sacadura Cabral Cabral disse...

Tem razão. Eu servi 40 anos o Estado. E embora o meu estado pudesse ser melhor, não me queixo. E tenho muito orgulho nesse Estado que eu servi!.

Anónimo disse...

ha os que bem servem o estado e ha os que bem se servem do estado.
e quem diz estado diz muito mais.
e' quase uma questao de actitude, e' uma questao de civismo, educacao.

isto num pais de cristaos, como e' o nosso...


bh

ps:provoco claro

Um Jeito Manso disse...

Parabéns, Embaixador.

Que tenha, pois, umas belas bodas de rubi.

E que viva o Estado ao serviço dos cidadãos.

Anónimo disse...

Parabéns Sr. Embaixador
Compartilho e comprendo o seu orgulho, pois, também fui funcionário do Estado durante 48 anos.
Viva o Estado!
Francisco F. Teixeira

patricio branco disse...

Há anos que há a tentativa de pôr o sector publico contra o privado, ou de criar inimizades e incompreensão, diria invejas e rivalidades, entre os 2.
Ouvi, e isto já em anos passados, nos telejornais declarações contra os trabalhadores da função publica injustas, quase ofensivas, por parte de empresários que não deveriam dizer tais coisas a meu ver. A quase impossibilidade de despedimentos de trabalhadores da função publica irritava algumas entidades patronais do privado, era mau o "exemplo" do estado.
No presente, foi-lhes dada alguma satisfação, o estado já quase não admite novos funcionários efectivos mas temporários e corta tremendamente nos vencimentos e pensões de quem o serviu. Mas a manobra de opor os 2 sectores continua, quase dividindo o mundo trabalhador em 2 partes pouco amigas.
Existem as oposições verticais, mas tambem as horizontais.
Por isto tudo, o que fsc diz na entrada tem todo o meu apoio.
Nas ultimas decadas, a função publica melhorou muito a sua qualidade de serviço e atendimento, tambem de resposta às necessidades do cidadão que não pode viver sem recorrer ao estado.

Jose Tomaz Mello Breyner disse...

Senhor Embaixador,

O sentido de servir e não se servir é infelizmente um conceito que tende a desaparecer.

Bem haja por servir tão bem o nosso País, e peço a Deus que lhe dê ainda muitos anos de vida para que possa continuar a servir como tem feito.

Um abraço

Rui Franco disse...

Um texto tão certeiro merecia uma imagem "bonita" a acompanhá-lo.

Anónimo disse...

Os serviços públicos não podem ser substituídos por qualquer privados e os homens e mulheres que servem o Estado sempre o fizeram e fazem com o dever de bem servir o utente.
Neste aspecto sim, viva o Estado. Viva o Estado democrático, livre e independente! E viva o Ministério da Cultura, da Educação, Viva a Saúde, Viva a Embaixada e os Consulados, viva os Professores...
Mas correndo o risco de ser um dos “Turiferários das virtudes angélicas”, e ainda que leve incenso em brasa para me queimar, não abdico de dizer que o problema não está no Estado mas no estado a que as coisas podem chegar! E são sempre os homens que levam o Estado a um estado insuportável, mesmo quando lá se encontram muitos funcionários dignos do bom funcionamento!
Nestes quarenta anos em que, de fora, procurei estar atento ao bom funcionamento do Estado nem sempre me entusiasmei de gritar o “viva o Estado”. Principalmente durante o Estado Novo. Bem sei que mesmo então havia lá homens honestos. O meu pai e Irmão mais velho entre outros. Mas mesmo assim preferi dizer não. Correndo o risco, como centenas de milhar o fizeram, de atravessar fronteiras para horizontes de onde víamos Portugal afastado do espaço democrático europeu, longínquo e apagado. O preço que estamos a pagar é o sentimento de abandono pela parte do Estado a que pensamos ainda pertencer mais de quarenta anos depois...
Pior sofrimento que padecer resignado é vermos que o projeto mais fascinador proposto pelos governantes de hoje aos jovens desempregados em Portugal continua a ser aquele de sair da zona de conforto em que se encontram e ir para além fronteiras...
E muitos, estão a fazê-lo. Agora não têm as policias a apontarem os canos das espingardas nas fronteiras nem os tribunais fronteiriços que se fartavam de julgar os que os espanhóis conseguiam apanhar e repelir mas as condições que aqui encontram não são muito diferentes das de então.
José Barros.

