terça-feira, 24 de janeiro de 2017

O nome dele é Acácio?


Então tu, meu magano, querias que o voto secreto dos Conselheiros de Opinião da RTP fosse no sentido de escolher para provedor do ouvinte aquele que é talvez o mais qualificado profissional da Rádio Portuguesa? 

Achavas mesmo, meu caro João Paulo Guerra, que eles iam escolher uma voz independente, que não deve nada a ninguém e que pede meças a quem quer que seja em experiência qualificada no setor, para essa função crítica? 

O Joaquim Vieira tinha, na douta opinião secreta dos conselheiros, escassa tarimba na Rádio? Pimba!, foi chumbado. A seguir vinhas tu e, claro, foste também às malvas na urna, imagino que por aquele critério desqualificador antigo que é o "excesso de habilitações". 

Que importância tem a listagem de prémios que, ao longo da vida, recebeste pelo teu trabalho radiofónico, ao lado do currículo brilhante de alguns dos conselheiros, que como prova útil da sua existência só têm o seu direito de veto?

Que sabem eles do PBX, do Tempo Zip, daquela escola inigualável que foi o noticiário do Rádio Clube? Acaso eles ouviram alguma vez os Reis da Rádio ou O Fio da Meada? 

Tenho a suspeita, João, de que entre os conselheiros que te vetaram está aquele escriba que, um dia, iniciou uma crónica com o histórico "Era meia-noite e, no entanto, chovia...". Como é que se chamará esse conselheiro? Acácio, não é?

7 comentários:

UC disse...

João Paulo Guerra, Rui Pedro, Joaquim Furtado, Adelino Gomes e outros...ainda me lembro dos noticiários do Radio Clube Português, às duas da madrugada, até parecia que não havia censura!
Uma vergonha, o que os conselheiros de opinião da rtp estão a fazer. Gostava de saber os seus nomes!

Anónimo disse...

Era meia noite...
No entanto, chovia...
Sob a apagada luz de um farol,
um cego lia um papel em branco,
que nada dizia...
Um cão miava ao longe,
acompanhando o cacarejar de um gato vadio...
Seguindo a manada de pardais,
tropecei com o cardume de bois,
e fiquei nos ais e nos ois...
E, sentado, ao deitar-me de pé em meu leito,
senti doer o calo em meu peito,,
e, fechando os olhos,
vi um surdo-mudo se aproximar recuando,
e dizer calando em baixos brados:
"Devolva-me o que nunca te emprestei"...
Recolhi-me ao espaço,
sentindo uma cólica no braço...
E não me preocupo nem pouco,
se me achas louco...
Por estar em sana idade,
não posso sofrer de insanidade...
Assumo-a, e sumo com ela...
Extraio-lhe o sumo, e se há sumo, assumo...
porquanto sumo... E por quanto tempo será?

Portanto, é isso aí...
Não entendeu? Nem eu...

Rui C. Marques disse...

"Era meia-noite,e no entanto,chovia..." - Vou reler a "Teoria da Literatura"para tentar encontrar alívio para o meu espanto.

Anónimo disse...

32 são os conselheiros de opinião. A sério?
Carlos Santos

Anónimo disse...

Os "Intocáveis comunistas" , como sempre.....

Eu ia ao Zip Zip no teatro na Fontes Pereira de Melo..pela inovação e os cantores !

Manuel Silva disse...

Caro UC:
Procure aqui que satisfaz a sua curiosidade.
http://media.rtp.pt/institucional/orgaos-sociais/conselho-de-opiniao/
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Caro Anónimo das 12:26,
Foi ao Zip-Zip, até gostava dos cantores, mas afinal, foi tempo perdido.
Não aprendeu lá nada.
Nem sequer que aquele programa, bem engendrado para a época, leve, divertido, mas mais ou menos inócuo politicamente, era demasiado grande para passar na estreitíssima nesga de liberdade que o regime salazarento cheio de bolor consentiu na transição marcelista.
Por isso acabou ao fim de 6 meses.
Só não percebi porque diz que gostava da inovação e dos cantores: contradições, não é?
P. S. João Paulo Guerra não é comunista, muito menos intocável, como prova esta exclusão para o cargo de Provedor do Ouvinte da RTP em tempo de governo das Esquerdas.
Devem ir nomear outra pessoa do género da actual provedora, qual OVNI que não fez nada na função.
Eu intervenho há mais de 10 anos junto dos provedores, contra as indecentes calinadas da nossa Língua.
Um deles até se dignou telefonar-me para casa.
Os outros respondiam sempre aos meus e-mails (elaborados sempre numa linguagem cordata e educada).
Esta nunca o fez.
Afinal, fez lá o quê?
Recebeu o ordenado e deu cobertura a quem a nomeou.

