sexta-feira, 27 de abril de 2012

Gérard Castello Lopes

Recordo-me de um antigo, e hoje politicamente incorreto, anúncio na televisão portuguesa em que, com uma voz fanhosa, o locutor dizia: "Palavras para quê?!" Ao olhar para esta fotografia (que não conhecia) de Gérard Castello Lopes surgiu-me a mesma questão, porque descobri nela um bom exemplo desta espécie de sociologia gráfica do Portugal dos anos 50/60 que é (também) a obra fotográfica de Gérard Castello Lopes. Trabalhos que quase não necessitam de ser legendados, tal é a expressividade daquilo que nos transmitem.

Há dias, no novo Centro Gulkenkian, em Paris, assisti à inauguração de uma exposição de Gérard Castello Lopes, uma magnífica mostra do trabalho fotográfico, executado entre 1956 e 2006, por um homem de muitos saberes, e de que por aqui se já falou, por mais de uma vez. A fotografia que ilustra este post não integra a exposição, a qual, na verdade, vai muito para além daquilo que já se conhecia de Gérard Castello Lopes, que pode ser considerado um digno émulo português de Cartier Bressson. Jorge Calado foi o criativo curador desta exposição, organizada e exposta com gosto e maestria.

Até 25 de agosto, quem puder ver estas "Apparitions", no nº 39 do boulevard de La Tour-Maubourg, deve fazê-lo. Esta foi uma bela maneira da Gulbenkian comemorar o 25 de abril, data em que a exposição abriu.

3 comentários:

patricio branco disse...

pena não dar para ir ver. Grande fotografo gcl, a lisboa e os lisboetas dos anos 50-60 estão de facto nas suas fotografias como assinalado no post. Esta parece-me do largo do cais do sodré, perto do inicio da rua do alecrim.
alem de gcl há outro fotografo nosso que merece exposições nos melhores sitios, salas, josé de lemos. igualmente magnifico. a fcg que organize tambem uma exposição deste em paris.
há ainda outros fotografos de nivel, mas parece me que até agora nenhum atingiu a qualidade dos 2, nem mesmo eduardo gageiro, outro dos bons.
uma curiosidade da fotografia portuguesa está no funchal, no museu vicentes, do nome do fotografo vicente da silva, que ali teve o seu estudio fotografico desde os anos 50 ou 60 do sec 19.
lá se expoem fotografias suas começadas a tirar em 1854, mas tambem ali se guardam dezenas de milhares de negativos seus no espólio.
e um muito bom fotografo (classe amador) é o sociólogo antonio barreto.

Anónimo disse...

Nãp quero ser desmancha prazeres mas... Para quem tenha viajado e tomado conhecimento como o resto da Europa vivia nestes anos, Portugal não destoava assim tanto, a não ser políticamente. A guerra tinha feito com que países como a Inglaterra e a França parecessem muito pobres e onde até ainda havia racionamentos. É só a partir dos meados dos anos 60 que a Europa arrebita de novo a cabeça. Mas... eu não sei.

Julia Macias-Valet disse...

Às vezes em Paris la vou ao "marché" com um cesto igual ao da foto, que a minha mae me ofereceu para que nao esqueça as minhas raizes. Par contre, tento deixar o avental em casa histoire d'éviter o total look : )