Anónimo disse...

Sobretudo não confundir o Estado com o estado a que isto chegou!

Anónimo disse...

Como fui funcionário público, acompanho com imensa sinceridade o "viva o Estado". Isso não impede que não deseje que o Estado seja bem administrado e que mude e se adapte constantemente às situações, porque mudar e adaptar é absolutamente essencial para fazer face à evolução dos tempos. Parece-me que os funcionários do tipo do pai do embaixador são muito comuns e talvez a regra, mas o ambiente facilitista resultante da qualidade política da administração, olha-os como pessoas antiquadas e forretas.
João Vieira

ARD disse...

Partilho em absoluto desse orgulho de ser um “servidor público”, actividade que deixou de ser tida como uma honra e uma missão.
O “pensamento único” da bacoquice neo-liberal denota, antes de tudo, uma pífia cultura cívica mas também uma “cultura” do individualismo sem bases nem grandeza.
Repetem-se, sem critério, as pseudo-verdades proclamadas pelos arautos do “Estado gordo”, baseadas em estatísticas de rigor duvidoso e em ideologias bebidas em MBA conseguidos à pressa, quantas vezes em Universidades mais ou menos obscuras mas cujo nome (por serem em inglês) tendem a embasbacar o patego.
Ora, não foram os funcionários públicos que chafurdaram no pântano fétido da especulação financeira sem freios nem princípios em que se transformou o País (este e muitos outros).
Não, foram os bem-pensantes engravatados do “menos Estado”, enriquecidos a velocidades estonteantes e com escrúpulos reduzidos a dimensões microscópicas e que, hoje, usam um plural muito rebarbativo quando dizem que “NOS endividámos” e que “VIVEMOS acima das nossas possibilidades”. Quem?!! Eu?!!
Eu não; sempre servi o Estado com toda a competência que tenho, sem nunca ter usado os seus meios para meu proveito, sem nunca ter contraído dívidas.
Podem dizer o memso os opinadores que, nos jornais e nas televisões, compõem o coro que entoa o mantra da “austeridade para todos”, aquela em que há uns mais iguais do que outros?

Catinga disse...

O Estado é uma coisa nobre.

Um país onde o Estado não tenha uma presença afirmativa e definidora de princípios nunca poderá constituir uma Pátria, limitando-se a ser uma coleção de pessoas que partilham o mesmo território, tenuamente unidas por meia dúzia de hábitos mundanos e inapelavelmente separadas pelo imenso egoísmo próprio dos espíritos estéreis.

Anónimo disse...

Pois, da minha parte, servi o Estado como funcionário público. Fiz o melhor que pude e disso tenho a consciência perfeitamente tranquila. No entanto, em nada me orgulho em ter servido um Estado neste estado....

Anónimo disse...

Também servi o Estado durante 34 anos como professora. Foi com honra que o servi e ainda hoje , já aposentada,relembro com saudade esse tempo em que ser ´professora era sinal de respeito e consideração. Os tempos mudaram e hoje tal não acontece.É uma pena..

domingo disse...

Caro Embaixador, nestes tempos de tanto cinismo dá gosto ver a forma como se sente honrado por bem servir o Estado português. Parabéns!
Agora uma outra observação bem intencionada sobre um erro muito frequente: no sentido em que a palavra é usada no texto escreve-se "stationery" e não "stationary".

Anónimo disse...

