segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Portugal exilado no Brasil


Tive hoje o privilégio de um almoço a dois com alguém que, durante a ditadura portuguesa, esteve exilado no Brasil. Foi muito interessante poder ouvir o testemunho autorizado de uma pessoa que presenciou alguns dos tempos mais importantes desse exílio brasileiro do anti-salazarismo. 

Desde o golpe de Estado que, em 28 de maio de 1926, pôs fim à Primeira República e implantou a ditadura militar, o Brasil foi porto de acolhimento de muitos exilados, de variadas matizes ideológicas. Desde militantes republicanos a comunistas e anarquistas, os vários “Brasis” (porque os tempos no Brasil também foram mudando) receberam, quase sempre com generosidade, quantos procuravam fugir da repressão da máquina salazarista.

Na conversa de hoje, suscitei do meu interlocutor um testemunho sobre esse momento de rutura “epistemológica” que foi a adoção de uma postura favorável à autodeterminação das colónias portuguesas, por parte de setores oposicionistas portugueses no Brasil.

A Primeira República fora colonialista,  com a entrada na Grande Guerra a ser justificada precisamente para proteger o império. Norton de Matos, que titulou a candidatura presidencial oposicionista em 1949, fora governador-geral de Angola e, até ao fim dos seus dias, foi um colonialista assumido. 

Só nos anos 50, quando o PCP, seguindo o espírito de Bandung e as orientações do Comintern, passou a adotar uma postura anti-colonial é que essa orientação penetrou, a fundo, no debate interno da oposição à ditadura portuguesa. 

Em 1961, com o eclodir da guerra colonial em Angola e a queda da Índia Portuguesa, várias personalidades oposicionistas viriam a assumir uma atitude próxima da do governo português que combatiam, o que induziu fortes tensões. Eu próprio testemunhei, na candidatura oposicionista, em 1969, em Vila Real, a existência de correntes opostas sobre este muito sensível tema, embora com o “ultramarinismo” em crescente perda de força.

O meu interlocutor do almoço de hoje deu-me conta detalhada das clivagens a que a questão colonial levou no seio da oposição portuguesa no Brasil. Ele próprio havia tido com Henrique Galvão, o revolucionário que dissidira e fora preso por Salazar, na luta pela liberdade que este negava ao país, uma discussão forte sobre o tema. Galvão viria a evoluir na questão, mas muitos outras figuras da oposição anti-salazarista no Brasil persistiram nessa postura de recusa do independentismo, algumas até ao 25 de abril.


(Ilustro este texto com uma célebre fotografia de Humberto Delgado e de Henrique Galvão, a bordo do “Santa Maria”)

20 comentários:

Manuel do Edmundo-Filho disse...

Não surpreende a relutância de Henrique Galvão em aceitar a independência das colónias. Ele fora não só Inspector na Administração Colonial, como um profundo conhecedor e historiador de mérito, com vasta obra publicada, das ex-colónias, particularmente de Angola. Quem pensa, quem reflecte e quem genuinamente se preocupa com o destino do país em momentos decisivos é sempre assaltado por sérias dúvidas. Só os que vão atrás da moda,seja ela sociológica ou ideológica, e dos ventos das revoluções é que nunca têm dúvidas. Estes são, na hora, os mais "papistas do que o papa" e causam sempre desvios perniciosos ao espírito originário das revoluções. Aconteceu com a 1ª República, com a implementação da diatura e com a (bem-vinda) Revolução de Abrl.

"Norton de Matos, que titulou a candidatura presidencial oposicionista em 1949, fora governador-geral de Angola e, até ao fim dos seus dias, foi um colonialista assumido".

Por que razão se alguém se refere ao Império onde o Sol nunca se punha, fala (com algum repeito até) sempre em Império Britânico e quando esse mesmo alguém se refere ao Imprério Português ou às suas personagens, ele é: colonialismo para cima, colonialismo para baixo, colonialistas para baixo e para cima e para os lados...? Será porque o último período colonial coincidiu com a ditatura de Salazar? Ou será porque acham que o Imprério Britânico tem o "pedegree" que o Império Português não teve!?

Manuel do Edmundo-Filho disse...

O meu comentário anterior foi com algumas gralhas ortográficas de que peço desculpa.

