terça-feira, 30 de maio de 2017

A vontade de Merkel

Não pode deixar de saudar-se a vontade manifestada por Ângela Merkel de dar corpo a uma maior expressão autónoma europeia em matéria de segurança e defesa.

A perspetiva do Brexit, somada às "lessons learned" dos seus traumáticos encontros com Trump, tê-la-ão convertido a uma doutrina em que, no passado, o empenhamento alemão foi sempre muito discutível e, em especial, demasiado limitado na prática para a importância do país.

Vamos agora esperar para ver se, àquelas palavras, vão corresponder atos concretos. 

Desde logo, o urgente reequipamento das forças armadas alemãs, das quais há sinais preocupantes em matéria de estado de prontidão.

Mas, essencialmente, interessará testar este voluntarismo retórico nas futuras ações de estabilização político-militar, tuteladas por mandatos internacionais, em que a Berlim for pedida uma contribuição à altura da importância dos outros interesses que a Europa projeta em seu nome.

Esperemos que Angela Merkel não venha a revelar-se como aquele capelão militar do RI 13, lá de Vila Real, que, um dia, à partida de tropas para a guerra colonial em África, teve esta "infamouse" tirada: "Rapazes! Preparemo-nos para a guerra! Ide!"

8 comentários:

jose reyes disse...

Esse capelão de que fala terá sido o mesmo que a sociedade vila-realense baptizou como o "herói de negaça"?

Portugalredecouvertes disse...


Aprendíamos que a Alemanha estava proibida de ter exércitos,

Anónimo disse...

Clara Ferreira Alves, e círculos católicos em Bruxelas, também Sylvie Goulard querem 'uma Europa da Defesa'. O truísmo,chic, parece uma trouvaille e dá um ar de bem pensância. Mas vá lá se explicar isto aos europeus em tempos de vacas magras e acrescente se os pesados encargos e a factura. Mas isto ė nota de rodapé. A não ser que,como do lado de lá do Atlântico, seja a indústria, a investigação e a ciência a puxar pela alavancagem da defesa, e aliás com retorno.

Luís Lavoura disse...

o urgente reequipamento das forças armadas alemãs

A Alemanha é o terceiro maior exportador mundial de armas (exporta mais que a China!), pelo que, se as suas forças armadas estão mal equipadas, não deve ser por falta de fabrico de equipamento...

Luís Lavoura disse...

O Francisco saúda estas intenções de maior investimento em "defesa", e eu questiono, defesa para quê? Será para bombardear a Líbia, como se fez no passado con retumbante sucesso? Ou será para, no futuro, bombardear a Síria?
Eu digo, se é para fazer merda com as forças armadas, mais vale mantê-las desarmadas.

Anónimo disse...

As reacções de Merckel e de Macron não passam de mera propaganda eleitoral. Não é para levar a sério. Macron tem eleições dentro em breve, a Chanceler em Setembro. Depois de Outubro conversamos, com o pó eleitoral assentar. Não passam, os dois, de uns flibusteiros fingidores. Agora que a UE está entregue a si mesma, é um facto. Resta saber quanto tempo terá de vida.

Anónimo disse...

O problema militar em Portugal mantem-se desde as Invasões Francesas.

Quem nos quiser invadir que o faça porque depois nós tratamos dele com a ajuda de outros por meio de guerrilhas terroristas.

Será preciso perceber-se que as acções militares hoje são feitas não só por exércitos no campo, mas sim também com muita, mas muita tecnologia. A defesa de um território depende principalmente da tecnologia não só para atacar mas para prevenir esse ataque.´
Será preciso ler um pouco sobre polemologia.
Há um trauma importante no regime actual em Prtugal: O receio que um exécito como o de 1926 tome conta do poder. A isto chamo eu anacronismo traumático.
Enfim.... pensem como gente crescida e deixem de ter medo de outro Salazar porque se o correr do tempo criar essa necessidade, será a população a encontrar a solução.

Unknown disse...

`um mistério entender que precisamos de investir num exercito. A Alemanha o país mais rico, mais eficiente, mais respeitado de todos os da UE tem um exercito a "precisar" urgentemente de reforma; afinal o material militar faz falta para quê ou para quem?
Para a Alemanha ser eficiente, rica , respeitada não é. Porque os outros acham que precisam de armas para ser eficentes, ricos, respeitados ? enigma de lero lero ? Ou o drama dos chimpanzés que batem no que sobe a escada para comer a banana, apesar de já nenhum dos actuais chimpanzes alguma vez tenha sido molhado com o jacto gelado ?