segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Marcello Mathias


Leiam, sem preconceitos, esta excelente entrevista do meu colega embaixador Marcello Duarte Mathias, dada a essa ótima jornalista que é Isabel Lucas.

(Aqui, no meio do Atlântico, só hoje dei pela publicação deste texto, no "Público")

Escrevi "sem preconceitos" porque sei que alguns poderão discordar de algumas das posições deste magnífico escritor e brilhante intelectual. Mas o leitor só ganha em ultrapassar essa limitação.

Marcello Mathias é, na minha opinião, uma das pessoas que atualmente melhor escreve em língua portuguesa. Pensa o país ao seu modo muito pessoal, assume-se como um impenitente pessimista, talvez porque lhe fugiu do futuro sonhado um certo Portugal em que investiu emocionalmente a sua vida, desacreditando hoje também desta Europa que por aí anda. Ambos comungamos de uma certa visão de serviço ao país, bem como da preservação do interesse nacional. É talvez por isso que nos damos bem.

Bela entrevista, caro Marcello!

34 comentários:

Anónimo disse...

Completamente de acordo: bela entrevista e belíssimo livro: Memória dos outros II Caminhos e Destinos
João Vieira

Anónimo disse...

Grande entrevista de um Embaixador, lúcido, inteligente, culto, patriota, que sabe que todas as vidas são falhadas, como ele próprio afirma, mas que os países e instituições se sustentam e fortalecem, buscando a perenidade acima dos homens, quando os homens que os/as lideram têm justamente consciência disso.
E porque os atos/decisões destes homens não obedecem à voragem do transitório, são também os seus nomes que ficarão na história, quando as suas vidas falhadas se cumprirem.
As vidas são todas falhadas, mas há umas mais falhadas do que outras.

Helena Sacadura Cabral disse...

Meu caro Francisco
É de facto uma excelente entrevista. E o seu post só prova que aquilo que une as pessoas é muito mais importante do que aquilo que as separa.
Estou à vontade: estimo os dois e aprecio muito ambos.

Anónimo disse...

Marcello Mathias é um dos mais perspicazes e acutilantes observadores da natureza humana que conheci. E tem um invulgar sentido de humor. Tudo isso é raro.

JPGarcia

Anónimo disse...

Faz-me impressão que tamanha personalidade diga que "adaptou ao português" (em vez de "adaptei-me ao português") e que, várias vezes, apareça escrito "emigração" (com "e"), quando se refere à vinda de estrangeiros para a Europa. Terá sido a "ótima" jornalista?

Anónimo disse...

Excelente entrevista.
Fernando Neves

Anónimo disse...

Oh sim , muito agradecido pela referencia ao pubico o jornal do pinto embalsemado.
A Isabel Lucas a atriz Australiana continua a roubar suspiros

Joaquim de Freitas disse...

A jornalista podia e devia ter mais cuidado com a ortografia duma tão excelente entrevista. Escrever ‘sans” lá onde escreveu “sens”, por exemplo. E há outras, mas o que disse o embaixador é mais interessante, que as “gralhas”, porque pode-se discordar de algumas ideias-chave!

Quando diz que “Há um complexo masoquista na Europa depois da guerra", que diabo a Europa não foi por acaso colonialista e não continua a ser neo colonialista? Não criou o nazismo?
Diz ainda: “Nunca se falou tanto de nazismo como agora. Foi há 70 anos.» Mas os relentos do nazismo não se sentem hoje por toda a parte na Europa, e mesmo em Charloteville- USA ?

Quanto à morte da Europa que, diz, seria devida” à imigração” dos povos, podia acrescentar que foi a Europa e os EUA que os desalojaram com as suas guerras, do Afeganistão à Líbia e lhes indicaram o caminho da Europa, os antigos colonizadores.

Joaquim de Freitas disse...

Mas a causa verdadeira está algures. Tomemos o caso da Alemanha, apresentada como a primeira potência económica.

O índice de fecundidade desabou de 2,3 em 1960, para 1,2 e 0,9 no leste, hoje. Suicídio: em 1999, registavam-se 800.000 nascimentos (alienígenas incluídos) para 300.000 abortos. Sem estes abortos, a natalidade alemã seria 35% mais elevada.
Nos anos 60, ninguém imaginava estes dramáticos problemas de despovoação. Nos nossos dias, certos bairros são habitados só por velhos, e tanto as escolas como os infantários desapareceram. Totalmente inconsciente, a geração baby boom, contestatária e super burguesa, consumista, aproveitou bem os Trinta Gloriosos, mas não concebeu filhos; pelo contrário, favoreceu a chegada de massas imigradas. Preparou, assim, terríveis dias., que o embaixador constata hoje.

