quarta-feira, 27 de junho de 2012

Júlio Montalvão Machado

Júlio Montalvão Machado, de cuja morte me avisaram há pouco, era um homem amável e sereno, sempre com um sorriso de pessoa com quem a vida estava bem. O seu compromisso com a liberdade tornou-o um perseguido durante o Estado Novo, período em que foi impedido de exercer, como médico, quaisquer funções públicas. Conhecemo-nos em 1969, nas lutas oposicionistas contra o Estado Novo, na campanha para as "eleições" para a Assembleia Nacional. Recordo-me bem de me ter dito, quando lhe fui apresentado: "Tenho grande gosto em conhecê-lo. O seu avô foi um dos maiores amigos do meu pai". Curiosamente, nessa campanha, acabámos por ter algumas divergências doutrinárias, por diferentes perspetivas sobre a questão colonial. Onde isso tudo vai... 

Depois do 25 de abril, cruzámo-nos muitas vezes e sempre pude apreciar nele o homem de diálogo e o espírito culto que o transformava numa das grandes e respeitadas figuras de Chaves e em todo o distrito de Vila Real - cidade onde, aliás, tal como eu, nascera.

Há algum tempo, os amigos comuns António Ramos e Alexandre Chaves organizaram com ele um agradável jantar no Forte de S. Francisco, onde trocámos histórias, nesse jeito tão transmontano de perder as horas da noite, ganhando-as na conversa amena. Foi a última vez que conversámos. E é com muita pena que agora o vejo desaparecer. 

6 comentários:

Isabel Seixas disse...

Chaves
Entre duas montanhas
Passa um rio

E a seu lado
Sobre colinas

Nasceu um dia
Uma terra simples

Qu’entre glórias e desencantos
Fez um destino se guia

Que encanto ou quimera
Se esconde neste lugar
E se apodera do sonho
De cada um de nós?

Feitiço ou engano
Entre cada pedra ou canto
Ela nos extasia
E faz razão dessa magia.

Júlio Montalvão Machado, Médico oftalmologista, Escritor
In Chaves Musa Inspiradora


Identifico-me na integra com o Seu Post de homenagem ao Doutor Júlio Montalvão.

Alcipe disse...

O meu primeiro oftalmologista. E falava comigo de arte e de literatura.

Chaves, 1966

Francisco Seixas da Costa disse...

Caro Alcipe: e vê Vossência muito bem!

Isabel Seixas disse...

Friday, July 1, 2011

Os anos 60 em Chaves

Livro a livro, dia a dia, verso a verso
se teceu de mais noite o que antes fora dia.
Mas antes de morrer olha o que foi disperso
de tudo o que amaste e que a ti te fazia.

Olha os dias de inverno quando eras tão novo
que nem frio nem morte se lembravam de ti.
As montanhas à roda e um grito de novo
a nascer do olhar e do amor que não vi.

O peso da memória? Não, antes leveza
de uma cidade viva só nesta glória
que chamo quem conheça a cantar na certeza
que vivemos os anos por detrás da História.
In Alcipe Tim Tim no tibete
Luis Filipe castro Mendes
16 de Julho de 2011,chaves.blogs

Anónimo disse...

Infelizmente temos perdido muitos dos nossos conterrâneos e familiares transmontanos. lamento também a morte recente da sua tia, assim como a da minha mãe (Célia Seixas)falecida em Fevereiro, seguida do irmão Luís Filipe,em Julho.Eu apresento-me como neta mais velha do seu primo Filipe da Pala,(Bornes).
Com os meus respeitosos cumprimentos,
Manuela.

Anónimo disse...

Infelizmente, estamos a perder os nossos familiares e conterrâneos transmontanos que nos deixam saudade.sei que perdeu a sua tia,pouco depois de eu ter perdido a minha mãe,(Fevereiro)que era prima da sua(Célia Seixas),seguida de um dos seus irmãos,Luis Filipe Seixas.
A nossa vida é uma "passagem"...
Eu apresento-me como neta mais velha do seu primo Filipe da Pala(Bornes), Com os meus respeitosos cumprimentos:Manuela Moutinho