Um abraço de parabéns pelos seus 40 anos a servir o Estado e pelo texto com que os celebra. Dentro de dez anos, se ainda me encontrar por aqui, terei o maior prazer em congratulá-lo pelas bodas de prata. Como um velho funcionário do Estado, sempre tive e tenho, eu também, grande orgulho em servir Portugal.
FG

José Sousa disse...

Parabéns pelo texto.
Que possa servir de exemplo para aqueles que, indevidamente, se servem do Estado.

Anónimo disse...

É mais que evidente que este tema no seio dos funcionários publicos no activo e pensionistas do Estado é super popular!

Sem querer ser desmancha prazeres nem retirar o mérito a quem tem , vou contar-vos a minha experiência de funcionário público:

Eu servi o estado durante um ano , aproximadamente, como funcionário do quadro .
Durante esse ano, diáriamente, vi-a com estes olhinhos que a terra um dia há-de comer, toda a gente a roubar; Uns roubavam no tempo., entravam Às 9 , marcavam o tempo e saiam para fazer biscates fora no privado e voltavam, perto das 5 da tarde para beberem um cafezinho e passarem pelo ponto .
Outros, nas compras , quando compravam algo para o Estado , combinavam com o vendedor o preço para sobrar alguma coisa para eles; Por exemplo, compravam 4 pneus ao preço de 8 e metiam 4 pneus novos nos carros próprios.

Outros eram nos cnsumiveis que levavam para casa, desde resmas de papel, adubo para a terra, fertelizantes, canetas,arame , papel higiénico, lampadas!!1 etc .
O tipo do refeitório tinha um restaurante, onde ttrabalhava a mulher, para onde desviava metade das comidas e bebidas!
Outros, faziam do posto de trabalho uma loja, como um carpinteiro que trabalhava integralmente para osfuncionários da mesma instituição a fazer gavetas e cozinhas, com a materia prima, ferramentas, energia e mão dóbra do Estado !!! Esse carpinteiro, ainda fazia-se de desiquelibrado mental para não fazer nada para a instituição que lhe pagava e poder estar disponivel para fazer os trabalhinhos para outros colegas funcionários, de estatuto superior é claro !
Portanto, não me querendo alongar mais sobre este assunto apesar de histórias não faltarem para contar, em apenas um ano de experiência! Vou terminar contando que a unica vez que me pagaram algo ilicitamente foi durante esse periodo em que fui funcionário do Estado !
O valor foi razoável e foi pago com total expontaniedade.Eu não estava à espera, mas aceitei e com esse dinheiro comprei um casaquinho de peles com um design algo chick !
Portanto , meus caros servidores do Estado não se ofendam com a minha redacção dos factos porque eles são todos veridicos. E eu era um técnico superior de 3ª cvategoria.

Eu saí de livre vontade da função pública porque não me via a roubar todos os dias nem era esse o meu espirito! No entanto quem "serviu" o Estado hoje tem a sua reforma e está livre de chatices e eu tenho que andar a bolir todos os dias e a pagar os impostos que o Estado acha insuficientes para pagar o serviço público que pensa que fornece !!!


A forma como eu me considero servidor do Estado, é recolher o IVa e pagar espontaneamente ao Estado. Nunca estive a receber o subsideo de desemprego. Nunca meti baixa !
Utilizei o Hospital uma vez quando tive um acidente de viação.
Criei uma pessoa colectiva que paga Segurança social de 5 empregados mensalmente.
Assim cosidero-me servidor do estado. Como funcionário publico, nunca me senti servidor do Estado, porque era impossivel servir o Estado naquelas condições!!!
No entanto a maioria pensa que não e que andamos todos a dormir e de olhos fechados !!!

OGman

Catinga disse...

Parece ter surgido aqui a inevitável diferença entre "o princípio do serviço ao Estado" e a "prática do serviço do Estado"...