Em Dortmunde (600.000 habitantes), apenas 5.000 crianças alemãs nasceram em 2002. A perda de um quinto da população, só compensada por imigrantes, fará com que em 2010 esta cidade só seja 60% alemã e, ainda assim, povoada por autóctones idosos. Os jovens de Dortmunde serão 70% turcos, africanos, asiáticos, etc. Francoforte e Estugarda já não serão maioritariamente alemãs antes de 2030. Em 2012, os estrangeiros da faixa de 20 – 40 anos representarão 46% da população de Duisburgo, sem falar dos menores de 20 anos. Em Berlim, a proporção de estrangeiros de menos de 20 anos será de 52% em 2013. No final do século XXI, os alemães de linhagem cairão de 75 milhões para 22 milhões. Nestas condições, a Alemanha tornar-se-á, evidentemente, um país do terceiro mundo.

A identidade cultural, religiosa e linguística alemã, será totalmente reduzida no decurso deste século. Tal “desaparição programada” da Alemanha é superiormente ignorada pelos políticos e prelados, que se comportam como sonâmbulos loucos. Para evitar a despopulação e o caos económico, a ONU preconiza 500.000 imigrantes por ano! O que é aprovado pelo obcecado Frankfurter Allgemeine Zeitung.

A integração e a assimilação são falhanços rotundos. Como em França, que o embaixador conhece bem. Só se podem integrar minorias, multidões não. Aos nossos olhos, o povo alemão desaparece; há substituição de povo.

Basta ir às grandes cidades. 75% dos turcos (naturalizados ou não, da 1ª à 3ª geração) não consideram a Alemanha como “pátria económica”, sentem-se sempre turcos e muçulmanos e só vêem TV turca. Em 800.000 nascimentos anuais, não são recenseados senão 278.000 nascimentos de crianças cristãs (números de 1998). Aterradora proporção de 35%.

A Alemanha contará 14,2 milhões de estrangeiros em 2030, sem mencionar os naturalizados e os bi-nacionais. Mesmo que a imigração fosse parada hoje – e na ausência de expulsões – o islão, devido à sua maior fecundidade, será maioritário nessa data. Como na França, Bélgica, etc.

Nos EUA jà é o terror perante o destino inelutável da raça branca que morre demograficamente todos os dias.

Charlotesville com os seus desfiles de adeptos do KKK e suásticas é a expressão do terror dos brancos, 200 milhões, ou seja 65% do total, perante os 52 milhões de Hispânicos, os 44 milhões de Negros e os 20 milhões de Asiáticos. Ora actualmente, o número de bebés brancos é ultrapassado pelos
bebés destas minorias.

Na realidade, a raça branca “fout le camp”…

Anónimo disse...

O que temos aqui é o perfeito exemplo de que o que conta não é o que se diz mas quem o diz.

Repara-se no comentário do Freitas: na boca de um tipo de direita valia, no mínimo, acusação de neo-nazismo.

Repare-se no que diz o embaixador: na boca de um político de direita valia, no mínimo, indignação geral por motivos de xenofobia e racismo.

Mas a gente sabe como estas coisas são...

Vamos aguardar para que alguma personalidade de esquerda se lembre de chamar a atenção para o problema dos ciganos em Loures. Talvez depois das eleições...

Anónimo disse...

excelente, magnífico, brilhante, mais meia dúzia de panegíricos nos comentários. Caramba, dir-se-ia que estamos perante um Montaigne português. Eu li a entrevista, reli-a, e não encontrei nada de tão extraordinário e original. É uma conversa de café, amáveis recordações da infância, uma pose blasé de grand seigneur agora em repouso de uma vida agitada, com algumas considerações sobre politica internacional e o estado da Europa, que, certas ou erradas, já vi expressas milhares de vezes, mais ou menos da mesma forma. Já agora, é Batalha Reis e não "Batalha Ramos", no que admito tenha sido falha do redactor.

Anónimo disse...

