domingo, 10 de junho de 2012

Toulouse e o Concorde

Uma história ligada ao Concorde - avião em que, infelizmente, nunca viajei - persegue-me, há anos.

Numa tarde do final do mês de julho de 1969, andava eu pelas ruas de Toulouse e, olhando para o ar, vi passar um Concorde. Até aí, nada de particular: perto de Toulouse ficavam as instalações da Aerospatiale onde se sabia que o avião supersónico estava a ser preparado. O primeiro e bem famoso voo de teste do primeiro protótipo do Concorde havia tido lugar em 2 de março desse ano, também sob os céus de Toulouse, sabendo-se que várias outras viagens experimentais tiveram lugar, a partir daí. Ao longo dos anos, em conversas, sempre referi a curiosidade de, naquela que fora a minha primeira visita a Toulouse, ter avistado o novo avião supersónico, bem antes ainda da sua entrada ao serviço comercial, que apenas ocorreu em 1976.

Mas a que propósito escrevo hoje isto? Por duas razões.

A primeira é porque temo que a história que me habituei a contar não seja verdadeira. Porquê? Porque, nessa deslocação, eu ia acompanhado de várias pessoas que, casualmente inquiridas mais tarde por mim, não têm a mais leve ideia de terem visto o Concorde, na ocasião. Pior do que isso, todas juram a pés juntos que, na altura, eu não terei feito a mais leve referência a esse facto. Terei sonhado? Como sabemos, há coisas que nos convencemos que ocorreram sem que tal tenha acontecido (Talvez um dia, como tira-teimas comigo mesmo, me disponha a tentar obter um calendário dos voos de teste do Concorde, cruzando-os com as datas dessa viagem. E mesmo assim...).

A segunda razão é mais simples, é de mera oportunidade. É que hoje e amanhã vou estar em Toulouse, primeiro para uma cerimónia na "Mairie" com a comunidade portuguesa e, depois, para um espetáculo por ocasião do lançamento do festival cultural "Rio Loco", que este ano a cidade dedica à Lusofonia. Só tenho uma certeza: não verei o Concorde nos céus de Toulouse, porque o avião deixou de voar desde 2003.

9 comentários:

patricio branco disse...

poucas vezes vi o concorde e a voar apenas uma vez e não foi ilusão mas foi bonito: no céu de londres num entardecer de um verão ou por lá perto nos anos 90. Estava sol e o avião, relativamente baixo, brilhava com a luz, preparava-se para aterrar, certamente, mas via-se nitido na sua bela forma e linhas.
em n y entrei num que se visita, junto a um porta aviões museu. Pequeno, apertado, por dentro não tem a grandeza do exterior. Vi-o anos antes em dakar, mas pousado, talvez em escala para o rio de janeiro. e é tudo.
a visão do avião no ceu de toulouse em 1976 é dificil ser imaginária, as circunstancias é que devem estar mal recordadas, estar ou não acompanhado no momento.
o concorde é com o super constellation um dos 2 aviões comerciais mais belos que se conceberam, falo da linha e desenho. no super constellation viajei uma vez.

Anónimo disse...

O primeiro voo experimental do Concorde 001 foi em março de 1969, justamente. É muito possível que o que viu tenha sido o avião. Mas o primeiro voo supersónico foi apenas em outubro desse ano.

Anónimo disse...

Tem mesmo a certeza de que o não vai ver?...

Anónimo disse...

Pode ter sido o Mirage e não o Concorde. São um 'bocadinho' parecidos.
Vi Mirages em voo no Paquistão nos idos de 70. Dizia o representante da Aerospaciale que não estavam equipados para fins bélicos. Dada a minha gargalhada, nunca soube se eram só para embelezar os céus paquistaneses.
Quanto ao Concorde, além de o ter visitado também nos anos 70, ouvi-o a ultrapassar a barreira do som sobre a cidade da Praia (Cabo Verde). O estrondo foi tal que as tropas saíram dos quarteis em passo estugado e, perante os nossos olhos incrédulos, ex-combatentes na Guiné com quem estávamos atiraram-se para o chão.
xg

Catinga disse...

Não seria o super-homem?

Isabel Seixas disse...

Quer Concorde quer não Concorde, é uma constatação a possibilidade de em maioria ou em minoria alguém se tenha exposto em to lose a memória...

http://www.youtube.com/watch_popup?v=gn1qMYfFrro&feature=related

gherkin disse...

Que pena o que conta, mas, pior, não ter voado no Concorde! Enquanto teve essa experiência de Toulouse, desculpe, estive num, mas não em vôo, quando estava a ser montado na fábrica de Bristol, que, como se deve lembrar, sendo um projeto anglo-francês era lá que se fabricavam as asas desse nobre pássaro voador que tantas vezes vi voar sobre a minha casa, bem como ver, também, de muito perto, num dos meus vôos a partir de Heathrow Boa estadia em Toulouse! Abraço.
Gilberto Ferraz

Portugalredecouvertes disse...

as coisas e as pessoas são em geral muito "gabadas" depois de já não existirem

Anónimo disse...

Ajudei, no que pude a que o filho da minha mais querida prima fosse no último voo. Depois ainda lhe custou mais "uns" euros o transporte de duas cadeiras do bicho desmantelado; que são os assentos que nos disponibiliza na casa dele. É as cadeiras que tem. Curiosidade que nos é mais fácil lembrar sempre que ele nos impinge uma série de fotografias de aviões e aeroportos. O jovem vive na encosta de Santa Cruz, mesmo no alinhamento com a pista do aeroporto de Santa Catarina, na Madeira. Aeroporto bem melhorado; pela teimosia conjunta do Dr. Alberto João e do grande mestre Edgar Cardoso, aonde mesmo assim nunca se poderia apreciar o Concorde!