segunda-feira, 5 de julho de 2010

O panorama de Gulbenkian

Na passado sábado, estive em Enclos, perto de Deauville, a acompanhar o presidente da Fundação Gulbenkian, Emílio Rui Vilar, na inauguração do Parque Gulbenkian, a formalização da doação à região de um espaço natural adquirido por Calouste Gulbenkian, em 1937. Trata-se de uma mistura imaginativa de jardins, prados e bosques, um projeto que revela uma sensibilidade que talvez nos ajude a "ler" melhor a mentalidade do filantropo. A presença do Coro Gulbenkian, vindo expressamente de Lisboa, trouxe uma nota de grande beleza à cerimónia.

A certo ponto da visita, e apontando-me um panorama soberbo que Gulbenkian criara deliberadamente, como linha de harmonia entre duas alas de verde - de imensos e diferentes verdes, que nos ajudam a perceber melhor alguma pintura impressionista -, o delegado local do Ministério francês da Cultura explicou-me que esse panorama, até ao infinito onde é visível, está hoje protegido por lei, sendo insuscetível de ser palco de qualquer construção ou mesmo de um mero rearranjo arbóreo, sem autorização legal, sob pena de procedimento criminal.

"Pobre" país este, a França, cuja paisagem não pode ser beneficiada com a instalação de um qualquer barracão de zinco de cores berrantes, com a graça de uma pedreira a céu aberto ou o girassólico romantismo de uma eólica!

4 comentários:

Anónimo disse...

Humor subtil...

Rico parque das pedras onde árvores seculares de porte altivo desafiam memórias a cenários ancestrais de pré contemplação geracional e cíclica de progresso da solidão...

E nós..
Acho eu

Deglutimos em seco as esperanças vãs de regionalização ...

Até porque
Agora nestes tempos não dá Jeito...

Aos poderes instituídos muito mais legitimados pelos Deuses...

Mas
A porta já está aberta e continua lindo até na versão algo andrajosa da visão de casas sem pessoas, de espaços namoradeiros sem namorados, das minas e grutas enigmáticas sem curiosos, das fontes sem quem demonstre sede, do casino fora de jogo sem a conivência de aplausos, da casa do chá que já não precisa levou muito em pequena, dos recantos estéreis por abandono da paixão já de si concebidos para a inerência da anti concepção, sem piscina comunitária agora tanque privado...

Sem vergonha
Nem que seja em cinzas
Eu
Vou pairar
Também por lá
Em Amor usucapião
Isabel Seixas

V disse...

Barracão de zinco com cores berrantes? Não! Isso aqui, nas mãos da Sonae ou do GES, por exemplo, dava era um espectacular casino cheio de cascatas lá dentro, o mais luxuoso centro comercial da Europa, torres para habitação todas em vidro, enormes mansões muradas com jardins de 5.000 m2, com court de tenis e piscina olímpica, 2 hoteis de 5 estrelas e 4 de luxo, um deles com restaurante giratório e vista soberba no 25º andar, campo de golfe com não sei quantos buracos, etc, etc.
Isso sim. Isso é que era qualidade de vida e empreendedorismo para tirar Portugal da crise e avançarmos para o pelotão da frente!
V

Anónimo disse...

O poder local tem os seus custos.Xatos na Câmara é eleição perdida.Na Junta de freguesia arranja-se um atestado de pobreza,manda-se o PDM às urtigas.Marido e mlher, mai-los filhos: 4 votos.A próxima comissão para a revisão do PDM terá como preocupação principal regularizar as irregularidades.

Margarida disse...

Este último parágrafo é um nadinha (só um nadinha) anti-establishment!
Careful dear sir; os mentores dessa parafernália toda (ainda) andam por aí...