terça-feira, 10 de abril de 2012

Inadimplência

Uma utilíssima "newsletter" luso-brasileira, que continuo a ler com regularidade, titula hoje "Inadimplência em Portugal continua a aumentar". Recordo-me de ter avançado para um dicionário (de Portugal) quando, há uns anos, li, pela primeira vez, a expressão na imprensa brasileira. E da minha grande surpresa por nele não encontrar a palavra e o seu significado.

A Academia Brasileira de Letras, embora reconhecendo-o, não aprecia o termo, preferindo-lhe a expressão "inadimplimento", há muito já usada na ordem jurídica portuguesa (mas não na nossa linguagem corrente, como acontece no Brasil com "inadimplência").

Seja "inadimplência" ou "inadimplimento", a verdade é que se trata de um conceito preciso e sintético, que é pena não ser mais utilizado. E que também é pena que seja uma realidade cada vez mais frequente entre nós, nos dias que correm.

19 comentários:

Anónimo disse...

Pois não sei se a culpa fica com os credores ou com os caloteiros. Mas o que posso saber é que ambos não sabiam lidar com dinheiro. Isto de se ser novo-rico é quase tão mau como novo-pobre.

Mônica disse...

Senhor Francisco
Vou olhar no aurelio mas esta em BH e eu estou aqui em Oliveira.
Depois eu te conto!
Mas inadimplencia 'e o mal pagador nao 'e?
A mamae 'e que falou pois perguintei pra ela agora.
com amizade e carinho de Monica

Carlos Fonseca disse...

Gostei. Sobretudo do último parágrafo.

Anónimo disse...

Ricardo Coração De Leão.

Brites de Briteiros disse...

Quanto mais viver mais aprender, já aprendi que essas palavras que nunca tinha ouvido afinal querem dizer crédito mal parado, coisa que por cá é frequentemente falado.

Cumprimentos

EGR disse...

Senhor Embaixador: permita-me notar que,tanto quanto me posso ter apercebido mesmo na linguagem jurídica usada-por ex.em sentenças,acordãos,ou outros lugares - não se encontra com grande frequencia a palavra.
Isto não obstante, como V. Exa observa,ela traduzir um conceito bem preciso.Tenho a sensação que o termo nunca saiu da linguagem,digamos,mais académica. Talvez por esse motivo não transitou,como outras,para um uso corrente.
Quanto ao demais, Senhor Embaixador,quem dera que não fosse verdade.

Anónimo disse...

Na literatura jurídica brasileira há muita coisa sobre o inadimplemento do débito conjugal. Aliás, crédito conjugal segundo a mais recente doutrina.
V

Isabel Seixas disse...

Seja "inadimplência" ou "inadimplimento",...
É à primeira vista mais fácil pronunciar crédito mal parado, além de traduzir de imediato o que consta, sintetizando o pensamento de codificação da mensagem...
Além de que acho as duas palavras feiitas.Por exemplo não têm musicalidade, nem estou a vê-las num verso, numa estrofe ou poema.
(Também estou ensonada)

patricio branco disse...

never heard!

Guilherme Sanches disse...

Confesso que nunca tinha visto, lido ou ouvido essa palavra.
Mas sempre é melhor ser ignorante do que inadimplente...
um abraço

Anónimo disse...

Cara Isabel Seixas
Pedi a opinião da nossa amiga, a velha senhora versalhadora, especialista em rimalhações (que não em poemas - a confusão ofende-a). Semi-concordou consigo:

"inadimplência" é possível
cadência de ondas no mar
"inadimplimento" horrível
cavacão que quebra o ar.

A. disse...

"Inadimplencia" (o teclado não tem circunflexo) não se Aplica apenas a obrigações financeiras mas também a quaisquer outras, incluindo as conjugais...

Anónimo disse...

Confesso que não conhecia nem um termo, nem o outro, mas o Houaiss e o
Aurélio põem os dois ao mesmo nível.Quando quiser chatear os tipos que
não pagam, chamar-lhes-ei o quê? Inadimplementores?
Inadimplementadores? Inadimplençores? Inadimplenciadores? Ou
simplesmente caloteiros? Uma questão bicuda que está na ordem do dia.