Joaquim de Freitas disse...

Creio que com a excepção do Imperador do Brasil, Portugal não teve nenhum Imperador, mesmo se teve um Império. A França, a Espanha e o RU tiveram os seus Imperador e Imperatriz. E tiveram impérios. Mas todos estes impérios foram colonialistas, na medida em que, na decorrência da Revolução Industrial, na busca de novos mercados consumidores e de matérias-primas de baixo custo exploraram economicamente grandes territórios africanos, asiáticos e americanos,

Após a Segunda Guerra Mundial, os movimentos nacionalistas e independentistas criados desde o período entre-guerras ganharam força, tanto na África quanto na Ásia.

A luta contra o colonialismo britânico na Índia de Gandhi, com o movimento de resistência passiva não violenta, termina com a independência, em 1947, mas seguida de violentos conflitos étnicos, principalmente em virtude de diferenças religiosas entre hinduístas e muçulmanos.

A França e Portugal não escaparam ao mesmo surto independentista e nacionalista, sobretudo depois da Conferência de Bandung, como escreveu o nosso Embaixador.

Hoje, o único Império visível é o Americano, que “colonizou” a Terra inteira ou …quase !

Imperialismo norte-americano é uma expressão frequentemente utilizada para descrever um histórico de acções e doutrinas da política externa dos Estados Unidos que demonstram uma inequívoca intenção de controlar eventos em todo o mundo, de maneira que favoreça os seus próprios interesses económicos, políticos e estratégicos.

Através da NATO, e das Multinacionais ,a Europa está colonizada pelos EUA, culturalmente, politicamente, economicamente e militarmente.

A Doutrina Monroe, anunciada pelo presidente James Monroe, em 1923, é geralmente resumida na frase “América para os americanos”, expressando a ideia de que todos os territórios do continente possuem direito à independência.

Na prática, a Doutrina Monroe serve para “expulsar” gradualmente Grâ-Bretanha e França, potências ainda com alguma influência nas Américas, colocando no seu lugar os Estados Unidos, que acabam por “apadrinhar” económica e politicamente todos os países da área.

O próximo movimento importante do imperialismo norte-americano é a Doutrina do “Big Stick”, (ou porrete, em português), levada a cabo pelo presidente Theodore Roosevelt, onde os EUA passam a agir através de guerras, golpes de estado ou fomento de revoluções ou ainda mediante influência económica, para aumentar a sua influência no planeta, chegando ao ponto de promover até guerras preventivas, ou seja, ataques a países onde há séria contestação às políticas norte-americanas e seus interesses.


Não conheço melhor definiçao do COLONIALISMO nem do IMPERIALISMO.


Para o momento, estamos à espera do "Twitter" matinal de Donald Trump para saber se dormiu bem , com o codigo nuclear nos braços…

Retornado disse...

Camões, o apologista "dilatador da fé e do império" já é padrinho do anticolonialista-imperialista Manuel Alegre, o que o deixou muit6o feliz.
A Europa já está a sentir no mediterrâneo, em Calais e Melila o efeito das independências inapropriadas dos anos sessenta.
Deve ser sempre bem frisada na história de Portugal, aquele momento único em que ficámos "orgulhosamente sós" contra tudo e contra todos, apenas com os velhos régulos todos ao nosso lado.
Que têm vindo a pagar, em países que se torna impossível viver, preferindo morrer no mediterrâneo.
A Europa não teve vergonha ca cara com o que fez em África com as independências cínicas, só comparável com criminosa escravatura para as américas.

Portugalredecouvertes disse...


Tenho tentado aprender um pouco mais sobre esses tempos, colocando de lado a versão oficial
dos que " nunca têm dúvidas".
Esta questão também me parece pertinente :
"Ou será porque acham que o Império Britânico tem o "pedegree" que o Império Português não teve!?..."

muito obrigada pela publicação do assunto:)

Anónimo disse...

A Edmundo -Filho porque a esquerda portuguesa é sobretudo moralista: ela é que sabe é boazinha e tem razão. Todos os outros são depreciativamente classificados.
João Vieira

Anónimo disse...

