quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Falar à defesa

O ministro da Defesa disse, numa entrevista, uma frase que, tirada do contexto em que foi dita, surge como chocante. Se lermos com cuidado a entrevista, contudo, a frase tem todo o sentido e razoabilidade.

Só que o mundo não é assim. Não tem a racionalidade que o ministro quis imprimir ao seu raciocínio e, além disso, vive hoje numa polarização e num combate político que faz com que haja um "vale tudo" no aproveitamento daquilo que "der jeito".

Perguntar-se-á então: mas se o que o ministro disse afinal estava certo, a culpa é dele ou de quem tresleu o que disse? É de ambos: o ministro deveria ter antecipado o efeito que a sua frase, se isolada, iria ter e quem leu como quis fê-lo por sua conta e risco.

Um dia, António Guterres disse-me uma coisa que, a partir de então, nunca mais esqueci: numa entrevista, a nossa pior frase é sempre o título.

3 comentários:

Anónimo disse...

eu não acho que aqui tenha sido a pior frase. Acredito mesmo na iliteracia dos leitores. Os outros são carneiros que seguem as tendências

Anónimo disse...

« Só que o mundo não é assim. »

Desculpará que lhe diga mas VExa fez-me lembrar os edis que culpam as "alterações climáticas" pelas inundações no edificado nos leitos de cheia das ribeiras. Ou seja, sugere que temos de "aceitar o mundo tal como ele é", em vez de nos insurgirmos e mudar o que é imperativo que mude.

MRocha

Anónimo disse...

Quando Juncker esquece Portugal no discurso da União da que pensar. Como da que pensar quando a Representação da Comissão em Lisboa faz relatórios pouco objectivos, favoráveis ao PSD, ainda no tempo de Passos PM. Algo vai mail no reino da Dinamarca. Margarida Marques vai entretanto cuidando do seu futuro pensando num lugar de chefe de gabinete de Centeno, futuro Ministro UE das Finanças. Ficou mal na foto Zacarias ao reconduzir a polemica chefe de gabinete. Tempos melhores virão!