segunda-feira, 6 de março de 2017

O PREC acabou, sabiam?

Percebo que muitos não gostem das declarações e dos "statements" da dra. Teodora Cardoso e do seu Conselho de Finanças Públicas - eu não aprecio. E acho muito bem que a senhora e a instituição sejam zurzidas por quem deles discorda e sejam expostas as suas insuficiências e contradições.

É também saudável que haja um escrutínio público sobre o governador do Banco de Portugal, cujas ações e omissões podem ter contribuído para o estado lamentável a que chegou o nosso sistema bancário. O caráter sacrossanto do regulador bancário nunca me caiu bem e, em democracia, convém que se note, temos de poder dizer o que nos vai na alma, em especial quando nos vão aos bolsos.

Até aqui tudo bem. Mas a democracia tem regras e uma delas é saber viver com as instituições, muito em especial quando o que elas fazem não está em sintonia com o que pensamos. Foi isso que dissémos ao anterior governo, quando atacou o Tribunal Constitucional.

Estou-me perfeitamente borrifando para o que pensa quem anda pelo Bloco ou pelo PC ou respetivas bordas. Mas gostava de deixar claro, à atenção do PS, que a irresponsabilidade desqualifica politicamente um partido de poder (como, noutros domínios, está a desqualificar gravemente o atual PSD), pelo que seria de uma imensa insanidade democrática apelar, nesta conjuntura, à revisão do estatuto do Conselho de Finanças Públicas ou à demissão do governador do Banco de Portugal. Mas eu estou seguro de que António Costa está bem ciente disto.

O PREC já acabou, sabiam?

12 comentários:

Anónimo disse...

Passos Coelho deu uma boa ajudinha, leia se pazada à saída do governador, ao defender a sua continuação. Sobre a personagem da anciã, é difícil fazer carreira em Portugal num país de arrivistas e sabichões. A senhora, além do delicioso qualificativo de porteira com o seu ar metediço, gosta de nos dar lições... e não há pachorra.

J. Tavares de Moura disse...

Este post mete no mesmo saco coisas bem distintas.
Primeiro, a crítica a Teodora Cardoso - mas não o pedido de revisão do estatuto da CFP, que não vi defendido em lado nenhum - é perfeitamente justificado. A missão atribuída ao C.F.P. e à sua presidente é: "..avaliar com independência...", ora, presume-se que essa independência não é somente para com o governo, mas também para com os restantes agentes políticos. Teodora Cardoso tem assumido um papel activo (colando-se à agenda da oposição) na crítica à política económica e financeira deste governo. Tem-no feito de um modo que ninguém viu ou ouviu com o anterior. Ao escolher envolver-se no jogo político tem de estar preparada para ser criticada de igual modo e é inevitável que a instituição CFP acabe sendo envolvida.
O caso do governador do Banco de Portugal não é comparável. Carlos Costa tem revelado para além de uma enorme incompetência, falta de coragem, falta de capacidade de decisão em tempo oportuno, falta de discernimento e de bom senso. Perante tudo o que já se passou e aos enormes prejuízos já causados pelo actual governador do BdP, quando é que o Sr. Francisco Seixas da Costa entende que que é chegado o momento (ou a conjuntura favorável) à sua remoção do lugar? Desde quando remover um incomopetente dum lugar de alta responsabilidade pública é um "acto revolucionário"? O que é que isto tem a ver com o PREC?

David Lencastre disse...

O Conselho das Finanças Públicas, tanto quanto posso perceber, foi criado em 2011, pelo então governo de Passos/Portas, por razões de ordem políticas e tem, indiscutivelmente, um cariz neo-liberal, personificado em Teodora Cardoso, mas não só, também nos restantes seus membros do Conselho Superior, dois estrangeiros, um (ex) consultor e outro Director Assistente do FMI. Como são inamovíveis, segundo os estatutos que se desenharam para o efeito, e não inocentemente, teremos de os aturar até 2019, altura em que Teodora cessará funções. O que o governo deveria fazer era pura e simplesmente acabar com essa instituição. Temos muitas outras capazes de controlar as actividades governamentais, como a A.R (e as Comissões respectivas, por exemplo), o Tribunal de Contas, etc. Que agem com muito mais independência do que o CFP. E onde é possível haver um contraditório. Assim sendo, esta figura deveria, assim é de esperar, ser extinta. Acaba por ser, no fim de contas, uma espécie de força de pressão dos Mercados, da (ex) Troika (FMI, BCE, da Comissão), do Sr. Shauble, do holandês do Eurogrupo, etc.
Faço votos para que o governo actual decida a sua extinção.

jose reyes disse...