Eu também trabalhei para o Estado, durante dois ou três anos (setor dos subsídios ao azeite) e eu também vi a balda que aquilo era: horas extraordinárias desregradas, um dos responsáveis pela minha sala que tinha um "arquivo morto" de bagaceira; outra responsável que só ia ao médico e às compras no seu turno (trabalhava-se de manhã ou tarde) e ainda outra (a mais trabalhadora) que ia lendo uma revistas no meio do serviço.

Também tinha um colega que, de vez em quando, ia dormir umas sestas para o WC.

Posso dizer que, quanto mais calões, mais reivindicavam e falavam em tom categórico dos SEUS direitos.

Depois, havia o Sr. Engº (há sempre um, não é?) que, basicamente, escondia a sua incompetência passando a vida aos gritos com os funcionários.

Ao mesmo tempo, tive familiares que se esfalfaram durante dezenas de anos, trabalhando árdua e honestamente para o mesmo Estado do qual os outros cromos se serviam.

Portanto, não se confunda a nobre ideia de servir o Estado (e o justo orgulho que alguns sentem) com a incompetência e a falta de ética de outros.

Logros disse...

Faz bém ao ânimo (e à "anima"), ler um texto assim. A honestidade, a honradez, a auto-exigência parecem ter soçobrado perante a chico-espertice militante e um hedonismo parvalhão e vazio. O último comentário ilustra bem uma certa triste realidade. Alguém lúcido, poderá explicar
?

(c) P.A.S. / Pedro Almeida Sande disse...

O problema não é ser do estado ou não, mas os ares do tempo. De uma enfermeira hospitalar reformada ouvi
há pouco tempo: era uma vergonha! Uma vergonha! Quando chegavam os lençóis novos duravam até à noite. Eclipsavam-se como por magia!

É talvez por isso que muitos jeans hoje são chics: made in hospital de S. Maria!

Anónimo disse...

Senhor Embaixador F.S.C.

O tema proposto é necessário. Está ao centro do debate social português et europeu.
Não são os funcionários públicos que estão abertos a críticas, mas sim a organização (desorganização?) dos serviços do Estado.
Respeitosamente
C.Falcao

Francisco Seixas da Costa disse...

Caros comentadores: muito obrigado pela simpatia de alguns comentários, no que pessoalmente me respeita. E espero que todos tenham apreciado que deixasse publicar alguns textos a "contraciclo".

Margarida disse...

You can't muzzle a maverick...;)

Congrats.

Anónimo disse...

O estatismo que os politicos nos querem impingir já vem de longue!
Este tema está na ordem do dia para consciêcilizar as pessoas que o Estado tem que tomar conta da Economia e da vida das pessoas !

O Estado irá tomar conta da Banca(falida) e ficar com as casas que as familias não vão poder pagar!
O Estado irá desmantelar o SNSaude para que as pessoas doentes gastem as suas economias nas clinicas e hospitais privados.
O Estado tem afundado todas as pequenas e medias empresas para facilitar a implementação de Multinacionais a explorar mão d'obra barata
O Estado vai controlar o movimento dos cidadão através das câmaras nas autoestradas e chips nas viaturas.
O Estado vai colocar policia nas ruas para calar a revolta dos cidadãos que irá estalar.
O Estado.
O Estado tomar conta do que dá prejuizo , como a massa de desempregados, doentes pobres , velhos sem heranças, criminosos e crianças rebeldes ou filhos d familias desfuncionais.
As multinacionais ficarão com a distribuição da Energia ( petroleo , electrica, gás etc) , Telecomunicações , Vias de comunicação (estradas e aeroportos), Água , Medicamentos , Armamento e distribuição alimentar!

O Estatismo é isto ! Têm um pouco de comunismo de capitalismo e também de Fascismo .
Este novo sitema está a ser introduzido na sequência da crise mundial com os cidadãos a resignarem-se.

A mensagem vai passando e o pessoal vai aceitando!

