quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

O desastre

Ontem, alguém me dizia que olhamos para Donald Trump e para a América que com ele aí virá com a curiosidade quase mórbida de quem olha para a cena de um desastre. O somatório de sinais negativos é tão forte, a aproximação da figura à sua caricatura mais primária começa a ser tão evidente que a hipótese do pior se torna plausível. Por muita simpatia que possamos ter pela América - e eu tenho muita -, preocupa-me, essencialmente, o efeito disruptor que as ações da futura presidência Trump possam vir a ter pelo mundo, em especialmente por aquele cujo futuro imediato diretamente me respeita. Se acaso a Europa fosse outra, se ela estivesse noutro estado de afirmação e de capacidade coletiva de decisão, enquanto poder com peso à escala global, eu estaria menos preocupado. Assim, estou muito. E, como nos desastres, só me resta olhar. Quase apetece crismar Trump com o nome de um clássico restaurante lisboeta: "The great American disaster"...

10 comentários:

Anónimo disse...

É fundamental a posição dos EUA no mundo. Tenho o maior dos receios que essa posição, de positiva, com alguns erros de vez em quando, passe a negativa e extremamente instável, a manterem-se as posições e declarações do futuro Presidente.
Espero sinceramente que eu esteja errado quanto ao futuro, mas não sei.

Anónimo disse...

Um clássico muito estragado, já. Dos dois que havia, o do Marquês de Pombal (que manteve o nome), está transformado num "dinner" à anos 50 e o da Elias Garcia (que durante anos foi The Big Apple), ainda mantinha há uns tempos quase intacta a decoração original mas o menu tornou-se "gourmet". :(

Luís Lavoura disse...

o efeito disruptor que as ações da futura presidência Trump posam vir a ter [...] por aquele [mundo] cujo futuro imediato diretamente me respeita

Olha-me esta! E qual foi o efeito disruptor que a presidência Obama teve pela Ucrânia, pela Líbia e pela Síria, países que diretamente nos dizem respeito?

Precisamente por estas razões que o Francisco aqui aduz, eu diria que ainda bem que a presidência Trump acaba e começa a presidência Trump! Talvez que aqueles países que nos dizem diretamente respeito possam agora ficar mais calmos!

Anónimo disse...

Ó Embaixador, vamos aqui fazer um pequeno exercicio; já pensou que por um acaso pode acontecer precisamente o mesmo que aconteceu a Obama, mesmo que visto de lados opostos. Toda a gente depositava uma confiança(nunca percebi muito bem baseado em quê), mas dizia toda a gente achava o Obama o Ban Ban Ban cá do sitio que ia resolver tudo e mais alguma coisa e como se viu foi pouco mais que um FLOP. Assim também agora toda a gente está a diabolizar o Trump e se calhar daqui a algum tempo estarão a dizer que afinal não foi assim tão mau. Sou dos que analisam apenas com base em resultados e fatos, o resto é especulação pura.

Anónimo disse...

Parece que Trump está a contratar uma empresa de headhunters na área da diplomacia europeia, para escolher o lugar de topo do EMCD (European Multicultural Department).

Joaquim de Freitas disse...

De acordo com Luís Lavoura. Os ingredientes mortais que permitiram a vinda de Trump vêm de longe. Bush pai, depois Bush filho e depois Obama produto derivado dos Bush’s, que, diga-se de passagem, lançou mais bombas sobre a superfície do planeta que Bush júnior…

Se acrescentamos Reagan a este grupo, temos os criadores do imperialismo capitalista, variante moderna do imperialismo no seu duplo contexto geográfico e histórico, responsável, da pobreza e do subdesenvolvimento do terceiro mundo, portanto intrinsecamente rico.

A injustiça do mercado, o peso da divida, a arma da ajuda estrangeira e a violência foram os métodos que permitiram ao imperialismo actual de assentar uma dominação implacável que a mundialização, extensão lógica do poder imperial acaba de reforçar.

