quarta-feira, 6 de junho de 2012

Sem agenda

Um dia, António Guterres explicou-me que "numa entrevista, a nossa pior frase será sempre o título". Sei isso bem, e, em geral, tenho-me precavido. Só não consigo evitar que títulos que se tornam deliberamente enganosos possam desvirtuar o que digo.

Hoje, leio na net: "Embaixador em Paris: Portugal sem agenda para a política francesa". Ó diabo, dirá qualquer leitor, particularmente aquele que nem chega a ler o texto. Então não temos "agenda"? Isso deve ser uma coisa má! Afinal, o que é que o embaixador anda a fazer por lá, sem "agenda"?

Vai-se ao texto e o que é que eu digo à Lusa: que Portugal não tem uma agenda nacional para projetar na política francesa. O que quer isto dizer? Quer dizer que a defesa dos interesses portugueses em França não passa pela afirmação de quaisquer reivindicações em matéria de execução de políticas que se reflita na ação legislativa das estruturas parlamentares que vão sair das eleições para a Assembleia Nacional, cuja primeira volta tem lugar no próximo domingo. No que eu disse, deixei uma única exceção: o nosso interesses em procurar sensibilizar o governo francês com vista a ver aumentados os lugares de professores de português no ensino oficial, por forma a garantir linhas de continuidade ao tratamento da língua portuguesa nos diversos patamares desse mesmo ensino.

Mas que se há-de fazer! Vender jornais obriga a estes jogos ilusionistas de palavras, a estas "jongleries" circenses para captar as atenções. Vale tudo!

12 comentários:

Isabel Seixas disse...

"Candidatos que têm realmente capacidade para ser eleitos..."In FSC

Espero bem à luz de aferição do povo... Não, é que se fosse,á luz de auditorias de experts na matéria seria mais dificil ou mais fácil ?!...
Bem, Esses últimos são nomeados pelos pares o que também nem sempre é eficaz.

Isabel Seixas disse...

Ah, esqueci-me a imagem é soberba, gostei tanto.

Anónimo disse...

É a luta pela sobrevivência à semelhança da classe politica que, em analogia, dão o dito por não dito.

C.e.C disse...

Honestamente, ainda gostava de compreender a real necessidade de comentadores e analistas. O jornalismo tem vindo a ganhar um ímpeto interpretativo crescente, tirando toda a lógica da função dos, anteriormente, referidos.

Sr. Embaixador, do mal o menor. Ao menos nesse caso passaram na integra as suas palavras e tiveram o gesto de fornecer o vídeo original. Coisa rara...

Anónimo disse...

Isto não tem nada com "prender" a atenção dos leitores. Do terceiro parágrafo qualquer "ideia forte" daria um título, que captava a atenão dos jovens e dos pais... Não fosse este o "Leitmotif" do nosso presente! O que há é a falta de investigação e a leitura por parte dos jornalistas, de atitudes tomadas no passado por diplomatas portugueses, num tempo em que não promoviam trabalhadores tão bem qualificados e dominando línguas estrangeiras como hoje. Continue com a sua costumada paciência e fazendo uma introdução pedagógica de cada vez que está com os jornalistas, pois muitos deixaram de ter "veteranos" nas redacções, e passaram apenas a ver o computador, de onde sai muita coisa, mas com quem ainda não se tira nada, como de uma boa, discutida e bem informada conversa! Bem gostava de ver o nosso país um dia representado por si, como Senador e interlocutor entre os países para onde de novo temos "fluxos de emigrantes"; não desembarcando como na descrição de Ferreira de Castro... mas precisando sempre de quem os defenda nas instituições locais - principalmente como na França do momento da mudança política e de caras novas - para promoverem as medidas que se predendem além de aprovadas, bem implementadas.

Anónimo disse...

Sr.Embaixador.

Não se trata de jornalistas, bons ou maus, mas tão sómente para levar a carta ao sr. Embaixador, cujo emissor está bem de vêr.
Não respeitam ninguem.

Adega do Lagarto

jmc disse...

Malabaristas...

EGR disse...

Senhor Embaixador: ainda há pouco neste espaço houve referencias a falta de seriedade intelectual tão frequente nos "media" nacionais.
O que hoje nos conta é,infelizmente.mais um exemplo.
De facto vale tudo senhor Embaixador!

Isabel Seixas disse...

Permita-me sr. Embaixador

Há metáforas instrumentais que são transversais à construção de teorias explicarivas em quase todos os dominios de gestão...

Esta é fabulosa...

Vejo

Estudantes/Alunos
Desempregados

Mães
Professores

Donas de casa a planear uma refeição criativa com os mesmos ingredientes nos 365 dias...

Embaixatrizes a assegurar a operacionalização e sucesso dos planos dos embaixadores...

Doentes em salas de espera...

Politicos( Ministros,Secretários de Estado,Deputados, Presidentes, vereadores, and so on)
Sindicatos
Ordens
Administradores
Auditores
Supervisores
Chefias intermédias
Todos os empreiteiros...
Feirantes
Marroquinos
Videntes
Noras
Sogras
Mulheres no dia a dia(Eu incluida)

Pronto, seria mais fácil subscrever para não plagiar o ocomentador jmc, mas convenhamos que não seria a mesma coisa.

Isabel Seixas disse...

De qualquer forma Sr. Embaixador a imagem é uma visão Cartesiana a cabeça separada do corpo...

Na...?!! O corpo com movimento autónomo sem a ajuda da cabeça?

Acho melhor arranjar um pescoço...

Isabel Seixas disse...

Não está mal a bolinha como maçã de adão e elo de ligação...

Anónimo disse...

Isabel Seixas, eu vejo, na bolinha de cima, um microfone. Estarei a ver demais?