quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Non sense


Já não me recordo se escrevi por aqui uma frase ouvida, há uns meses, numa "tertúlia especializada" que frequento: "Não ouvi o que tu disseste, mas acho que não estás a dizer coisas certas".

Acho esteticamente graça (mas só isso, atenção!) a este tipo de expressões, feitas de preconceito e de apriorismo, que se pretendem chocantemente afirmativas, no limiar da presunção. Como o que passou a ser "chic" dizer-se, a propósito de livros: "Não li e não gostei". Olho este tipo de exercícios apenas pela curiosidade do seu estilo, pelo seu "non sense", mas não os respeito minimamente, convivendo com eles com uma medida dualidade no apreço.

Porque é que me lembrei hoje do assunto? Porque acabo de ver o título do próximo espetáculo de Vitorino, que vai na mesma onda: "Não sei de que é que se trata, mas não concordo". É uma frase citada do alentejano Zé Embirra, elevada a mote estimável, na lógica de que "o que é popular é bom".

A frase tem (a tal) graça, mas não deixa de ser uma patetice, sintetizando, no fundo, a atitude triste de muita gente perante o quotidiano.

3 comentários:

josé ricardo disse...

Estou propenso a crer que a maioria das pessoas que já utilizaram este tipo de expressões (e eu já o fiz a respeito, por exemplo, do extraordinário livro do arquitecto Saraiva) o faz por mero artifício retórico de um assumido non sense). Para além disso, somos todos um pouco sensíveis às ondas vocabulares, carregadas de significados e significantes muitas vezes contraditórios, que, sistematicamente, assomam tendo em conta, muitas vezes, a idiossincrasia própria dos tempos.

Anónimo disse...

Acho que tenho a certeza que nao tenho duvida que realmente e algo sem sentido nenhum.

Anónimo disse...

Acho graca a essas fracas apenas pelo nonsense, pressupondo que são só isso:uma graca. Já a frase "não li e não gostei" pegou por cá ainda 'no tempo da outra senhora' depois de Franco Nogueira a ter dito em publico a respeito do livro Dinossauro Excelentíssimo.
Fernando Neves