@Anónimo 5 de setembro de 2017 às 10:46

O que conta é o que se diz, como é dito e por quem é dito.

O Freitas há muito que nos habituou com os seus comentarios carregados de conhecimento , sensatos e realistas. Ora o que fez aqui neste foi apenas constatar a realidade sem nenhum tipo de exaltação. Esta realidade esta bem a vista, so nao a ve quem tem vistas curtas e vai dar problemas grandes.

Ja agora ... o que chama de direita? psd e cds ? Isso é centrao que se muda ao sabor das conveniencias com populismo barato, mentira descarada e aproveitamento de situacoes como foi a dos incendios.

Anónimo disse...

Lendo apenas os textos, tem razão o anónimo das 10:46... Interrogo-me se será, apenas por acaso, que ambos (embaixador e comentador) não objectivam soluções...
O problema da imigração carece de urgente análise, longe dos sensacionalismos, da costumeira divisão esquerda/direita e mediante alguns princípios/valores definidos à partida...
Concluir que "nestas condições, a Alemanha tornar-se-à, evidentemente, um país do terceiro mundo" não ajuda muito... (um país desenvolvido torna-se do terceiro mundo porque a sua população é maioritariamente negra ou asiática?) tal como não ajuda a ideia subjacente de pôr as mulheres brancas a parir o máximo de filhos... (a procriação está acima dos valores das pessoas?).

Joaquim de Freitas disse...

O anónimo das 10:46 não sabe ler o que escrevo. Para ele, sou quase nazi…porque aponto evidências… como outros apontaram antes de mim. Que importa, saiba que para mim, o futuro da humanidade avança ou recua a cada momento histórico, e que a humanidade pode regressar a Neandertal, ou progredir.

O êxodo dos migrantes é um drama internacional (já vimos quem são os culpados, que talvez lhe desagrade!), e ninguém, até agora, encontrou a solução quanto mais não seja, para o parar. E se ninguém encontrou a solução é que o problema está ligado a um certo número de politicas das grandes potências. E acima de tudo, a mundialização, que alguns consideram como o “fim da Historia”! .Parece que não existem politicas alternativas, como disseram Thatcher e Reagan.

Acima de tudo não fazer nenhuma avaliação real destas políticas. Não ver o real link que pode ser feito entre esta liberalização e os mecanismos do desemprego em massa, levando à aceitação da precariedade e da pobreza, em nome do 'mal menor', em que fermenta o extremismo religioso, que leva para o terrorismo.
Continuar a considerar que os mendigos estão na rua, porque não são capazes de fazer os esforços necessários.

Ou então, olhemos no retrovisor para tentar de compreender donde vem o mal. As “queimadelas da História” levaram a construir uma Nova Europa. O embaixador Mathyas indica Jean Monet, como o “instigador”, mas sempre pensei que foi Carlos Magno…Que sonhou duma Europa única, onde os povos se fundiriam… Só que entre os Gauleses e os Germânicos havia um mundo. Na realidade, a ideia da ” Europa Unida” surgiu para impedir outras guerras na Europa. E à passagem, construir o “Grande Mercado”, com o qual o Capital Internacional sonhava.

Mas os germes da divisão, sempre presentes; os interesses opostos das nações, e as ambições hegemónicas adormecidas por um momento e enfim acordadas, puseram a Europa em pantanas, como escreve o Embaixador… O Brexit é a expressão mais manifesta. O eurocepticismo acordou os nacionalismos, o racismo, a xenofobia.

E não podemos olhar para o retrovisor da História sem questionar o problema das relações económicas e sociais dominantes no mundo.
Desde a implosão da URSS, o sistema que domina o mundo é o “capitalismo de mercado”. Não se trata de ideologia mas de um facto.
E como na origem das guerras, desde a aurora da Humanidade, se encontrou sempre o sistema económico, os estragos colaterais das guerras foram sempre imensos.

O problema dos migrantes é um estrago colateral das guerras bushistas. Como o Embaixador notou. Mas o êxodo destes povos traz alguns benefícios ao mercado…sôfrego de mão-de-obra barata. Sobretudo na Alemanha, que, como se viu, sofre duma demografia negativa. Resta que a factura risca de ser paga mais tarde com um desequilíbrio demográfico, social, religioso e cultural.

Anónimo disse...