Face a este post, seria interssante relatar o que terá a dizer um daqueles portugueses que tiveram de se exilar no Brasil depois de 1975.
Não sei se será interssante ou não o que diz "um porco de um capitalista" mas seria sem dúvida instrutivo.

Manuel do Edmundo-Filho disse...

Voltando, passe a expressão, à carga:

Imperador Britânico só me lembro de um: o Imperador Romano Tibério Cláudio César Britânico que no ano 43 conquistou, precisamente, a Britânia passando a partir dessa altura a usar no nome de Britânico em vez de Germânico que usara até aí. Os monarcas britânicos intitulavam-se Reis do Reino Unido e dos Domínios Britânicos e Imperadores da Índia.

O nosso Embaixador referiu-se ao General Norton de Matos como tendo sido até ao fim da vida um “colonialista assumido”. Ninguém ignora a carga depreciativa que o termo colonialista tem hoje em Portugal. Teria sido mais adequado, em minha opinião, ter-se referido a Norton de Matos como um assumido defensor do Império Colonial ou das Colónias Portuguesas. Não merecia aquele oposicionista maçon a Salazar esta outra denominação, ele que foi na democrática 1ª República ministro da Colónias?

No tempo das colónias (fossem elas portuguesas, francesas ou britânicas) falava-se em colonização, colonos e este domínio, a partir da conferência de Berlim em 1894, estava até regulado pelo Direito Internacional Colonial. Não era uma particularidade bem portuguesa. Era o contexto histórico da época. E as épocas e os seus protagonistas têm de julgados no seu contexto.

O mesmo se passa com os Impérios e os seus imperadores. Como julgar Júlio César ou Alexandre o Grande fora das circunstâncias históricas. Hoje fala-se em imperialismo e imperialistas (e neste capítulo o nosso amigo Joaquim de Freitas é um emérito especialista…) com a mesma carga com que se fala de colonialismo e colonialistas e não no esplendor e na decadência dos Impérios.

Mas quanto deve a nossa civilização aos Impérios? Desde o Antigo Império Egípcio ao grande Império Pérsia, dominado depois pelo Império de Alexandre o Grande, ao Império Romano subjugado sucessivamente pelo Império Árabe e pelo Império Otomano, aos Impérios Coloniais (Britânico, Português, Francês, Espanhol e Holandês)!? Quanto deve!?

Quanto deve a arquitectura e a engenharia actuais e o extraordinário património mundial desde as pirâmides de Gizé, a Acrópole de Atenas, ao Coliseu de Roma, à majestosa arquitectura Árabe aos Impérios e seus Imperadores? Ou desde a fortaleza de Mombaça a S. Salvador da Baía? Ou desde o Canal Suez a Cabora Bassa? Quanto deve o direito e a organização social e política ao direito romano? Quanto?

Mas se se quer falar de imperialismo, também se pode perguntar quanto deve a ciência e a inovação tecnológica, que o mesmo é perguntar quanto deve o nosso conforto actual (pelo menos o meu e o do Joaquim de Freitas…), ao “imperialismo” americano? Quanto?

Joaquim de Freitas disse...

Creio que não agrada ao Senhor Manuel do Edmundo-Filho a minha posição em relação ao imperialismo americano.

Os EUA, ao mesmo tempo que defendem ostensivamente valores democráticos e igualitários, desenvolvem uma política de defesa dos seus interesses através da pressão económica, cultural e, por vezes, militar, directa ou indirecta. Como já escrevi. O colonialismo desapareceu com o domínio político, mas ficou um capitalismo de influências e de proteccionismo, a ideia de fortes e fracos, dentro de todos os campos ideológicos.

Aos países pobres foram concedidos os adornos da soberania, enquanto o capital ocidental retém o controlo dos recursos rentáveis. A esta relação chama-se “neo-colonialismo” e “neo-imperialismo.

O“subdesenvolvimento” é um conjunto de relações sociais que foi imposto à força a esses países. A maior parte dos países não é “subdesenvolvido”, mas sim “sobre-explorado”. A sua riqueza é transferida para a Europa ou para a América do Norte por saque directo, pela expropriação dos recursos naturais, pela imposição de taxas e rendas ruinosas, pelo pagamento de salários miseráveis e pela importação forçada de bens manufacturados a preços elevados. Ao país colonizado é negada a liberdade de comércio e a oportunidade de desenvolver os seus recursos naturais, mercados e capacidade industrial.