O Expresso já cuidou de "interpretar" o seu pensamento:
http://expresso.sapo.pt/politica/2017-03-06-Seixas-da-Costa-ataca-PS.O-PREC-ja-acabou-sabiam--1

Anónimo disse...

Gostando-se ou não da pessoa em causa, a FCSH, cancelou uma conferência com o Prof. Jaime Nogueira Pinto porque uns quantos alunos ameçaram pancada alegando quero o senhor representa a extrema direita. Eu não sou da época, mas parece-me que a liberdade de expressão quando nasce deve ser para todos, ou então estamos próximos de regimes pouco democráticos.

cumprimentos

Ana S.

Anónimo disse...

Um dos grandes problemas em Portugal é que não há respeito pelas instituições, nomeadamente as que são independentes. Lembram-se dos ataques ao Tribunal Constitucional por parte de personalidades ligadas ao PSD quando os acordãos daquele tribunal eram contra o Governo?
Agora é a mesma coisa. Acho lamentável e isso é um sinal de falta de maturidade da nossa classe política. Espero que o PS mantenha a sua posição de partido responsável e pilar da democracia e não se deixe enredar por propostas demagógicas dos seus aliados BE e PCP.

Anónimo disse...

Durante quatro anos e meio não faltou gente do CDS-PP e do PSD a sugerir acabar com o Constitucional por lhes chumbar coisas e não por manifesta incompetência.

Por que carga de água não ocorreu ao embaixador falar de PREC nessa altura? Ou falou e eu não notei?

Anónimo disse...

Ana S., mas foram alunos que lhes prometeram pancada, ou o grupo promotor que disse no facebook que queria que lhes garantissem a segurança? Os jornalismos são poucos dados a uma genealogia do processo. Ainda mais quando vêm pagos pelos amigos do ex-maoísta Barroso.

Anónimo disse...

Com a devida vénia,

Operação cerco

7 MARÇO, 2017

helenafmatos

"Passámos claramente para outra fase, as máscaras estão a cair. Já não há qualquer preocupação em disfarçar. O cerco vai apertar-se para já em torno daqueles que ainda detêm poder suficiente para questionar a verdade oficial sobre a nossa situação económico-financeira e, o que ainda é mais importante, ocupam cargos que podem colocar em Bruxelas essa verdade oficial em causa.

Por isso, de um momento para o outro, Carlos Costa e Teodora Cardoso ficaram no olho do furacão. É preciso legitimar e apresentar como indispensável o seu afastamento. A operação cerco já começou.

Já vimos isto no passado quando as mesmas pessoas montaram um cerco ao então PGR, Souto Moura."

Fernando Frazão disse...

A Dra. Teodora Cardoso foi infeliz no depoimento que prestou.
Há no entanto o cerne da questão. As previsões, as celebres previsões.
Ora o que se verifica é que ninguém acerta que é coisa que me encanita.
Vamos aos acrónimos. O FMI, a UE, o BCE, o BP,a OCDE,a CFP, a S&P, a Fitch, a Moody´s, a DBRS and, last but not the least, o cão, o gato e o periquito do PM em exercício.
E todos eles se comentam uns aos outros sabendo que basta, no trimestre seguinte, fazer uma reavaliação para baixo ou para cima para salvar as consciências, até por que o pessoal tem a memória curta.
Haja Paciência.

PS: Ah. Esqueci-me dos doutos economistas que diariamente pululam nos media com estrondosos comentários que se revelam sempre "um bocadinho ao lado".
Temos pena. Os que eles não percebem é que discutem entre eles e o resto do pessoal não lhes liga nenhuma.
Lamentavelmente.

Anónimo disse...

Mantendo a linguagem de tasca, o embaixador também se estará borrifando para o que pensam os que andam pelo CDS/PP e PSD a pedir o fim do constitucional por fazer cumprir a lei? Ou esse borrifando só lhe dá com os que não pactuam com supervisores que fecham os olhos aos crimes da banca e com entidades políticas criadas em 2011 para fazer de polícia pior de um governo pé? E se se borrifa com o que pensam PCP e BE já não se borrifa com o que pensa Nogueira Pinto. Idiossincrasias.

Anónimo disse...

Só faltava mesmo tentarem silenciar a Doutora Teodora Cardoso, nas funções que desempenha e bem, como sempre fez e nunca deixando de ESTUDAR!

Pode não se gostar do estilo, mas ninguém pode atacar o seu rigor e o seu trabalho!

Todos os PRs lhe Ficaram a dever ajuda, em termos técnicos, sem excepção.