Ainda não estava inventado o motor de combustão quando um cientísta inglês fez um estudo sobre a evolução exponêncial da existência de carruagens em Londres nos príncipios do século XX.
As suas conclusões científicamente comprovadas mostravam que o aumento do número de carruagens não originaria engarrafamentos de maior.
O que produziria era no entanto peor porque seria uma enorme quantidade de dejectos dos animais que faziam andar as carruagens e que os passantes nas ruas tinham de suportar. Um problema de higiene.
O que aconteceu para evitar isto foi o motor de combustão e o automóvel.
O ser humano tem desde sempre um enorme poder de se adaptar às novas condições de vivência por isso não nos precupemos com um futuro incerto mesmo que saibamos que não mais será como no passado próximo.

Anónimo disse...

@ anónimo de 5 de Setembro 10.46

Isso é o que se chama uma "uma pedrada no charco", mas concordo. Uma pessoa pode pensar mas também tem de saber onde escreve.

Francisco Seixas da Costa disse...

Ao Anónimo das 12.36 aconselho a leitura da obra de Marcello Mathias

Anónimo disse...

O Freitas não sabe ler o que os outros escrevem. O que escreveram aqui é que as mesmas coisas ditas por pessoas diferentes são aceites de forma diferente. Ninguém lhe chamou neonazi. Foi exatamente o contrário: se fosse dito por um tipo de direita, este (o tipo de direita), era considerado neonazi. Como é um "humanista" esquerdoide com obsessão pelos EUA, a coisa já passa.

Joaquim de Freitas disse...

O que é concreto, fundamentado, no qual se crê, pode ser escrito por um "esquerdoide" humanista como por um reaccionário direitista. A sua essência não muda. Sujeito evidentemente à crítica de cada um.

Se digo que o animismo tinha dado uma alma à coisa, e a industrialização transformou a alma do homem numa coisa, pode se concordar ou não, mas pode ser dito por não importa quem.

Se os problemas que são focados no meu comentário transformam uma Nação ou mesmo a Europa, são problemas concretos e podem ser ditos ou escritos por não importa quem. Não são problemas de esquerda ou de direita.

A não ser que o alvo seja o autor dos comentários, que teria uma obsessão pelos USA, e não o tema.

Joaquim de Freitas disse...

Não sei se o Senhor Embaixador vai permitir, mas gostaria de explicar ao anónimo das 17 :45, americano filo obcecado, algumas razoes, e há tantas, para detestar a política e os políticos deste país, culpados de centenas de milhares de mortos em guerras incessantes por todo o mundo.

Se, ainda jovem, apreciei o livro de Margareth Mitchell “E tudo o vento levou”, e o filme consequente, de Victor Fleming, magistralmente interpretado por Vivien Leigh e Clark Gable, esteticamente admirável, não esqueci que num fundo de guerra de Secessão, era um modo de vida e “valores” apregoados por um Sul branco, racista e esclavagista que era relatado, um mundo que, pensávamos, seria varrido pelo vento da mudança dum Movimento dos Direitos Cívicos guiado por um pastor ilustre que gritava:- “I have a dream”.

Sabemos o que aconteceu ao pastor, Martin Luther King, e Charlottesville veio mostrar que nada mudou e que na realidade esse mundo não estava totalmente enterrado.
Um vento pestilencial sopra sobre Washington, sobretudo desde o dia em que um certo Donald Trump entrou na Casa Branca.

Na Virgínia (um Estado Confederado!), a violência estalou de novo, com os supremacistas brancos, os neo nazis e os membros do KKK dum lado, e militantes anti racistas do outro, causando a morte duma manifestante anti racista.

Esta tragédia revelou o que sabíamos: - que existe no país “farol da liberdade e da democracia”, uma quantidade de grupos da extrema-direita que semeiam o ódio e a intolerância. E que o seu número aumentou desde o inicio do milenário. E que após a eleição de Trump arrancou ainda mais forte.

Mas na América, com Trump, o discurso adapta-se em permanência. Trump , “twitou” : Devemos unir-nos TODOS e condenar a violência. Mas quando o antigo chefe do KKK lhe responde:- “Não esqueça que são os brancos que vos elegeram”, a marioneta Trump vira e re-twita :- “ Condenei os neo nazis, mas todos não eram neo nazis!”

O Pai de Trump tinha boas relações com o KKK e por isso não podia agir doutra maneira.

