quarta-feira, 5 de abril de 2017

Justiça

Não sou jurista, mas acho muito estranho o que se passou com o processo Dias Loureiro/Oliveira Costa.

Não se conseguem provas capazes para formular uma acusação, mas deixa-se no ar a convicção - que se sabe confortavelmente consonante com o sentimento público - de que houve um crime. E a justiça "sangra-se em saúde".

Desta maneira, de facto, é muito fácil "fazer justiça".

10 comentários:

Joaquim de Freitas disse...

Quando o "sistema" não é purgado a doença desenvolve-se de novo e acaba por dominar de novo a sociedade. A Revolução pecou por não ter purgado, e arriscou-se a ser purgada ela mesma pelos seus inimigos. A parte a Liberdade, da qual os seus inimigos beneficiam largamente, pouco se salvou da Revolução. Os Portugueses continuam a ser obrigados de emigrar, as injustiças de toda a espécie continuam. Como a Liberdade existe, temos mesmo a impressão que os descalabros são piores que antes, porque se vêm melhor. Aliás, os prevaricadores, sabendo-se impunes, não se escondem e agem à luz do dia.

Anónimo disse...

Concordo totalmente. Ou acusa ou contem-se.
João Vieira

Retornado disse...

Os lesados dos bancos fazem-me lembrar os espoliados do ultramar, como eu.

Ninguém é responsabilizado nesta terra.

Como foi possível prender o Vale e Azevedo, o Isaltino e o Sócrates?

Deve ter sido para ser a excepção a confirmar a regra.

A regra do salve-se quem poder da revolução abrilista!

Manuel do Edmundo-Filho disse...

Eis o comentário que, a propósito do tema, postei no Observador:

"Isto é o MP no seu melhor: afirma publicamente que tem indícios fortes para acusar (supõe-se que o afirma depois de investigar), constitui arguidos, prende preventivamente, vai injectando metódica e venenosamente na opinião pública, via seus "órgãos centrais de informação" (Correio da Manhã, Sol e, em relação a Sócrates, o Observador), os supostos indícios irrefutáveis com vista a que os arguidos sejam de imediato condenados em praça pública sem julgamento, investiga durante anos e das duas uma: ou consegue reunir provas para acusar e pedir a condenação dos arguidos, ou, como agora, por incompetência do MP ou inocência dos arguidos, não logra obter provas, mas entretanto, logrou que os "seus" arguidos fossem julgados e condenados no pelourinho da opinião pública e publicada. Deste modo, o MP consegue sempre alcançar os seus objectivos, ou por uma via (a de lei e legítima), ou por outra (a do julgamento popular e ilegítima). Com uma agravante: no julgamento da justiça as pessoas são condenadas por um certo número de anos, mas no julgamento popular são condenadas para o resto da vida.

Diz Dias Loureiro que esteve sob suspeita durante 8 anos. Com este venenífero despacho Dias Loureiro está sob suspeita (e condenado) para sempre. É uma vergonha este despacho. É uma vergonha o MP que temos. Arvorado em justiceiro (e não é esse o seu papel - só lhe cabe levar à Justiça os cidadãos incumpridores), é o principal causador da péssima imagem que os portugueses têm da Justiça."

Anónimo disse...

Um 25 de Abril para a justiça precisa-se com urgência!

Luís Lavoura disse...

É como no processo contra Sócrates. Não se consegue provar nada, mas deixa-se insinuações.

Anónimo disse...

Eu diria mesmo um 25 de Novembro, ou mais radical um 24 de Abril !

Anónimo disse...

É assim a justiça em Portugal. A magistratura faz de jornalista: inunda os media dos leaks e insinuações que quer. Os jornalistas fazem de juizes:acusam e condenam imediatamente todos os bisados, em cuja eventual inocência nunca mais ninguém acredita, a menos talvez que os tribunais acabem por os condenar, o que é improvável.
Fernando Neves

José Neves disse...

O Ministério Público está em completa roda livre e ninguém (PR, Assembleia, Governo, etc.) tem a coragem de o enfrentar.

Gritante incompetência. Investigar "fortes indícios de fraude, branqueamento e fuga fiscal" para passados oito anos e arquivar o processo, revela o quê? Alguém sabe quanto custa uma investigação de oito anos aos contribuintes?

Cultura justicialista, que enferma o despacho de arquivamento. Neste momento o MP só tem um objectivo, fazer "justiça" na praça publica através de uma comunicação social sem escrúpulos.

É simplesmente revoltante

Anónimo disse...

Mais uma vez se nota que de um regime para o outro só mudaram as moscas.
Enfim, é o que consegue fazer com o capital intelectual, que desde o século XIX, existe em Portugal e depois de umas tantas revoluções e outras tantas abortadas.