Ontem, num debate da Sic ouvi o comentdor do BE a referir-se ao termo Engenharia Social. Este termo é muito usado nos meios politicos para engendrar circusntâncias que ajudam a implementar as politicas desejadas.
Mas o politico quando comunicam com o Povo não se referem a essas teorias , mas sim , dão enfase aos problemas mundanos, para esconder essa realidade. Aquele politico do BE se abr muito o véu é corrido ! Ao povo só se pode falar de pases sociais, do pão , dos medicamentos , da água de da luz !! O resto dêm-lhe bola !!!

OGman

Anónimo disse...

Falando em servidores do Estado, esta semana o Dn passou passou esta reportagem que toda a gente nos meios politicos ignorou! Nem passaram por perto quanto mais tocarem!!! Tinha bicos!

http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=2119654


OGman

Julia Macias-Valet disse...

Hot topic !
... nao me meto ! ; ) porque nunca trabalhei para o Estado !!!
...mas uma continua (agora : assistentes operacionais-aprendi com HSC) do emprego da minha mae descascava favas encima de secretaria durante as horas de serviço) Oops ! Eu disse que nao me metia : ))) e mais nao conto : ))) mas podia...

Happy forty ! : )

Julia Macias-Valet disse...

Carissima Helena SC,

So elegant...

Le Céladon vous va si bien... : )

Anónimo disse...

Caríssimo Senhor Embaixador, parabéns pelos 40 anos ao SERVIÇO DO ESTADO.

O início do post fez-me recordar as visitas que fiz na infância ao antigo edifício do Ministério da Educação, no Campo Santana, o então local de trabalho da minha mãe, e o quanto ficava fascinada com o lápis borracha com pincel para limpar e a borracha octogonal para apagar esferográfica (há tempos, adquiri estes dois objectos num site de leilões).

O fiel de armazém manifestava orgulho com o interesse da pequenada por toda aquela quantidade e variedade de material que, na altura, não era tão comum como nos tempos actuais.

No dia-a-dia como FUNCIONÁRIA PÚBLICA, com muito orgulho, raramente utilizo material fornecido pelo Estado porque tenho o “vício” de adquirir quase tudo nas campanhas do “regresso às aulas”.

No meu caso, convivi com os dois sectores – público (mãe) e privado (pai) – e absorvi que era o meu pai a transmitir os casos menos dignificantes cometidos por alguns colegas e superiores hierárquicos.

Tive a oportunidade de trabalhar dois sectores e, quando conclui a licenciatura, fui estagiar para uma das maiores empresas privadas do país. No final do estágio, com a duração de um ano, ofereceram-me um contrato efectivo. A minha resposta foi não, sem qualquer hesitação.

Há 17 anos que estou no sector público, por opção. Já passei por dois ministérios muito distintos e tenho constatado muito e pouco profissionalismo, como em todo o lado, mas nada das aberrações sistematicamente apontadas aos funcionários públicos. Aliás, temos uma característica de enorme mérito – não poder fugir aos impostos (nem todo o sector privado pode afirmar o mesmo!).

Caro OGman, não sei como sobreviveu a um ano de tão má experiência como funcionário público. Parece o trailer dos “Feios, porcos e maus”...

Cara Helena, está LINDA!!! Quando for grande quero ficar assim :)

Isabel BP

Anónimo disse...

Cara Júlia,

No que deu o episódio da assistente operacional que descascava favas na hora de expediente - as nossas mães foram colegas :)

Isabel BP

Julia Macias-Valet disse...

I-SA-BEL B-P !!!!!!

A minha mae também trabalhou no Ministério da Educação no Campo Santana !!!!! Depois foi para a 5 de Outubro para o Superior....

O que nao se descobre neste cantinho de Portugal... : )

PS Sera que a chefe também era a D. Antonieta ?

Portugalredecouvertes disse...

Parabéns Sr. Embaixador

no entanto podemos desejar que, à sombra desta linda bandeira, o resultado da contagem dos justos seja melhor do que o de Sodoma e Gomorra!

cumprimentos

Helena Sacadura Cabral disse...

