segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Ainda o Chile


Em 1999, como secretário de Estado, fui ao Chile, a convite do respetivo governo.

Visitei em La Moneda Jose Miguel Insulza, que conhecia da sua visita à Expo, no ano anterior. Era ministro do Interior e presidente da República em exercício. Antes, tinha ido colocar um ramo de cravos vermelhos no túmulo de Allende. Voltaria lá, privadamente, com outro ramo, em 2008.

Para o jantar, o nosso embaixador, Rui Félix Alves, havia convidado alguns deputados. Esse era o tempo em que Pinochet, afastado embora do poder formal, garantia uma espécie de "droit de regard" sobre o poder militar, numa situação que ele mantinha "atada y bien atada", para utilizar a clássica expressão do ditador Franco (embora este último se tivesse iludido sobre a situação que acabaria por se passar em Espanha, depois da sua morte).

Era evidente o embaraço com que os chilenos oficiais, de diversas tendências, à mesa, respondiam às questões que eu lhes colocava sobre, afinal, quem-mandava-em-quem naquela democracia tutelada pelo antigo ditador, em "phasing-out" de influência.

Foi um jantar longo, que recordo muito agradável. No final, ao conduzirmos à porta os nossos convidados, um dos deputados, deixou cair no meu ouvido, em voz baixa, pelo corredor: "Mientras ese hijo de puta esté vivo todo va a ser más difícil". Percebi. O "apreciado" general, contudo, duraria até 2006.

11 comentários:

Anónimo disse...

Que bom recordar.
Sim aquela aleivosa de nome margaret thatcher que tanto se deitou na cama com o ditador sul americano pinochet como se deitou na cama com pol pot dos khmers vermelhos

Anónimo disse...

É pena que o "apreciado" Fidel, mesmo morto, continue a ter influência e a canalha que manda em Cuba não saia do poder.

Anónimo disse...

O Chile de Pinochet era uma ditadura esquisita... Todos os dias havia manifestações; todos os dias havia conflitos entre estudantes e polícia; todo o mundo tinha acesso às imagens dos
conflitos... E, ainda por cima, conseguia que o Chile fosse o mais próspero país daquela salganhada que é a américa hispânica.

Estou aqui a puxar pela cabeça e não me lembro de nada disto nas ditaduras da Europa de leste, por exemplo.

Joaquim de Freitas disse...

Anonimo das 13:07

Aparentemente, 3200 mortos ou desaparecidos e 38 000 torturados parece-lhe um bom resultado duma ditadura instaurada após um golpe de Estado fascista, teleguiado dos EUA pela CIA contra um governo socialista eleito democraticamente.

A Associação dos juízes do Chile, que se reuniu com 70% dos juízes no país, pela primeira vez desculpou-se, de não ter protegido as vítimas da ditadura. "Temos de dizer e reconhecê-lo claramente e com força: judicial - e, em particular, o poder supremo do tempo - falhou em seu dever como um garante dos direitos fundamentais e protecção de vítimas contra os abusos do estado".

Sob a ditadura, os tribunais rejeitaram a protecção a 5000 pedidos para pessoas detidas ilegalmente ou para pessoas que tinham medo de serem vítimas de agressões físicas.

Augusto Pinochet, não foi condenado. A Justiça arquivou o processo, em Agosto de 2013, do caso de Riggs, o nome do banco nos Estados Unidos, que sediou algumas contas do ditador, no qual tinha depositado milhões de dólares roubados ao povo chileno.
Os membros da família de Pinochet, beneficiaram também da clemência dos juízes. Eles foram acusados de desvios de milhões de dólares de transacções imobiliárias.

Sim, os resultados económicos para a família Pinochet foram excelentes durante a ditadura fascista;

Aparentemente ainda têm por cá admiradores, que não viram que partir de 1973 as prisões e execuções de militantes das organizações politicas e sindicais, e, sobre o plano económico, a queda brutal do nível de vida, pois que uma das primeiras medidas do seu modelo económico foi libertar os preços e indexar os salários…E o desemprego subiu para 30%...

Paralelamente, autorizou baixas de salários e despedimentos, suprimindo as indemnizações que normalmente os patrões deviam pagar…

Se fosse em Portugal que diria o anónimo ?

Anónimo disse...

