sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Guantánamo

Concretizando a disponibilidade anunciada em Dezembro de 2008. no sentido de poder receber prisioneiros detidos no campo americano de Guantánamo, na ilha de Cuba, sobre os quais não impendessem acusações susceptíveis de serem presentes à Justiça, o Governo português acaba de divulgar que vai acolher, no seu território, dois cidadãos de nacionalidade síria.

No comunicado há momentos emitido, Portugal anuncia que vai conceder a estes dois ex-detidos um visto especial, no quadro da sua legislação nacional. E adianta que o encerramento de Guantánamo, onde a anterior administração americana encerrou os "combatentes inimigos" a quem se recusava conceder os direitos previstos nas Convenções de Genebra, é "uma vitória para todos os que defendem e promovem o respeito pelos Direitos Humanos no quadro da luta contra o terrorismo".

Gostava de recordar que o Governo português foi o primeiro, no seio da comunidade internacional, a anunciar a sua disponibilidade de ajudar os Estados Unidos da América a pôr fim à base de detenção de Guantánamo.

Com este gesto, Portugal demonstrou saber assumir plenamente as suas responsabilidades políticas no quadro internacional e, em especial, os interesses da comunidade política e de valores que regem a relação transatlântica.

4 comentários:

Anónimo disse...

Como sabe, a decisão do Governo português tem muito que se lhe diga; há um lado negro, neste acolhimento de pessoas ilegalmente presas e torturadas durante anos a fio, nunca julgadas e que viveram num "no man's land" jurídico e existencial.
Não que se não deva receber essas pessoas; mas não o devemos fazer apenas para "descalçar a bota" americana (bota, aliás, manchada de sangue). Mas se se fizer isso, então deve haver um compromisso de, no caso de se verificar que foram detidos irregularmente ou se esgotou o prazo durante o qual deviam ser julgados, devem ser libertados sem condições.
Por alguma razão os EUA não os querem no seu território...

Anónimo disse...

Aos idiotas racistas e corja extremista que vem aqui botar postas de pescada. Acho que ainda não perceberam, tristes, se é que, ao menos, leram a notícia, ou sabem ler mais do que os títulos, que os dois tipos foram "ilibados"; e isto num sítio onde depois de levar choques nos testículos até o melhor dos "cristãos" confessa chamar-se Abdul. Incrível! Quando é que o Estado resolve "encarcerar" de vez o racismo (se possível com penas iguais às de Guantánamo), que no entender das pessoas civilizadas é tão nocivo como o machismo ou a pedofilia?

Bento Freire disse...

Agora fiquei baralhado...
Não sei se o segundo Anónimo "tresleu" o anterior ou se acha que é apanágio das "pessoas civilizadas" impor penas "iguais às de Guantánamo" seja a crime for.
Por outro lado, quem leu a notícia e sabe ler mais do que os títulos, sabe que os dois ex-prisioneiros acolhidos por Portugal vão ser vigiados 24h por dia e vão ter os seus movimentos limitados, o que, para ilibados depois de levar choques nos testículos, é próprio de "idiotas racistas e corja extremista", tipo Rumsfeldt e Cheney.

Helena Sacadura Cabral disse...

Essa da "disponibilidade de ajudar os Estados Unidos" carece, de facto, a meu ver, de ser muito bem explicada. Julgo que todos temos direito a isso. Porque, no mínimo, não estou segura de que os ditos E.Unidos fossem capazes de nos oferecer igual disponibilidade...