Isabel Seixas disse...

Caro Mensageiro da minha amiga velha senhora versalhadora posso equacionar?

Semi-concórdia igualzinho a semi-discórdia?!...

poesia como estilo literário só de palavras vertidas da alma a sangue suor lágrimas fado e subjetividade intrinseca?

sem lugar a uma pequena inadimplência poética que quebre o fundamentalismo snobe e permita às massas auferir de um jogo de palavras popular com sentidos algo pimbas?O que há de ofensivo? a senhora com essa suscetibilidade corre o risco de perder diversidade de estilos?...

Quanto à quadra desde logo a consagra como versalhadora destemida,parabéns.

Anónimo disse...

Parecendo-me inadimplir uma contração da frase “inadaptado a cumprir”, poderei inferir que, gatunagem, se terá “desdobrado”, atualmente, em “gestão danosa”.
Perante as declarações opostas sobre a gestão de empresas que começam a designação por “parque”, dizendo uns que foi uma festa e outros que foi um forrobodó, não há duvidas que nós, comuns, temos sido inadimplidos por gestão danosa. Como reparam, antes dizíamos “enganados por gatunagem”.
Que rica é a nossa língua!

Albino M. disse...

Quem estudou direito, pelo menos em Coimbra (mas Lx. também, acredito), em 1960 e segs. (muitos), creio que até hoje,sabe bem de 'inadimplência' e 'inadimplemento' (assim, julgo, não como se grafa no poste).
A propósito, o devedor em situação de inadimplência diz-se... inadimplente.
O verbo de referência, claro, é 'adimplir' (cumprir), do lat. 'adimplere'.

Anónimo disse...

Cara Isabel Seixas
Isso é o que eu digo, mas a nossa velha senhora é nisso intratável: que ama demais a poesia, a grande - Homero, Shakespeare, Camões, Pessoa e assim -, para ousar ou gozar 'poesia' pequena ('não me desagrada, só que não me orgasma') e que, velha e médica, não tem tempo nem talento nem pachorra para a exclusividade que a poesia, diz ela, exige. Já me explicou tudo muitas vezes - aqui, por exemplo, em longa composição que há tempos me atirou e de que remeto extratos (com pontos e vírgulas da minha responsabilidade):

diz-lhes lá que eu não admito
me chamem nomes às rimas,
gosto demais de poemas
pra sofrer comparações. 
poesia não é rito
e minhas rimas nem primas
são desse mito (não temas
que haja em mim cá confusões),

rimas de caca, onde pões
os teus olhos divertidos
mas também comprometidos
por ver tanta insanidade,
temeroso do que há-de
provocar de reacções,
e dizes que é da idade.
cá estou eu a rimalhar

é um nunca mais parar,
porra, de rimalhações,
pois que o meu problema é bem
não saber onde é que tem
esta merdice uns travões.
e envia-lhes estas rimas,
que mando eu, não te reprimas,
ó meu cabrão dos cabrões.


chamar isto poesia,
ter por arte a porcaria 
que de mim sai, velha triste
(que tão leda outra não viste),
é como a mãe que dizia
ao filho com quem f….,
ladrão, fadista e rufia:
'mas que artista me saíste'.

Isabel Seixas disse...

Dê os meus respeitosos respeitos á Velha Senhora corroborando o Seu Bom Gosto Inquestionável pelos poetas filhos de deus maior.

Dito de outra forma também essa poesia a mim me altera sinais vitais nomeadamente a tensão arterial, hum,Hipertensão claro... Além de uma ...Uma espécie de taquicardia hedónica podendo até gerar baba ou transe, mas a duvidosa faz-me sorrir e rir e talvez não seja menos gratificante, além de que é mais acessivel a pessoas com menor grau de abstração.

Os Deuses são tão poucos,dissociam-se e distanciam-se tão facilmente do senso comum...

Isabel Seixas disse...

Ah! Além da mestria em integrar o português Vernáculo