“Assim, estou muito » preocupado, escreve o Senhor Embaixador. Claro, os EUA são hoje o maior império de todos os tempos. Tanto militar e cultural que económico. Esta potência, financiada pelos cidadãos americanos visa antes de mais a preservar a ordem capitalista mundial favorável às empresas americanas e aos seus ricos accionistas.

A fuga para a frente militarista compensou o endividamento gigantesco da economia americana. Mas há facturas a pagar:

-- a primeira são os trabalhadores que a pagam através dos estragos das deslocalizações engrossando assim as filas de desempregados ( que Trump explorou muito bem para ganhar a eleição).
-- a segunda são os contribuintes que a pagam forçados de compensar as vantagens fiscais concedidas às multinacionais.

Os EUA são o país mais rico do mundo e o maior devedor do planeta, mas também é aquele que conta 40 milhões de cidadãos que vivem sob o patamar da pobreza.

Mas o aspecto mais vergonhoso deste país é que, mesmo se os diferentes ocupantes da Casa Branca são coerentes e não há nada que os distinga na sua politica, por trás dos pretextos de defesa da democracia, a protecção dos cidadãos e dos interesses americanos no estrangeiro, a responsabilidade como dirigente mundial face às supostas ameaças (o comunismo, hoje substituído pelo islamismo), a caça às feiticeiras rebaptizadas “terroristas” ou a protecção das reservas petrolíferas, a coerência da politica americana é sempre de esmagar as revoluções populares e de apoiar regimes conservadores (mesmo ditaduras) capitalistas.

Indo mais longe que Luís Lavoura, pergunto quais foram as razoes profundas da primeira Guerra do Golfo!

Sem esquecer as eleições em muitos países, regularmente supervisadas por Misters Carlucci “providenciais”, compradas, traficadas ou recusadas pela administração americana, em função do seu próprio interesse.

Sim tem razão de estar preocupado, Senhor Embaixador. Eu também estou. Un peu… mais pas trop. Porque o povo americano dorme à sombra da democracia.

Particularmente as elites. Habituaram-se a viver com o sistema coercitivo do poder do Estado que é utilizado para proteger a estrutura dominante da economia política e mais especificamente os interesses nacionais e internacionais do capital financeiro. E como sabe, estas elites conservadoras querem menos controlo do governo, mas desejam em contrapartida habitualmente mais poder do Estado afim de limitar os efeitos igualitários da democracia. Trump prometeu isso … O resto do mundo vai pagar…United States Über Alles.

alvaro silva disse...

Quem tem medo compra um cão. Afinal os EUA praticam a democracia? o homem não foi eleito conforme as leis republicanas da constituição? Eu por aqui vejo muitos videntes (que não acertam uma prá caixa)! Valha-nos os pensadores analfabetos dos futebóis. Prognósticos: "- só no fim do jogo"!

Anónimo disse...

Para Sr. Lavoura:
Se vc. soubesse um pouco mais sobre o Presidente Obama, talvez fizesse algum sentido o que escreve sobre ele.

Neste país e no resto do mundo há muita gente seriamente preocupada com a Presidência de Trump.
Oxalá estejamos errados e que ele seja bem sucedido.

Antonio da Silva Cordeiro

Anónimo disse...

Desastrado está o Mundo, ou antes, desastrados estão os seus (des)governantes.
O que é um pum para quem já está todo cagado?
E, afinal de contas, sempre foi assim.
Já Camões sabia e sentia isso.

Ao desconcerto do mundo


Os bons vi sempre passar
No mundo grandes tormentos
E pera mais me espantar
Os maus vi sempre nadar
Em mar de contentamentos.
Cuidando alcançar assim
O bem tão mal ordenado
Fui mau, mas fui castigado:
Assim que, só pera mim,
Anda o mundo concertado


Tenhamos Esperança, que o sentimento ainda é grátis.

Anónimo disse...

Nunca esquecendo que Trump será o Presidente (o Executivo) dos EUA, e não de nenhum País europeu, muito menos está interessado em substituir Juncker o "executivo" dos ritos finais de um projecto bem intencionado, mas ...