Mas o prémio da hipocrisia vai para o senador John McCain, que critica a volte-face de Trump, dizendo que não há equivalência entre os racistas e os Americanos que “combatem o racismo e o sectarismo”.

Mas foi este mesmo McCain que foi ajudar os neo nazis na praça de Maidan, em Kiev, na Ucrânia a cometer assassinatos e a perpetrar um golpe de estado contra um presidente eleito

Obama, redigiu também un “tweet”, para Charlettesville, mas foi sob a presidência Obama que Victoria Nuland, a sua sub-secretária de Estado para a Europa e a Eurásia, distribuía biscoitos aos “gentis” revoltosos nazis , ao mesmo tempo que, numa linguagem digna dum bordel, dizia, pensando nos seus aliados europeus :- “ Fuck the EU”.

Mas sei que os nazis são gente simpática quando escavacam outros países, mas não o seu.

Como os Talibã eram simpáticos enquanto combatiam os soviéticos no Afeganistão. Mas não depois.

Devemos reconhecer que a conivência entre os EUA e os nazis e os fascistas em vários países obedeceu sempre aos objectivos geo estratégicos dos EUA . E isso desde o fim da última guerra…

A única diferença que vejo hoje, é que sob Trump, a América racista desfila e desafia com a cara descoberta.

Matéria para um novo filme com outro título :- E tudo o vento traz”…

Espero que o anónimo atento ao que escrevo, compreendeu o que escrevi.

Anónimo disse...

Joaquim de Freitas, no seu habitual "espetáculo".

Anónimo disse...

Senhor embaixador, obrigado pela sugestão de leitura da obra de Marcelllo Mathyas, mas eu referia-me à entrevista. Admito que ele na entrevista tenha sido comedido na exibição dos seus pensamentos profundos e originais, por discrição natural.

Manuel do Edmundo-Filho disse...

"Por qué no te callas" Joaquim de Freitas?

Joaquim de Freitas disse...

Plagiar um pobre rei declinante, sem imaginação e sem poder, não é nada glorioso para alguém que se preza de ter uma opinião, Manuel do Edmundo-Filho.


.

Joaquim de Freitas disse...

Antes de me calar, Senhor Manuel do Edmundo-Filho, e sabendo que noutros tempos tinha uma opinião sobre o assunto, deixo-lhe esta noticia « fresca » :

"O Presidente Trump deu o seu acordo de princípio para a compra pela Coreia do Sul aos EUA de equipamentos militares e armas de um valor de vários milhares de milhões de dólares", segundo um comunicado da Casa Branca, sem qualquer detalhe sobre a natureza dos contratos ou sobre a sua novidade.
Entre 2010 e 2016, a Coreia do Sul comprou cerca de cinco mil milhões de dólares (4,2 mil milhões de euros) de material militar aos EUA, segundo as estimativas do Instituto Internacional de Investigação sobre a Paz de Estocolmo (SIPRI, na sigla em Inglês).
Todo cidadão do mundo deve preocupar-se desta corrida aos armamentos que não anuncia nada de bom.

Anónimo disse...

@Manuel do Edmundo-Filho

Pois o Freitas faz muito bem em não se calar perante a imbecilidade e a ignorancia.

Ja voce se nao gosta do contraditorio bem sera feliz em morar no pais dos quase sem historia , tao pouca e tao pouco conveniente que agora ate andam entretidos a derrubar estatuas e monumentos do que nao lhes convem. Ah ... e ao contrario do que se diz por ai... la quem nao pia (de piar) em unissono passa mal.

Reaça disse...

Também era excepcional, como diplomata e português o senhor seu pai Marcello.

As cartas entre entre o pai e Salazar deram um livro que todos os portugueses de carreiras diplomáticas deviam ter à mesinha de cabeceira.

Anónimo disse...

Reparem que o assunto tinha a ver com a Europa mas o Freitas conseguiu tornar a coisa num assunto à volta dele e dos... EUA!

Se isto não é doentio...

Joaquim de Freitas disse...

O Anónimo das 13:44 continua a não saber ler os textos … Olhe o que escreveu, e muito bem, o embaixador Mathias, obcecado com Bush !

