quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Rui Rio


Raramente um líder chega à chefia de um grande partido, em Portugal, nas condições difíceis como aquelas que Rui Rio agora vai enfrentar. 

Desde logo, a conjuntura política do país não o favorece. O governo surfa uma onda positiva e, se não se envolver em outras trapalhadas por culpa própria, o presidente da República não parece disposto a ser acusado de levantar muitas mais ondas. O espaço para um líder da oposição, ainda por cima ausente da visibilidade da bancada parlamentar, é, assim, muito estreito, tendo ainda de contar com um CDS que tudo fará para potenciar nacionalmente o seu fogacho autárquico lisboeta.

No plano interno do partido, as coisas não lhe poderiam ser mais adversas. Os órfãos raivosos de Passos Coelho dão sinais de se prepararem para lhe puxar o tapete, à primeira curva, desde logo “exigindo” a vitória nas próximas eleições europeias e legislativas - como se fosse fácil a qualquer líder do PSD vir a ter um sucesso, se o atual contexto económico se vier a prolongar. Praticamente, a única (mas não despicienda) arma de Rio é o o seu poder na constituição das listas de deputados (europeias e legislativas).

Rui Rio vai ter, além disso, um teste essencial de coerência. 

Numa postura de Estado que muito ajudou a formatar a sua imagem pública de rigor e seriedade, Rio nunca foi conduzido aos caminhos da política “politiqueira”, como a que, por exemplo, procurou explorar demagogicamente a tragédia dos incêndios. Por outro lado, foi sempre um defensor de pactos de regime, sobre grandes temáticas de interesse público, não favorecendo o confronto artificial com o outro lado do espetro político. Veremos se, para apaziguar alguma direita “caceteira” que lhe vai atazanar os dias, Rui Rio é tentado a agravar o discurso confrontacional.

Há um ponto importante que António Costa terá de ter em conta: Rio é uma relativa novidade e, numa vida política em que as caras cansam, o fator novidade é algo com que é sempre preciso contar.

Este vai ser um tempo interessante para a política portuguesa. 

7 comentários:

Anónimo disse...

"O governo surfa uma onda positiva e, se não se envolver em outras trapalhadas por culpa própria, o presidente da República não parece disposto a ser acusado de levantar muitas mais ondas"

o famoso tritão da Nazaré!...

Anónimo disse...

"... Praticamente, a única (mas não despicienda) arma de Rio é o o seu poder na constituição das listas de deputados (europeias e legislativas)....".

Na verdade esse é o núcleo de toda a dita actividade política em Portugal.

Por um lado proporciona uma desejada -pelos políticos establecidos- estabilidade bovina, redutora. Por outro concorre-se para a classe política sem mérito, vocação, desejo ou gosto. É apenas um bom tacho.

Convenhamos que ao fim de 40 anos a política em Portugal está inundada por funcionários, amorfos, atentos, constitucionalmente obrigados.
Como em tudo, há honrosas excepções. Mas impotentes por estatuto.

Ps. Virá o dia em que uma maioria de deputados, de todos os quadrantes, dê o seu grito de Ipiranga ?. Como será a seleção de Rui Rio. JS

Anónimo disse...

Rio desaparecerá em 2019. Nada fez de relevante no Porto, quando muito foi um contabilista - Rui Moreira, esse sim, projectou o Porto. E não tem um projecto político. Costa vai esmagá-lo. O PPD/PSD, ou PSD, tem 2 anos para pensar em quem será o líder ganhador em 2023. E não vale a pena apostar em Luís Montenegro. Faz parte de um triste passado. Que quase nos levou à miséria (Passos/Portas(MLAbuquerque/V.Gaspar). Seguramente que alguém menos reaccionário aparecerá para liderar o Partido criado por Sá Carneiro.

dor em baixa disse...

Numa 1.ª fase Rui Rio preocupar-se-á apenas em manter-se à tona e penso que o conseguirá porque não há competidor à vista. Depois o PS obtém a maioria absoluta, dispensa os parceiros da geringonça, e governa como sempre com os resultados de sempre. Será aí que Rui Rio subirá apresentando-se como a alternância de sempre. Ganhará ou não mas o sistema voltará a restabelecer-se.
Com exceção dos tempos de turbulência pós-25 de Abril e dos tempos de torpor pós-troika, o sistema "responsável e civilizado" esteve sempre sólido. Situam-se aí os anos de esbulho, hoje bem visíveis nos negócios da banca, da construção, da perda de bens públicos e do enfraquecimento do setor público da economia.

Anónimo disse...

Tanta especulação sem pensarem nos novos votantes que nem sonham o que isto foi. É especulação pura face ao que se passa de facto no mundo de hoje com repercuções no futuro, [coisa mais dificil de prever neste pequeno e dependenete país.]
Wait and see.

Anónimo disse...

caro "wait and see"

percutir percussão repercussões

eu próprio tenho o hábito de dizer, creio, percuRsão (imagino com um qualquer percurso no inconsciente), e repercuRsão

com intenção de o corrigir, aprendi eu também.

cmpts

Anónimo disse...

@ Anónimo de 16 fev 03:00
Devo estar a precisar de um editor. É o que é.
Obrigado pela correcção.