Uma nação nominalmente independente está dependente economicamente quando as suas empresas económicas mais importantes são controladas por um país estrangeiro. Conheço algumas em Portugal.

Oficialmente, o seu governo toma as decisões no interesse nacional. Praticamente, contudo, se estrangeiros controlam as maiores concentrações de poder económico, terão certamente uma influência poderosa nas decisões do governo, e este é realmente o caso.

Vive-se o começo de uma época onde são evidentes a expansão e a prosperidade mas, ao mesmo tempo, também a pobreza, a destruição ecológica e a degenerescência cultural que caracterizam a vida quotidiana da maior parte da humanidade, pois o fosso entre países ricos e países pobres aumentou. O neoliberalismo veio agravar ainda mais este problema.

Não, Caro Senhor Manuel do Edmundo-Filho, o meu conforto não depende do “imperialismo” americano. Mas sei que a paz do mundo e o conforto da Humanidade isso sim, depende desse Império que pode o melhor como o pior.

Joaquim de Freitas disse...

O Senhor Manuel do Edmundo-Filho vai procurar longe , na poeira dos séculos e mesmo dos milénios, a origem do imperialismo e do colonialismo.

Quando a civilização cristã europeia emergiu, como civilização distinta, a partir do século VIII, as civilizações chinesa e islâmica eram, nessa época, civilizações superiores, em riqueza, poder militar, territórios, cultura e ciência.

E quando o Ocidente os venceu, não foi pela superioridade das suas ideias, valores ou religião, mas antes pela superioridade em aplicar a violência organizada. Os Ocidentais esquecem, com frequência, este facto; os não-ocidentais, nunca.

O imperialismo precedeu o capitalismo. Os imperadores e conquistadores estavam interessados principalmente no saque e no tributo, no ouro e na glória. O imperialismo capitalista difere das formas mais antigas, porque acumula sistematicamente capital através da exploração organizada do trabalho e da penetração nos mercados ultramarinos. O imperialismo capitalista investe noutros países, transformando e dominando as suas economias, culturas e vidas políticas, integrando as estruturas financeiras e produtivas num sistema internacional de acumulação de capital.

Nos séculos XV e XVI, operou-se na Europa uma revolução técnica: a utilização da arma de fogo! Ela deu aos estados ocidentais um meio de domínio. Imaginemos as nossas caravelas sem os canhões na conquista das praças-fortes do Indico e do Mar da China!

Desde aí, a expansão para procurar riquezas longínquas tornou-se possível. O comércio para assegurar a possessão desses bens cobiçados já não bastava. Era necessário impor a superioridade das armas.
O primeiro “pico” do colonialismo moderno atingiu-se cerca de 1775, quando todo o continente americano e grandes partes da África e da Ásia eram governados da Europa.
A colonização foi, originariamente, na sua essência, o estabelecimento de colonos num país estrangeiro, com uma ligação política ou religiosa mais ou menos forte com a metrópole. É o que poderemos chamar a colonização-migração, uma forma de expansão demográfica.
Se se quiser julgar imparcialmente os impérios, deve reconhecer-se que apresentaram duas faces: uma de domínio, conquista, comando, sobreposição social, sujeição, exploração económica e preponderância dos interesses metropolitanos, apoiando-se no conservadorismo político por receio da evolução dos indígenas.

Mas o império foi também união, suprimindo barreiras e o isolamento entre comunidades humanas; foi também organização, educação, transformação, progresso material, luta contra as doenças e alargamento intelectual. É a primeira destas duas faces que se condena actualmente sob o nome de “colonialismo” ou “imperialismo”.

O imperialismo renasceu no Ocidente com a emergência do estado-nação moderno e com a era das descobertas. A emigração de colonos europeus para a América e para África, conhecida como “colonização”, foi marcada pela mesma atitude de superioridade da parte dos recém-chegados para com as populações nativas. Chegando mesmo ao genocídio dos autóctones. Assim foi o destino dos Ameríndios.