Senhor Embaixador
Permita-me sue use seta sua casa para agradecer às duas comentadoras o elogio fotográfico.
Explico: a foto que usava nos blogues tinha uns anitos. Talvez seis. Era do Pedro Ferreira. Recentemente tive que fazer uma sessão fotográfica por causa dos livros. E de novo escolhi o Pedro Ferreira, que nunca altera nada em mim.
Portanto, caras Júlia e Isabel,a nova foto sou eu no presente, sem retoques, ao vivo e a cores.
Muito obrigada pelos comentários. Podia, de facto, estar pior... :)))

Santiago Macias disse...

Viva o Estado, sim! Estou apenas há 25 anos e deverei estar mais 22. Se, entretanto, não me despedirem. O Estado continua, para mim, a ser coisa séria. Infelizmente, a sua reforma esconde tentações de aniquilação...

Anónimo disse...

Foi bom ter lido isto.

Julia Macias-Valet disse...

I-SA-BEL B-P !!!!!

A minha mae também trabalhou no Campo Santana ! Depois passou para o Ensino Superior na 5 de Outubro.

As coincidências que se descobrem neste cantinho de Portugal... : )

PS : Sera que a Chefe também era a Dona Antonieta ?

Nuno Sotto Mayor Ferrao disse...

Caríssimo Embaixador Francisco Seixas da Costa,

Subscrevo por inteiro a sua mensagem. Na verdade, corre com demasiada leviandade ideológica essa ideia de que os servidores do Estado são "um bando de preguiçosos absentistas". Se incorremos nesta dicotomia simplista poderemos ser levados pela mesma lógica de facciosismo a dizer que os servidores do Privado são uns mercenários sem Ética, corruptos e meramente gananciosos.

Esta visão primária e dicotómica não leva a ditosa e amada Pátria muito longe. Temos de voltar a uma mentalidade que perpassou algumas gerações anteriores, como o Embaixador Francisco Seixas da Costa nos dá conta, de que os funcionários públicos são dignos servidores do Bem Público.

Não partilho a premissa do valor sacralizado da sociedade civil porque os tempos correm por demais em tendências demasiado egoístas que não favorecem a coesão nacional. Também nessa medida concordo com o Professor José Medeiros Ferreira ao criticar a intenção de acabar com o feriado do 5 de Outubro quando esta data sempre foi uma das memórias mais importantes para os democratas portugueses. Sinais equívocos pairam no ar...

Saudações cordiais, Nuno Sotto Mayor Ferrão
www.cronicasdoprofessorferrao.blogs.sapo.pt

Helena Oneto disse...

Com tantos bons servidores, o Estado português devia sentir-se orgulhoso dos seus fieis funcionários e poupar-lhes cortes drásticos e inconstitucionais.
A nossa sorte é que Portugal ainda tem mulheres e homens de grande valor que continuam, malgré eux, a servi-lo.

Antonio Varela disse...

Subscrevo totalmente!
VIVA O ESTADO!
Os meus cumprimentos.
António Varela

Anónimo disse...

Júlia,

As nossas mães foram colegas no Superior - 5 de Outubro e Duque d'Avila.

A sua mãe depois conta-lhe, já incumbi a minha mãe dessa tarefa! :)

Isabel BP

P.S. A minha mãe não conhece a D. Antonieta :))

Julia Macias-Valet disse...

Dear Isabel BP, fico à espera do desenlace...que isto até parece uma telenovela : ))

Senhor embaixador, desculpe o abuso mas prometo que depois lhe conto o "The End" : )

Anónimo disse...

Acho que és monarquista.
O apresso a res pública é comum aos monarquistas.
Saudade desse tempo.

Anónimo disse...

Senhor Embaixador, o número de comentários mostra bem a admiração e o agradecimento que devemos ter por quem serve a "res publica" com lealdade e com prazer. Parabéns!