quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Diplomacia


Agora que Mário Soares partiu, gostava de deixar dois sublinhados e uma nota, no tocante à diplomacia portuguesa.

O primeiro para sublinhar que o Ministério dos Negócios Estrangeiros lhe ficou a dever uma atitude de grande sentido de Estado, quando, em 1974, assumiu a pasta de ministro dos Negócios Estrangeiros. Perante algumas vozes que, à época, defendiam o saneamento de grande parte dos quadros diplomáticos, que disciplinadamente tinham servido a política do governo precedente, Soares teve o bom senso e a prudência de tratar esse assunto com elevado sentido de medida e de justiça. A "carreira" retribuiu-lhe e provou, no novo Portugal democrático, que tinha um sentido profissional muito elevado.

O segundo sublinhado é para destacar algo que raramente é mencionado. Foi Mário Soares quem, durante o seu tempo como ministro dos Negócios Estrangeiros, abriu a carreira diplomática às mulheres, que até aí estavam anacronicamente impedidas de exercer tais funções. O primeiro concurso em que entraram mulheres (o mesmo em que eu também acedi ao MNE) teve lugar em 1975.

A nota tem a ver com a despedida de Mário Soares. Foi o Protocolo de Estado, sedeado no ministério dos Negócios Estrangeiros, quem teve a responsabilidade essencial na organização dos funerais de Estado do antigo presidente. Para quem esteve atento, tratou-se de um trabalho impecável, rigoroso, feito com grande eficácia, onde a necessária solenidade nem por um momento foi tocada por qualquer gongorismo formal excessivo. Quase quatro décadas da "casa" ensinaram-me bem o que são as dificuldades de uma tarefa desta dimensão, em que nenhuma falha seria perdoada e teria uma visibilidade ímpar. Por isso, como diplomata, senti-me orgulhoso pelo trabalho levado a cabo pelos meus colegas, naturalmente associados a outros atores oficiais e privados imprescindíveis. Uma especial palavra é assim devida ao embaixador António Almeida Lima, chefe daquela excelente "orquestra".

6 comentários:

Anónimo disse...

O problema foi a bandeira chinesa de Portugal, "parece" que já somos como Twain....

Anónimo disse...

Por razões de saúde só vi as pompas fúnebres pela televisão. Visto no pequeno ecrã, foram verdadeiramente impecáveis.

José Neto

Anónimo disse...

Pelo comentário de "12 de janeiro de 2017 às 11:18" ficámos a saber que as cerimónias incluiram comes e bebes... E ele abusou!

dor em baixa disse...

O Protocolo de Estado sedeado no MNE! Não fazia ideia, não se destina a desenvolver um negócio estrangeiro. Mas tratando-se de uma atividade ritualista e de muita formalidade foi então arrumado na... diplomacia.

Anónimo disse...

Parabéns ao António Almeida Lima e também ao Jorge Silva Lopes que discretamente veio de Zagreb para ajudar nas cerimónias.

JPGarcia

Antonio Cristovao disse...

A cerimonoa foi impecavel.e os brilhante sorganizaores nõa têm culpa que tenha tido mernso gente que Sa Carneiro ou Cunhal. Birrinhas de invejosos