E sejamos honestos: Os grandes impérios modernos foram construídos pelas grandes democracias que tinham proclamado os direitos do homem (i.e., Inglaterra e França). Basta pensar na escravatura e, sobretudo, no transporte dos escravos para outros continentes, especialmente para o americano, para constatar a hipocrisia do Ocidente.

Anónimo disse...

Edmundo gosta de se ouvir. Escreve muito, mas lê pouco. É um ignorante contumaz. Fala do pequeno mundo fechado que alcança. Conclui tudo a partir das sombras dessa caverna que habita. Nem percebe que império e colónias são coisas diferentes, tal como são coisas diferentes o imperialismo e o colonialismo. Na cabeça de Edmundo parecem ser sinónimos, mas nem sempre o que parecem sinónimos são sinónimos. Pior é que após o relambório inicial e ignorante surgem outros relambórios sujeitos ao mote. De péssimo pano alguma vez se fez bom vestido?


Para não ir muito longe. A Nova História da Expansão, dirigida pelo maçon socialista Oliveira Marques e por Joel Serrão, tem/tinha 11 volumes previstos. Dois intitulados "O Império Oriental", três intitulados "O Império Luso-brasileiro", dois intitulados "O Império Africano".

Um livro texto usado pelas universidades portuguesas é o "Império Asiático português. 1500-1700" de Sanjay Subrahmanyam.

Mas não se pense que o historiador indiano só fala de Império por se tratar de coisas anteriores ao XVIII. Recentemente, no final do ano passado, Valentim Alexandre publicou um essencial Portugal, o Império e a Maré Anticolonial (1945-1960).

Diogo Ramada Curto escreveu um artigo publicado em 2012 numa revista brasileira e intitulado "A Historiografia do Império português na década de 1960: formas de institucionalização e projecções".

E mais se podia citar. Também dos jornais.

Manuel do Edmundo-Filho disse...

Joaquim de Freitas:

A sua aversão em relação ao "imperialismo americano" e à civilização ocidental é conhecida, ela escorre tão venenosamente em cada palavra sua como escorria o ódio nazi sobre cada um dos judeus.

O que eu tentei dizer é que a nossa civilização é indissociavel da história dos grandes Impérios (com milhares, como é óbvio, de páginas negras) onde incluí o esplendor do Império Árabe e o Otomano (ambos islâmicos) e muito a eles está a nossa civilização devedora. Mas isso você não percebeu. Não adianta...

Mas, já agora, sabe quais foram os últimos países a abolir a escravatura? Eu digo-lhe: a Arábia Saudita em 1962 e a Mauritânia em 2007. Ambos professam o Islão - religião, aliás, virgem, inocente, angélica, que não tem na sua história, ao contrário do tenebroso e sanguinário cristianismo, nenhuma guerra de ocupação, nenhuma obsessão hegemónica, nenhuma página negra e onde as mulheres (e os homosexuais) têm iguais direitos aos restantes!

Não, não vale a pena vir com a sua conversa da treta que continua haver escravatura e discriminção nos países (ocidentais, claro) onde a mesma já foi abolida à centena de anos... Eu, pelo menos, dispenso-a.

Retornado disse...

Foi de Vila Real e de todos os concelhos de Trás-os-Montes e Alto Douro, de onde provinha o maior número de povoadores das colónias africanas, principalmente Angola e Moçambique.
Por ordem decrescente seguia-se Minho, Beiras, Douro Litoral, Algarve, Madeira e Açores, Alentejo, e por fim Grande Porto, Ribatejo e Grande Lisboa.
Também para Angola e Moçambique foi muita gente de Caboverde, Macau e Goa, Bissau e São Tomé.
Todos, brancos e pretos pensávamos que estava criada a sociedade mais perfeita onde se podia viver em África,
Até que os "ventos estúpidos da história" precipitaram a chamada África negra, em países onde milhões de jovens gerações, jamais terão qualquer hipótese de uma vida humanamente aceitável, nas próximas décadas.
A Europa também está a sofrer algumas dessas consequências nefastas, no mediterrâneo.
Como não há regra sem excepção, tivemos a África do Sul, com os Boeres e Mandela, um pequeno/grande milagre, e alguém que explique essa excepção.

Joaquim de Freitas disse...

