sexta-feira, 25 de novembro de 2016

À procura da infelicidade

Num site onde se acolhe, como numa trincheira, uma certa direita, uma papisa dessa mesma direita detalha-nos, com tocante minúcia, a profunda infelicidade que a atravessa. Estivéssemos mais próximos do Natal e dar-me-ia uma de generosidade, que me faria verter uma lágrima, feita de aletria e bolinhas coloridas para o pinheiro, de solidariedade com a apagada e vil tristeza desse setor da estimável ala conservadora lusa, que nos dias de hoje geme a sua imensa distância do poder. Para esta depressão sazonal são elencados, naquele texto sentido que me calou bem fundo, quantos "se passaram" para o outro lado. Com nomes, que isto é como as listas do MUD, é tudo para memória futura: Marcelo, claro, à cabeça, nas ironias desencantadas dessa direita que não cai em vénias, mas também Carlos Moedas e Frasquilho. Todos os que, entretanto e aos seus olhos, se bandearam, por culposa complacência, com a Geringonça, tolerando-a ou, de qualquer outra forma, legitimando-a. Mas eles que se ponham a pau: ficam "à marca", como se diz nas contas no bilhar. Até ao juízo final, onde serão julgados pela falta de juízo que tiveram. Neste Natal, "ajudada" pelas sondagens da Católica (até tu!) de hoje, essa direita vai ter uma ceia diferente. Do bacalhau vai notar as espinhas, no bolo-rei sair-lhe-á a fava e, nas sobremesas, só terão sonhos. É assim como uma espécie de Natal dos hospitais. Dias tristes, enfim. Coitados.

16 comentários:

Joaquim de Freitas disse...

Enquanto que, em frente do presépio, vão pedir aos Reis Magos de lhes trazer um presente do Oriente, que seria uma subida das taxas de juros, para tornar a vida mais difícil à geringonça, provocando mesmo, eventualmente, uma séria indisposição ou mesmo uma indigestão lá para o Natal. Porque essa gente , como se sabe, é muito “solidária” e só lhes interessa a “felicidade” dos outros.

Luís Lavoura disse...

Diga por favor o nome do site e da papisa. Quero ir lá lê-la!

Manuel Silva disse...

Senhor Embaixador:
Além de Carlos Moedas (Portugal está, pela primeira vez, no bom caminho
Pela primeira vez o país está "a ver uma luz ao fundo do túnel", destacou o comissário português) e de Miguel Frasquilho (Esta solução de Governo já não afasta os investidores.
"No principio registei alguma surpresa", diz o ainda líder da AICEP acerca de como o mercado reagiu à solução de Governo encontrada por António Costa. Agora, observa investidores "tranquilizados"), esqueceu-se de referir o inefável Vítor Gaspar, que teve há pouco tempo o desplante de afirmar: «As regras europeias podem ser utilizadas com flexibilidade. Sem falar de Portugal, o ex-ministro das Finanças defende, em entrevista ao jornal Eco, que a Alemanha tem margem para estimular a economia»
Veja-se tamanha heresia da parte de um tamanho ex-fundamentalista da austeridade e da sua destruição criativa.
Todo o mundo é composto de mudança (escreveu o nosso grande Camões) ou The Times They Are a-Changin (escreveu e cantou o último Nobel da Literatura, Bob Dylan).
Grandes nomes para grandes e verdadeiras afirmações.

Anónimo disse...

Dos abusos da quadra, pode ser que lhes saia também diabetes e colesterol. Já não faltará tudo para nos deixarem da mão.

Anónimo disse...

"Os homens mudam de senhor com prazer, pois acreditam que melhorarão; tal crença os farão tomar as armas contra o antigo, cometendo um erro, pois veem, depois, com a experiência, que pioraram.”

Maquiavel

Anónimo disse...

Lendo o texto e os comentários acima, noto duas coisas.
A primeira é que parece que um site "de direita" é demasiado para a esquerda, ou para "uma certa esquerda". As expressões de desdém e condescendência apontam nesse sentido. Atendendo a que Público, Expresso, DN, JN são manifestamente de esquerda, faz-me confusão que a direita "entrincheirada" consiga causar incómodo. Além disso, se é ao Observador que se refere, estamos a falar de uma direita bastante politicamente correcta que por exemplo alinhou e alinha na histeria mediática anti-Trump, por vezes sem razão nenhuma (reproduzindo acusações completamente falsas, como a de antissemitismo).
A outra coisa que noto aqui é um triunfalismo que me parece um pouco precoce. A dívida está a crescer, os juros estão a aumentar e a despesa igualmente: por muita elasticidade que este governo demonstre na forma como contabiliza ou atrasa pagamentos, não duvide que a factura chegará.
Parece-me por isso que a nossa situação está muito longe de ser desafogada e mais ainda de justificar triunfalismos.
Não iremos passar um Natal a comer espinhas de bacalhau, certamente todos os que aqui vêm ao blog (e idealmente todos os portugueses) poderão comer boas postas (eu gosto das minhas altas e bem salgadas). Mas o caminho que estamos a trilhar - engordar a despesa do estado e equilibrar as contas com taxas e taxinhas (quando não falcatruas que mais cedo ou mais tarde serão desmascaradas) - não creio que trará grande prosperidade e abundância no futuro. Mas veremos, como dizia o outro.