O comuna salta sempre das moitas com números e citações mas, por qualquer razão que a própria razão desconhece (fica para ele citar o autor), nunca tem à mão os números das desgraças pintadas a vermelho.

myfavouriteonlinemovie disse...

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Anónimo disse...

Quem quer que defenda ou tente amenizar a Ditadura Fascista de Augusto Pinochet não passa de um canalha. Defender uma Ditadura que derrubou um governo eleito democraticamente e que assassinou o seu legítimo PR, Salvador Allende, a par dos inúmeros crimes cometidos pelo bandido Pinochet, é inqualificável. Assim como foi a atitude dos EUA, um país, pelo menos nesse tempo, politicamente terrorista, pois financiava e apoiava o derrube de governos democráticos na América latina e do Reino Unido, com aquela abjecta criatura, Margareth Thatcher a conceder asilo ao torcionário fascista Pinochet. Fez bem o autor deste Blogue de mencionar este triste acontecimento - o verdadeiro 9/11.
a) António Lima

Anónimo disse...

Anónimo Anónimo 12 de setembro de 2017 às 13:07

Prodigioso o seu comentario

Primeiro começa por tentar sugerir que afinal nao era nenhuma ditadura mas sim
um pais de liberdade de expressao politica maravilhoso em que todos os dias havia manifestacoes para logo
de seguida se espalhar na sua argumentacao quando deixa escapar "todos os dias havia conflitos entre estudantes e polícia".
Como se fosse uma coisa salutar e andassem ali a confratenizar uns com os outros, uns com cartazes outros com cassetetes e gaz lacrimogenia.
Mas o mais engraçado é quando voce diz "todos os dias" e "todo o mundo". Ora bem a ditadura Chilena foi de 1973 a 1990 e voce todos os dias
constatou omnipresente em todo o mundo que essas imagens la chegavam. Bem sei que e a sua modestia que o impede de chegar a tomar o lugar de deus.
Por fim la se descai mais uma vez quando tenta relativizar a ditadura chilena com as da Europa de Leste, refere-se as da lista abaixo ?

Aleksandar Tsankov Bulgaria 1923-1926
Ahmet Bej Zogu Albania 1925–1939
Józef Piłsudski Poland 1926–1935
Antanas Smetona Lithuania 1926–1940
Ferenc Szálasi Hungary 1944–1945
Josef Torboven Norway 1940–1945
Ante Pavelić Croatia 1941–1945
Ion Antonescu Romania 1940–1944
Jozef Tiso Slovakia 1939–1945
Kārlis Ulmanis Latvia 1934–1940
Tsar Boris III Bulgaria 1934-1943
Konstantin Päts Estonia 1933–1940
Alexander I Yugoslavia 1929-1934


Creio que nao, o seu problema ao contrario do que pretende fazer passar nao e a falta de democracia mas sim o sabor da ditadura que se prova, porque ha ditaduras que gosta e outras que nao gosta e ai nada o destingue daqueles que nao gosta pois e tao adorador de ditaduras como eles.

Ja agora... meramente por curiosidade... voce é brasileiro ?

Anónimo disse...

@Anónimo 12 de setembro de 2017 às 20:02

Que interessante o seu comentario. Ja agora ... nao quer ser voce a faze-lo?
Seria interessante por uma vez que fosse voce contribuir com algo mais para alem de insultos e insinuacoes.
Se e para debater venha dai, adoro debater. Se for apenas para mandar uma boca e de seguida ir a correr novamente esconder-se na obscuridade deixe-se estar no seu habitat natural e nao saia.
E que essa dicotomia de nos o ocidente somos os puros os imaculados so fazemos e sempre fizemos o bem e os outros sao piores que o diabo ja nao pega, ou seja ainda pega... mas so com os tolos

Anónimo disse...

Quem quer que defenda ou tente amenizar a Ditadura Comunista de Fidel Castro não passa de um canalha.

Anónimo disse...

Relativamente à questão de Thatcher. O Chile desempenhou um papel na Guerra das Malvinas. Tendo em conta a tensão histórica entre a Argentina e aquele país, a ditadura das pampas sempre teve medo de que o Chile aproveitasse a guerra com o RU para algum tipo de ação militar. Isto levou a que os argentinos se contivessem na aplicação de algumas forças, mantendo a guarda à fronteira com o Chile.