Manuel do Edmundo-Filho

O primeiro parágrafo do seu comentário das 11 :03 tem a marca inaceitável da ignorância mais crassa, que além de ser insultante para certos membros da minha família demonstra que não pertencemos ao mesmo mundo. O debate acabou.

Joaquim de Freitas disse...

Ao Anónimo das 10:18:

Ausente de Portugal há 50 anos, não conheço todas essas publicações que me parecem interessantes e que vou procurar adquirir.

A minha vida profissional levou-me a quase todas as antigas colónias, não só Portuguesas como as Britânicas, Holandesas, Espanholas e Francesas.

Cada vez que por lá passava, era uma página de Historia que se abria. E tendo lido muito, acompanhei ao fio dos anos a evolução desses países, tanto mais que foi a partir dos anos 50 e 60 que o movimento se acelerou. . Na verdade, o antigo imperialismo só foi substituído por uma nova variante que é ainda mais destrutiva e, certamente, mais desonesta.

Países inteiros foram destruídos, milhões mortos, e o todo foi realizado sob uma bandeira progressista que clama a sua preocupação pelos direitos humanos e o fortalecimento das liberdades.
Somos submetidos implacavelmente no Ocidente a uma propaganda pro-Imperial . Mas , vemo-lo bem, pouca gente se apercebe disso.

Não é absurdo, que as tropas da NATO estejam nas fronteiras da Rússia, enquanto as tropas russas estão lutando na Síria os mesmos grupos terroristas de Daech/Al Qaeda que matam os cidadãos britânicos, franceses, espanhóis e alemães em casa?

Claro que as ideias da classe dominante tornam-se as ideias dominantes, e transformar a Rússia num demónio é um exemplo clássico. Os europeus ordinários não consideram Putine como uma "ameaça" nas suas actividades diárias, mas consideram os grupos terroristas que a Rússia combate como um perigo. Mas a classe dominante odeia a Rússia porque esta, desde 1917, tem frustrado as suas ambições imperiais.

Ainda bem que existem agora medias alternativos, que contestam a narrativa neoliberal/neoliberal dominante. E fazem perguntas.

Porquê? Por que entramos em guerra no Iraque? Por que há sanções contra Cuba? Por que queremos atacar o Irão, mas somos amigos íntimos dos sauditas? Esta pergunta é forte. Somos atacados porque perguntamos, por quê? Lembro-me do provérbio Africano que, até que os leões tinham os seus próprios historiadores, os contos da caça sempre glorificaram o caçador.

Porquê? Por que existe uma guerra terrível no Iémen, um dos países mais pobres e débeis do mundo. Era uma colónia britânica, mas a independência não a libertou. Quando o povo iemenita se atreveu a livrar-se do seu governo pró-Saudita, os sauditas, com o apoio britânico e americano, começaram a bombardear e impor um bloqueio no Iémen. As condições de cerco e bombardeios levaram a uma terrível epidemia de cólera.

Não importa qual humanista honesto, estaria preocupado com a situação desastrosa no Iémen. Vimos intervenções “liberais" que incentivaram "intervenções humanitárias" noutros lugares. Mas aqui, os BHL não dizem nada. Na Líbia havia petróleo…

Os americanos têm cerca de 800 bases militares ao redor do mundo, espalhados em cerca de 70 países e territórios. No mapa-mundo, um país com uma base americana é uma colónia de facto ou um estado vassalo. É quase medieval: devemos prestar vassalagem ao soberano América.
Os ataques, intervenções e campanhas de desestabilização lideradas pelos Estados Unidos contra os Estados soberanos nos últimos 20 anos fazem parte da mesma guerra, uma guerra pela dominação mundial.

Manuel do Edmundo-Filho disse...

Joaquim de Freitas:

Sim, o debate acabou. Remato-o com um pensamento de Winston Churchill. "Toda a história do mundo se pode resumir desta forma: quando as nações são fortes, nem sempre são justas, e quando elas são justas já deixaram de ser fortes".

Anónimo disse...

@ De Freitas.
O seu anti-americanismo vai ao ponto de se poder pensar que é patológico.
Ainda está no tempo da Cortina de Ferro. Ainda não conseguiu fazer o luto do final dela, o que deve ser muito mau para a sua saúde.

Joaquim de Freitas disse...