Anónimo disse...

Já agora, um texto, datado do dia 21.01.2017, assinado por alguns dos conselheiros de opinião:

«Senhor Presidente do Conselho de Opinião da RTP
Senhores Conselheiros

Como provavelmente vários ou todos vós, recebemos hoje, via facebook, uma chamada de atenção para uma página intitulada “Provedor João Paulo Guerra, não? Porquê?”, na qual fomos interpelados por este texto:

“Enquanto cidadãos, temos o direito de saber os motivos que levaram ao "chumbo" do Conselho de Opinião. João Paulo Guerra preenche todos os requisitos, segundo os estatutos da RTP, e de acordo com a lei que regula o serviço público de rádio e televisão (Lei n.º 39/2014, de 09/07, que alterou a Lei n.º 8/2007, de 14/02, que, por sua vez, deu forma ao estatuto dos provedores, criados pela Lei nº 2/200: É uma personalidade "de reconhecido mérito profissional, credibilidade e integridade pessoal, cuja atividade nos últimos cinco anos tenha sido exercida na área da comunicação."

Enquanto membros do Conselho de Opinião, eleitos na lista da Assembleia da República, incomoda-nos não saber responder a esta interpelação cidadã.

Estivemos presentes na reunião em que o nome de João Paulo Guerra foi recusado, ouvimos a apresentação feita por aquele jornalista, as perguntas e respostas, diversas vozes afirmando não ser necessário debate posterior por todos se encontrarem esclarecidos e, no tempo de debate ainda assim aberto, uma única intervenção, um vibrante apelo ao voto no candidato – não tendo havido qualquer posição expressa contra o mesmo. Foi, pois, com a maior surpresa que tomámos conhecimento do resultado da votação – por voto secreto – que se seguiu. E não, não sabemos explicar a estes cidadãos qual a razão pela qual a maioria do CO “chumbou” João Paulo Guerra. Podemos apenas explicar o nosso voto, favorável ao candidato, por acharmos que cumpria todos os requisitos estatutários e fizera prova abundante dos conhecimentos que o habilitavam para o cargo.

Não é esta a primeira vez que o Conselho de Opinião rejeita um/a candidato/a que lhe é apresentado/a pelo Conselho de Administração, nem a primeira em que as nossas posições sobre um/a candidato/a são minoritárias. Mas nunca – fosse qual fosse a nossa posição – nos sucedeu não sabermos explicar qual o motivo pelo qual um/a candidato/a fora rejeitado/a ou aceite pela maioria dos Conselheiros.

Pelo que atrás fica dito, em relação ao que se passou na reunião de 20 de Janeiro e à recusa do nome de João Paulo Guerra, consideramos não estarem reunidas as condições exigidas pela alínea 5 do Artigo 34º dos Estatutos da RTP para parecer desfavorável do Conselho de Opinião, a saber, que seja “devidamente fundamentado no não preenchimento dos requisitos previstos no n.º 1”, exigindo esses requisitos serem “personalidades de reconhecido mérito profissional, credibilidade e integridade pessoal, cuja atividade nos últimos cinco anos tenha sido exercida na área da comunicação”.

Assim sendo, vimos expressar ao Conselho a nossa discordância com a forma como esta posição foi tomada, reservando-nos o direito de a tornar pública e de a fazer chegar à entidade pela qual fomos eleitos, a Assembleia da República.

Lisboa, 21 de Janeiro de 2016

Diana Andringa, CC 2024019
Fernando António Correia, BI 415912
Maria Emília Brederode Santos, CC 00025849


Associam-se a esta tomada de posição os Conselheiros
Deolinda Carvalho Machado, CC 3708224, representante da CGTP no C. O. ;
José Rebelo, CC 1320823, também eleito pela AR;
Rui José de Morais Monteiro de Sousa Romano (Rui Monteiro Romano), CC 08140167, representante dos trabalhadores da RTP no C. O.»