quarta-feira, 8 de março de 2017

RTP


Acho graça aos filmes das primeiras emissões da RTP, na antiga Feira Popular, com a futura Vera Lagoa a apresentá-las. Já os conheço de cor, mas essa não foi a minha primeira RTP.

Para quem vivia "para lá do Marão", em Vila Real, a RTP era uma "coisa" de Lisboa, apenas falada nos jornais e na Emissora Nacional. Por algum tempo, bastante, mas cuja duração não posso precisar, a cidade não teve aparelhos de televisão, porque o "sinal" não chegava lá. 

Um dia, talvez em 1958 ou 1959, o meu pai recebeu um convite impresso, cuja imagem guardo na memória, enviado pela Rádio Patinhas, uma casa de eletrodomésticos que existia numa esquina da avenida principal da cidade, convidando "Vossa Excelência e a Excelentíssima família a assistirem à emissão da Radiotelevisão Portuguesa". E lá fomos, uma noite, juntamente com alguns escassos eleitos, sentar-nos dentro da loja, olhando um aparelho pequeno, a preto e branco, com uma imagem muito granulada e um som episódico. Cá fora, de cara colada às montras, amontoavam-se muitos curiosos, que não tinham o privilégio do convite. O "sinal" era muito mau, vinha da Lousã, mas aquilo era, para o miúdo que eu era, o "máximo". Tenho três recordações, porque as belas coisas novas nunca se esquecem: o Trio Odemira a tocar, Artur Agostinho e Gina Esteves a apresentar o "Quem Sabe Sabe" e números de magia e ilusionismo, creio que pelo "Conde de Aguilar". 

Algum tempo depois, a televisão começou a ser visível nas montras dos vendedores de aparelhos. Em Vila Real, na Casa Dionísio, concorrente do Patinhas, e, em férias, na Casa Ponte, na Praça da República, de Viana do Castelo. Depois, com o tempo, o mundo mudou e, pouco a pouco, todos passámos a ter televisores em casa, com as infernais antenas, os "potenciadores de sinal" e, mais tarde, os pesados "estabilizadores" de corrente. A partir de certa altura, havia mesmo quem colocasse no écran uma cobertura cobertura com ligeiras cores, uma patetice a sugerir uma antecipação do colorido. Essa cor chegou um dia, como também chegaria esse momento democrático do país que foi a abertura de outros canais. Antes, porém, já todos pagávamos a famosa "taxa", hoje disfarçada já não sei bem como.   

60 anos é uma bela idade. A RTP faz parte da história de todos nós e todos nós temos uma "história" com a RTP. A minha cruza-se também com os tempos que por lá passei, como militar, nos dias que se seguiram ao 25 de abril. E, nos de hoje, com um programa em que também por lá, de vez em quando, colaboro.

Deixo de parte a minha leitura da relação da RTP com o poder, a qual, só por si, já deveria ter merecido um estudo universitário - desde os tempos de Camilo de Mendonça, seu primeiro presidente, até aos de Gonçalo Reis, que atualmente a dirige, passando por um número infindo de figuras que marcaram os ciclos políticos. 

Agora, é ocasião apenas para dar parabéns à sexagenária RTP e a alguns amigos que por lá tenho.

5 comentários:

Anónimo disse...

Eu como sou da geração a seguir não a posso dar parabéns. Se não fosse a lufada de ar fresco que representou a concorrência teríamos ainda a informação totalitária e monopolista da RTP. Estou convencido que as gerações mais novas já não vêm o telejornal insuportável na sua ênfase na economia e no alarme social do está tudo a correr mal. Será cada vez mais um produto para anciãos acríticos.

Anónimo disse...

Os sound bites sobre Rangel aparecem obviamente a mando do Ministério Público numa altura em que ele é candidato ao concurso de acesso para juiz no Supremo. São notícias demasiado graves e obviamente atentatórias do seu bom nome. Nenhum média explicou
1 se a pena de multa do STJ a que foi condenado é recorrīvel para o TC
2 porque há violação do dever de reserva em Rangel mas já não o há com Alexandre em situações homólogas, sendo um repreendido e o outro não
3 já há um acordão do juiz conselheiro Manuel augusto matos a definir as condições do incidente de recusa, objectivas e subjectivas, mas ninguém repara nisto.O juiz matos é quem vai decidir se é Rangel ou não a decidir sobre o caso Sócrates, sendo certo que se Rangel for confirmado o processo Marquês cai dado Rangel já ter considerado que os prazos se encontram prescritos
Assim anda a nossa imprensa impreparada e distraída comme dhabitude.

Anónimo disse...

Só é pena não existirem mais canais privados temáticos.

Caminha-se para o generalismo idiota de mais do mesmo.

Graças ao streaming e ao acesso á Internet não aturamos os maravilhosos mundos do Sr.Costa, Catarinas (Eufémias) e compadres do séc.XX.....

Antonio Cristovao disse...

A primeira vez que vi televisão a cores foi nos Açores , na Praia da Vitoria Base dos americanos. Parecia uma maravilha uma coboiada com o J.Waine.

Anónimo disse...

Relativamente ao convite restrito para ver televisão, era a fruta da época, apenas os da situação eram conviddados, apenas as pseudo elites das terriolas a cheirar a ranço iam as festarolas. Apenas os que comiam e não davam nada a ningue´m tinham esse previlégio, mas por incrivel que pareça muitas dessas pessoas da situação, passaram depois do 25 de abril a continuarem a ser os priveligiados. Isto apenas ao contrário do que se passou noutras paragens não existiu como devia ter existido um descarregar de armas em cima da situação.