“Mas política externa depende sempre da política interna, como se vê no caso do Trump.
Como vê essa figura?
É um ignorante, e como ignorante é imprevisível e pode ser nefasto. Está há muito pouco tempo no poder. Até agora não fez a monstruosidade que fez o senhor Bush, invadir e dar cabo do Iraque. Em grande parte o caos que se vive no Médio Oriente ao senhor Bush se deve. O senhor Milosovic, o sérvio, foi julgado e condenado e o senhor Bush está na sua herdade no Texas a pintar. É um imbecil e um ignorante. Muitas pessoas na altura vieram dizer que os iraquianos não tinham nada a ver com os ataques de 11 de Setembro. Parte da Europa foi na onda do senhor Bush, ir a fazer surf. “

Anónimo disse...

@Anónimo 7 de setembro de 2017 às 13:44

Doentia é essa obsessão sua pelo comentador Freitas

Anónimo disse...

@Joaquim de Freitas

Freitas... não me desaponte. Acha mesmo que algum presidente consegue fazer algo contra a agenda ja planeada do estado profundo que manda nos eua (atenção ao promenor, eu nao disse dos eua)??? Trump ate que poderia ir com intensão de mudar alguma coisa mas logo o condicionaram e puseram na linha e quem nao se poe na linha tem o destino dA MALDIÇÃO dos Kennedy.

Uma pequena correcção :) O Tribunal Internacional de Haia reconheceu tardiamente a inocência de Milosevic, sim o homem foi considerado inocente pelo TPI apos a sua morte enquanto estava aos cuidados desta instituicao era responsavel por ele.

Ja agora ouviu alguma coisa acerca de Yves Chandelon?
Era apenas um alto funcionário da NATO responsável pelas questões financeiras ligadas ao terrorismo, Yves Chandelon supervisionava as contas da organização cujo ‘buraco negro’ é de 250 mil milhões de euros. Foi encontrado sem vida com uma pistola na mão, suicidou-se ou foi suicidado.
Se procurar na net encontrara muita coisa foi em Dezembro de 2016

Lembra-se de David Christopher Kelly ?
Era funcionário do ministério da defesa britânico e especialista em guerra biológica.
Foi inspetor da ONU no Iraque, onde esteve 37 vezes. Foi encontrado morto perto de seu domicílio.

David Kelly é considerado o principal informante de Andrew Gilligan, jornalista da BBC, sobre a investigação a respeito da falsificação pelo governo britânico de Tony Blair de um relatório de setembro de 2002 sobre armas de destruição em massa iraquianas.

Estes 3 exemplos que arranjei aqui a mao sem pensar muito foram apenas para mostrar que quem mexe com interesses que se movem na sombra paga com a vida e ha muita gente a esconder isso, uns porque estao na cama com os criminosos outros porque querem apenas viver.

E quando leio o nosso querido embaixador a escrever acerca de teorias da constipacao com um cinico tom depreciativo a tudo o que sai da sua vidinha de faustosas refeicoes , vidinha luxuosa, tircazinhas .... mas com elegancia, so penso ... sera que nao sabe nada disto e anda so a tratar da sua vidinha ou sera que sabe mas anda a tratar da sua vidinha na mesma

Joaquim de Freitas disse...

Caro Anónimo das 19:31: -: Claro que Trump é um VRP, ou agente comercial da oligarquia militaro industrial, financeira que gera os EUA, em todos os domínios.

Vai à Arábia Saudita e vem com uma encomenda de milhares de milhões de material de guerra, Vocifera contra a Coreia do Norte e …obtém uma encomenda de milhares de milhões de material de guerra da Coreia do Sul… Apoia no ventre mole dos seus aliados da NATO na Europa e obtém de todos de passar o orçamento da defesa para 2% do PIB.
E tudo isto obtido num ambiente de cultura da guerra que os EUA sabem bem fazer desde sempre no mundo.

No após guerra o “Muro de Berlim ” foi o espantalho, e quando o muro caiu, perdendo o seu inimigo “preferido” a União Soviética, apressaram-se de cercar a Rússia de bases militares por todo o lado, criando a psicose que permite o “negócio” das armas. A política exterior dos EUA é o “plano comercial” da empresa USA.
O circo permanente que é a Presidência de Trump é um espectáculo que conta e enriquece a grande média, mas obscurece as questões fundamentais desta Presidência. É claro que o Trump não sabia grande coisa sobre os fenómenos políticos e económicos, que não tem a envergadura intelectual para compreender o seguro de saúde ou as relações internacionais, e parece mudar de opinião segundo as influências recebidas.

