sábado, 21 de abril de 2012

Corporações

São evidentes - e, para muitos, chocantes - os esforços de várias corporações para tentarem limitar o acesso às suas profissões. Há uns tempos, esses ventos sopraram do lado dos advogados. Mais recentemente, voltou a ouvir-se o apelo, embrulhado, como sempre, em argumentos de "qualidade", agora do lado dos médicos.

Há médicos a mais? Se assim for o caso, então talvez seja de introduzir mecanismos imperativos para forçar a ida para a província profunda da única profissão que tem um emprego garantido pelo Estado, logo no termo do curso. Auscultem-se as populações...

16 comentários:

Portugalredecouvertes disse...

Que fazer para que o preço das consultas baixe, tendo em conta o nível de rendimentos da maioria da população?

Anónimo disse...

Absolutamente de acordo!
Este é um problema de muitos jovens médicos. Digo-lhes: vão para Bragança, Beja, Castelo-Branco, Portalegre, etc. Mas, o mesmo no que respeita a muitos outros "ofícios", cujos jovens, sobretudo nas grandes cidades (Lisboa em particular), resistem em se deslocarem e viverem "longe" da família e amigos. E, pergunto, os diplomatas, não têm tantas vezes que viver bem distantes de quem são próximos? E não ultrapassam isso, destemidamente?
Já a Ordem deveria prevenir o que aqui é dito e muito oportunamente. Oxalá alguém na Ordem leia o que aqui se diz.
Médico (de família e não só)

Isabel Seixas disse...

De facto quando os interesses da corporação se sobrepoem aos da população, valem-nos os médicos espanhois corroborando a verdade que o quociente intelectual não se deve dissociar dos coeficientes emocional relacional e espiritual.

Anónimo disse...

Com os médicos é preciso ter alguma calma!... e um destes dias observei um facto que parece corroborar esta afirmação:
Duas profissionais novas da mesma aldeia, uma médica e outra engenheira, foram tratadas pelos aldeãos, que sempre as conheceram, da seguinte maneira: a médica Manuela, desde que se formou, passou a Srª Drª, a engenheira Patrícia, continuou a ser conhecida por Patrícia… para mim foi uma coisa estranha! Como se supõe a médica trabalha num hospital e a engenheira onde calha…(se calha)
Claro que é absolutamente necessário a clarificação e uniformização dos regulamentos profissionais para desmantelamento dos lóbis nocivos instalados em ordens, sindicatos, associações, etc.
A solução só passa pela liberalização das profissões, com a correspondente e necessária responsabilização profissional e, aqui é que está o busílis!

Anónimo disse...

Não é a única. Os militares e polícias também têm emprego garantido.

patricio branco disse...

como há medicos a mais se temos de importá los de espanha, colombia, cuba e sei lá mais de onde? e se formos por especialidades, há várias com falta de praticantes.
isto sem contar com os doentes que vão a espanha por não haver onde e quem os atenda aqui.
quanto a advogados o problema não é só esse que dizem, da parte do cliente podemos falar numa profissão em que fora alguma excepção não se percebe os preços que cobram, quais as suas regras para fazer as contas e garantir esforços para bons resultados na pratica.

Margarida disse...

A comparação entre os médicos que têm de ir para o interior e os diplomatas que seguem para o estrangeiro é interessante.

Francisco Seixas da Costa disse...

Por regra, os diplomatas não se queixam pelo facto de serem colocados em lugares longe de Lisboa e, muito em especial, gostariam que houvesse muitos mais profissionais na sua carreira.

diogo disse...

sim sim . o glamour de paris ou de freixo de espada à cinta é exactamente o mesmo . bela comparação senhores .

Francisco Seixas da Costa disse...

Caro Diogo: claro! E Tripoli? E Teerão? E Benguela? E Bissau ?

Anónimo disse...

Não sou politizado mas parece-me que o ensino em Portugal ainda não prepara os estudantes para as suas vidas profissionais. Eu não sei...

Margarida disse...

Tripoli, Teerão, Benguela, Bissau, com chauffeur, mordomo, camareira, cozinheiro, secretário, assessor, consultores e outros etc, mesmo sendo paragens, digamos, controversas, é um nadinha distinto do que Freixo-de-Espada-à-Cinta, "a seco", com todo o respeito por essa localidade.
E as outras.
Ou como diria o mr. Crabtree: Give me a break!"

Francisco Seixas da Costa disse...

Cara Margarida: estamos a falar de embaixadores (e essa visão é de uma caricatura de benesses que me faz água na boca...) ou da generalidade dos diplomatas? Não tome a nuvem por Juno.

Anónimo disse...

Aqui está o típico problema português…
Pretendia-se falar das corporações na sociedade e da nefasta consequência dos seus lóbis particulares face ao interesse geral, mas logo se salta para outro assunto deveras “preocupante”:

“Como conseguir que um embaixador faça uma comissão em Freixo de Espada à Cinta”…
Como conheço o que está a acontecer por lá… Freixo bem precisa de uma embaixada, com embaixador e muitos funcionários…caso contrário ficará “a monte”.

Anónimo disse...

Misturar Teerão com Tripoli e Bissau... Já se vê que não costuma acompanhar a cinematografia iraniana...

Anónimo disse...

Permita-me que mesmo fazendo declação de desinteresses, sou Enfermeira logo suspeita neste contexto,embora com o maior respeito pelos bons Médicos principalmente aqueles que conseguem escapar ao mercenarismo e conseguem promover o seu espirito de missão olhando o doente como pessoa e não como cliente que só merece respeito no consultório a partir de 60 € os 15 minutos...

Isabel Seixas