Anónimo disse...

O autor,e a larga maioria dos comentadores avençados,parecem ignorar que a prioridade de uma força politica na oposição é regressar
ao poder.Para tal,um dos caminhos é criticar quem está no poder.Foi o que fizeram os vários PS no Governo Passos e é o que fazem os
vários PSD/CDS na vigencia do Governo Costa.Qual é a novidade?

arber disse...

O anónimo das 17:25 não deve estar bom da cabeça!

"...Público, Expresso, DN, JN são manifestamente de esquerda..." ???!!!

Parafraseando aquele secretário de estado hoje no parlamento, este nosso amigo leitor ou não sabe do que fala ou sofre de "disfuncionalidade cognitiva temporária"...ou definitiva?

Manuel Silva disse...

Anónimo das 17:25,
«Público, Expresso, DN, JN são manifestamente de esquerda».
Boa, gostei desta piada.
Podia ter acrescentado a SIC, que hoje censurou a notícia da sondagem favorável ao Governo.
Pura e simplesmente não falou dela em nenhum noticiário, nem sequer na mais selectiva SIC-Notícias.
O António Gedeão no poema Impressão Digital, diz:
«Cada um é seus caminhos.
Onde Sancho vê moinhos
D. Quixote vê gigantes.
Vê moinhos? São moinhos.
Vê gigantes? São gigantes».

Anónimo disse...

boas noites

i) é sempre um prazer ler uma boa traduçao do niccolo... o amigo também da uns toques com o sun tzu?

ii) o douto economista almeja para o dinheiro aquilo que deveria almejar para o bacalhau. se não acontece-lhe ao bacalhau aquilo que me acontece ao dinheiro, desaparece!... mude-se para o porto e coma um bom polvo, homem! vai ver que gosta!
poupe a espécie, ha que ter em conta a renovacao dos stocks de pesca! polvo para si, que é para eu poder comer bacalhau sem problemas de consciência!...

cumprimentos



Bonito,Bonito disse...

As vacas voam, até Marcelo já vê que sim.
Esperemos que não venham a ser vacas sagradas, e um dia as vermos a passear pelos parques e praças alí para os lados do Martim Moniz.

Junior will disse...

Repararam que:
A Esquerda, bem a Esquerda, ou Centro ou a Direita.
E que a Direita bem a Direita, ou Centro, ou a Esquerda.
É tudo igual.
Não se muda uma vírgula.
Nem sabemos se o governo é de Esquerda ou Direita.
Nem papisa, nem site, nem o povo português. sabem para onde correr!
Que venha o Natal, o Bacalhau, os pasteis de nata, o bolo,etc. Que venha a Páscoa, o Carnaval, e os dias de feriados nacionais, alguém percebe aonde estamos?

Anónimo disse...

Dois óbvios trafulhas desnorteados.

Um desses elenca vários jornais de esquerda. Entre eles o Publico de David Dinis, ex-assessor de imprensa de Durão Barroso, dos tempos da invasão do Iraque. Noutro dos elencados, o Diário de Notícias, lembraram-se de promover a cronista um tal João Pedro Henriques, um tipo que no seu blogue legitimou uma entrevista a Morais Sarmento, feita por David Dinis, apenas um mês depois de deixar a assessoria e já instalado na secção de política do falido Diário Económico. Que a lei não previa qualquer período de nojo, Faz-se assim a esquerda desses jornais.

Mais abaixo vem um pequeno alucinado com a centenária conversa de que a esquerda não se distingue da direita. Deve ser por isso que a referida no postado anda tão triste e aborrecida.

Curem-se, bebam menos álcool ou comprem um quilo de honestidadezinha e de decência intlectual, que já vos fazia falta.

Anónimo disse...

Excelente, caro Francisco.

Um abraço

JP Garcia

Anónimo disse...

"Curem-se, bebam menos álcool ou comprem um quilo de honestidadezinha e de decência intlectual, que já vos fazia falta."

vos?

Anónimo disse...


Pq? É lhes?