Um homem egocêntrico, temperamental e impulsivo, ele acumula as gafes, as contradições e as demissões de funcionários que ele nomeou.
No entanto, em perpétuo caos podem ser identificadas áreas em que Trump pode dar livre curso às suas preferências reaccionárias, aos seus preconceitos e ao seu desejo de aparecer como o líder indiscutível e os outros, finalmente mais numerosos ou importantes, nos quais está amarrado pelo que os Americanos chamam de Estado de segurança nacional ou o complexo militar industrial e mediático ou até mesmo o Estado profundo.

Quando decide de abandonar o acordo de Paris ‘COP21) é criticado pelos Democratas, mas as cidades e os Estado federados agem contra a sua decisão. Mas Trump agradou aos Irmãos Koch, multimilionários, inimigos da regulamentação ambiental. São Republicanos.

Quando decide de bombardear, entre dois bolos de chocolate e um café, o regime Sírio, a classe politica aplaude e acha-o presidencial.
As declarações incendiárias contra a Coreia do Norte tornam plausível uma nova guerra da Coreia. A mesma classe politica aplaude.
Sobre o Irão não mudou dum jota…Gostaria de rasgar o acordo nuclear assinado por Obama…e a Europa, sob o olho crítico dos neo conservadores amigos de Israel!

Sobre a Rússia, não pode decidir nada, pois que o Congresso votou as sanções. Trump é um boneco.

Joaquim de Freitas disse...

(SUITE)


Com a China, grande cliente de "papel" do Tesouro US, grande fornecedor, dialoga um pouco, sobretudo para pedir a sua ajuda no caso da Coreia…mas como a China não pode tudo, (como bem escreve o nosso Embaixador no post acima), esta linha atiça a desconfiança dos Coreanos do Norte, que jogam com os mísseis para assegurar a sua defesa, e torna mais popular Putine na Rússia, precipitando-a nos braços da China…

Isto é o que acontece quando um povo elege um magnata do imobiliário, irracional, confuso e bobo da corte, que não pode levar a vitórias diplomáticas. Mas que importa se a guerra permanente traz lucros substanciais aos fabricantes de armas?

Este bobo que governa através do Twitter alinhou atrás dele as forças que compõe o Estado profundo, o “partido da guerra”, os serviços secretos, que o espionam e o amarram como deve ser, o complexo militaro industrial, os media dominantes, que, se não estão de acordo com esta personalidade e talvez preferissem alguém mais previsível, o deixam crer que é ele que faz o trabalhinho, que é ele o chefe que ganha, que faz medo ao mundo inteiro que teme o super poder americano e faz subir a bolsa, que permite de vender armas aos “bons” aliados democráticos e tudo, mesmo se são estados feudais, ditaduras que decapitam todas as semanas os seus oponentes.

Os EUA enterram-se assim na militarização “à outrance”e que importa se isso estripa a sociedade americana e favorece a hegemonia chinesa a médio prazo.

A curto prazo, o que conta para o capitalismo americano que destrói o planeta é o caos.

Joaquim de Freitas disse...

Ao Anonimo das 19:31 :

Não conhecia o caso Chanledon, mas conhecia o caso Kelly. E sabemos porque é que o autor de Wikileaks , Julien Assange não regressa a casa…O polvo americano não os larga quando constituem um “aborrecimento” para os altos interesses do Império.

Quanto ao seu comentário sobre o nosso Embaixador e autor deste blogue, que conhece de certeza tudo isto, e mesmo melhor que eu, considero que ele escreve o que quer, num blogue que lhe pertence, e que é um espaço de liberdade. Não creio que um Embaixador, lido “urbi et orbi”, não conserve no seu “mundo interior” um certo número de regras inscritas nas relações internacionais que o impede de escrever tão livremente como nós …Como sabe, uma opinião só é chocante quando ela é uma convicção.

Quanto ao epicurismo, pourquoi pas ? Eu não sei sê-lo mas aprecio também…Vida de prazeres simples, o mínimo de penas … Pourquoi pas ? Também andei pelo mundo e fui obrigado a cultivá-lo, duma certa maneira…E ia-me dando cabo da saúde! E se a reforma me libertou, continuo a praticar…quando vale a pena!