terça-feira, 3 de abril de 2012

"Diplomatas exigem promoções"

É este, hoje, o título de uma "notícia" no diário delas. O leitor, com naturalidade, pensará: a diplomacia está em polvorosa, os embaixadores planeiam greves, vem aí uma contestação forte e quase inédita, numa classe profissional tida por tradicionalmente serena.

Vai-se a ver e o que diz o texto?: "o Sindicato dos Trabalhadores Consulares e das Missões Diplomáticas exigiu ontem que o governo proceda ao descongelamento das promoções nos serviços externos do MNE". Se o jornal tivesse procurado informar-se um pouco mais teria sabido que se trata de um sindicato que agrupa, precisamente, o pessoal que não é diplomático.

Mas que interessa isso, garantida que está a atenção do leitor, ao "jornalista" que fez o corta-e-cola do "take" da agência, encimando-o com um título simplista, "à maneira" a que o mau jornalismo português nos está a habituar?

10 comentários:

Gil disse...

Não creio que haja má fé do "jornalista".
Penso que se trata apena da habitual e contumaz ignorância dos "profissionais" do ramo, aliada à falta de rigor e seriedade com que a generalidade dos plumitivos indígenas exercem o seu mester.

ARPires disse...

Vossa Exª. sabe, melhor do que ninguém, que nome dar a este tipo de jornalismo.
Alguém, em tempos passados, apelidou de jornalismo de sarjeta.
Aqui a palavra jornaleiro aplicava-se na medida certa, só que o raio da palavra tem um outro
significado.
Os jornaleiros têm de carater o que falta a muitos jornalistas!...

Isabel Seixas disse...

Por outro lado dá alguma pena ver o tipo de trabalho a quanto obrigas para captar a atenção dos leitores, não é?!
Ter que acrescentar à notícia a megalomania em qualquer dimensão para despertar e acordar vontades de ler e saber, é quase pungente!...

Anónimo disse...

O Senhor Embaixador, entao a Catarina Furtado, que e embaixadora de boa vontade de nao sei de que, nao e diplomata? Eu, no seu lugar, tinha pena se ela nao fosse sua colega...

a) Feliciano da Mata

Mônica disse...

Sr Embaixador
Aqui no Brasil a gente brinca que papel diz tudo mas que o que vale é a postura.
com amizade e carinho de Monica

José Sousa e Silva disse...

Muito bem observado, como de costume aliás.
Direi apenas que o oposto da sabedoria não é a ignorância mas sim a ilusão do conhecimento (do jornalista, obviamente).

Isabel Seixas disse...

Continuo a adorar a "Mónica"(com todo o respeito, claro) e a sua capacidade afetiva mas eficaz de sintese. Diz tudo ou pelo menos o essencial aos olhos do coração.

Anónimo disse...

Pois é eu não sei mas... que miséria intelectual existe neste país. Terá sido sempre assim ou será isto recente e reflexo de .... sabemos lá o quê. Eu...já quase que não sei mais nada.

Anónimo disse...

Já têm tido. Ainda recentemente foram promovidos 9, com data de 31 de Dezembro de 2011, para um concurso aberto com data de 31 de Dezembro de 2010, isto depois de já ter havido promoções nesse ano, de 2010. O que, aparentemente, contraria o que dispõe o Estatuto Diplomático, que não prevê mais do que um momento para esse tipo de promoções - uma vez por ano.
Por mim, que dentro de pouco mais de um par de anos passarei á disponibilidade (e jubilado, graças ao tal Estatuto Diplomático!), tanto me faz.
Mas, faz-me, apesar de tudo, alguma confusão certas coisas menos claras que ali, para os lados do Rilvas, se vão passando. Há já alguns bons anos a esta parte. Não é só de hoje.
Seja como for. Aquilo que importa é o conteúdo do Post. Que é muito oportuno e, sobretudo, clarificador, pondo em causa o mau jornalismo. Convém lembrar porém que também temos bom jornalismo. Felizmente!
Um boa Páscoa!
Rilvas

EGR disse...

Senhor Embaixador: cada dia que passa são mais os exemplos de ignorancia exibidos pelos profissionais do jornalismo no nosso país,seja qual for o meio de comunicação onde se exprimem.
Mas,infelizmente,são também cada vez mais notórios os indicios de pura manipulação dos leitores,ouvintes ou telespectadores.
Com franqueza debato-me,frequentemente,com este dilema:por um lado tento manter-me ao corrente do que se passa na nossa terra,e no mundo,e por outro apetece-me desligar e dizer simplesmente:estou cansado deles!