segunda-feira, 26 de julho de 2010

O futuro da CPLP

O pedido de ingresso da Guiné-Equatorial na CPLP, evidenciado na cimeira de Luanda, tem a virtualidade de lançar um debate identitário no seio da organização e de, por essa via, vir a potenciar e a clarificar alguns dos seus alinhamentos internos de forças - que são uma real floresta por detrás da árvore de retórica que sempre tem de envolver este tipo de cimeiras. 

Todas as eventuais clivagens que este processo possa vir a revelar devem ser encaradas com naturalidade, porque elas são apenas o salutar sintoma de que a CPLP começa a ter uma crescente relevância na projeção estratégica de alguns dos seus Estados-parte.

5 comentários:

MFerrer disse...

Sem engenharias sociais totalmente fora de moda...Portugal deveria estar bem atento à sua necessidade de renovação etária e de reformar a respectiva base do sistema social em vigor...
Com 11M de habitantes dos quais apenas 3M descontam, qual é o resultado?
Em quantas universidades é preciso cursar para perceber que ou nos adaptamos ou desaparecemos?

Gil disse...

Na verdade, além do pedido da Guiné Equatorial, a Cimeira debruçou-se sobre a candidatura de outros três países (Ucrânia, Suazilândia e Marrocos) à categoria de observador, que a Guiné Equatorial já tem, tal como o Senegal e as Maurícias.
Junte-se a isso a solicitação da Austrália e do Luxemburgo para estarem presentes (como estiveram) em Luanda e as sondagens da Indonésia em manobras de aproximação e talvez se possa concluír que a CPLP pode ser um forum com alguma influência no chamado Concerto das Nações.
Quanto à decisão sobre o pedido da Guné Equatorial, depois do fogo cerrado desencadeado a propósito, bem se podia dizer que as notícias de que a CPLP já se vendera por um punhado de petrodólares eram um pouco exageradas.

Ana Paula Fitas disse...

Carissimo,
Não suscita dúvidas a vantagem que este debate identitário lança sobre a CPLP e menos ainda sobre o reflexo do seu prestígio enquanto organização... a questão é a de saber se os seus objectivos procuram responder a questões de identidade política ou se as suas aspirações são, simplesmente!, a de lobby regional económico?
Abraço amigo.

Anónimo disse...

A CPLP pode ser ao mesmo tempo um lobby económico e político, regional ou mundial.
Um debate identitário ainda não é necessário, como provou o NÃO à Guiné Equatorial.
É pena que não se discuta mais a CPLP em Portugal. Provavelmente, nos outros países ainda se discute menos. Mas não há dúvida de que era bom que se discutisse mais, em vez de pura e simplesmente arrumar a questão elogiando-a (no discurso oficial) ou minimizando-a, como fazem jornalistas e comentadores que, se calhar, nem se procuram documentar antes de o fazer.
Por curiosidade, por causa deste assunto da Guiné Equatorial, fui ver o site da CPLP.
Confesso que fiquei surpreendido, pela positiva.

patricio branco disse...

A Guiné Equatorial deve esperar, até que seja um país aceitavelmente democratico e respeitador das pessoas e seus direitos. ainda nãao o é e o decreto dizendo que o português é tambem lingua oficial de nada vale, é mais uma prepotencia do ditador que ali manda.