Anónimo disse...
@ De Freitas.
O seu anti-americanismo vai ao ponto de se poder pensar que é patológico.
Ainda está no tempo da Cortina de Ferro. Ainda não conseguiu fazer o luto do final dela, o que deve ser muito mau para a sua saúde.
10 de fevereiro de 2018 às 16:57

Há certos argumentos que me fazem sorrir…de compaixão!

O seu, Caro Anónimo, é um deles ! E se a patologia doentia estivesse antes do seu lado, que “ainda” vai buscar a Cortina de Ferro, desaparecida em 1989, que se transformou desde então na Cortina Nuclear da NATO, isto é dos USA, não em Berlim mas às portas mesmo da Rússia? Pensou nisso?

Não sei se lê livros. Permita que lhe proponha um, escrito por um Americano, e não qualquer americano, e cuja tradução em Francês acaba de sair:

O livro , "KILLING HOPE - U.S. Military and CIA Interventions Since World War II" de William Blum , antigo alto funcionário do Departamento de Estado, cargo que abandonou devido à sua oposição à guerra do Vietmame e fundador da Washington Free Press .

“Possuímos cerca de 60 das riquezas mundiais, mas somente 6,3% da população mundial. O nosso objectivo no futuro é de manter esta situação de disparidade”.

Estas palavras são de George KENNAN, responsável da planificação do Departamento de Estado.”

Este livro, muito documentado relata mais de cinco dezenas de intervenções americanas de 1945 até hoje, sob a máscara de guerra-fria e anti comunismo, e que começaram a forjar o seu império desde há décadas.

Quando me tratam de anti americanismo – e é frequente – penso sempre em Gore Vidal que foi o mais americano dos Americanos que li . Amava o seu país, a grandeza dos Pais Fundadores. E escreveu:

“…esta audaciosa e presunçosa invenção do iluminismo que eram os Estados Unidos, uma região selvagem destinada a sonhar para ser uma nova Atenas, enquanto que na realidade se tratava duma Roma recriada com obstinação e imperícia”.

Sobretudo quando o período do pós-guerra, longe de ser frio, fez milhões de vítimas, especialmente nos Estados que tiveram a vontade de libertar-se politicamente e economicamente de Washington. Ao longo deste período, apoiaram muitas ditaduras, esmagaram governos democraticamente eleitos e movimentos de libertação, em nome da democracia e da luta contra a conspiração comunista internacional. Em particular, apressaram-se a liquidar qualquer movimento ou governo que tivesse afectado negativamente os interesses económicos das empresas americanas. Assim, a expressão da democracia "ao molho" Washington, é exercida por massacres de massa, esquadrões da morte, tortura, golpes militares e corrupção generalizada.

Infelizmente, os media desprezam tanto as pessoas que as crêem ainda mais estúpidas que eles mesmos. E servem-lhes a “leitura” que lhes convém, como as histórias da Cortina de Ferro…

Anónimo disse...

@ De Freitas.

Fiquei a saber das maldades dos americanos desde 1945 até hoje.
Espanta-me que nunca tenha feito a mesma coisa para a parte russa.
Seja mesmo na Ríussia ou nos países que eles tomaram em 1945 até 1989. Fala em tantas mortes provocadas pelos USA e nunca das provocadas pela URSS enquanto ocupou uma boa parte de países europeus de Leste e até pelas condições que impôs a esses países para serem protegidos por ela.
Saber-se ler já não é tão essencial como há 60 anos. Agora é mais importante a ileteracia das pessoas que sabem ler. Ou seja precisam de poder encontrar referências para digerir o que leram para perceberem quando é propaganda ou não
Ele é o prgresso, sr. De Freitas.

Anónimo disse...

@Sr. De Freitas.

só mais um comentário:
"Há certos argumentos que me fazem sorrir…de compaixão!"

A compaixão......palavra que estava irradicada da língua francesa por ter ligações com caridade e outras semelhantes, está outra vez na moda, em França, porque ao longo deste tempo, os filósofos franceses não conseguiram arranjar outra.

Ele é a moda, importante para a economia francesa.

Mas fique descansado pois eu leio pouco mas não sofro de ileteracia. Pelo menos assim me foi denonstrado na Sorbonne.