domingo, 9 de outubro de 2016

Às vezes, chovia!


As novas gerações, que nos dias de hoje vivem aqui em Lisboa, podem não saber, mas, no passado, às vezes, chovia. É verdade! Pequenas gotas de água, aos milhões, frequentemente sob pressão de um ar em movimento a que se chamava vento, desabavam do alto sobre a cidade e molhavam-nos a todos. Para nos protegermos, usávamos uma daquelas sombrinhas com que as senhoras se abrigam dos raios do sol, mas impermeabilizada, chamada guarda-chuva, e vestíamos uns balandraus longos, às vezes impermeáveis, que designávamos por gabardines. Os limpa-párabrisas que se vêm nos carros não existiam então apenas para limpar os vidros, eram utilizados também para afastar as gotas de água com que essa tal chuva enchia a cidade e nos dificultava a visibilidade. É que, nesse tempo, havia inundações que caiam do céu, não apenas as que agora se produzem quando se rompem os canos. Datam, aliás, também desse tempo os telhados inclinados que as casas ainda hoje têm, por onde descia a água provinda da chuva. Ah! E nos dias em que chovia, o sol, que agora brilha em permanência até ser noite, não se via, ficando tapado por um céu cinzento, coberto pelas nuvens, que eram umas espessas formações escurecidas de onde caía a chuva. Era giro!

Vale a pena ter memória, e até alguma nostalgia, desses tempos a que chamávamos "dias de chuva", que às vezes entristeciam as pessoas, mas a que felizmente se deve tanta poesia. Por vezes, confesso que já tenho saudades desses tempos bem longínquos, em que acordávamos e vivíamos, por horas e dias, com a tal chuva a cair sobre nós. Deixo-lhes aqui uma imagem antiga, de arquivo, desses tempos e o link de uma canção que, no Brasil, fizeram mesmo para comemorar tais dias.

9 comentários:

Pedro Vendas disse...

https://www.youtube.com/watch?v=w1G3rqVil1s

Anónimo disse...


É normal a memória pregar-nos partidas. É para evitar os enviesamentos da percepção que elas induzem, que existem os registos estatísticos. Se consultar os do IPMA ( ou os do ISA ), decerto encontrará muitas séries de anos com finais de verão secos, ou até anos inteiros com metade da pluviosidade média. Veja por exemplo o que se passou nos anos que se seguiram à 2ªGG.

Saudações.

JRodrigues

Portugalredecouvertes disse...

lembro-me dos dias em que íamos para a escola depois da chuva
íamos contentes em grande risada, com as sandálias na mão, para podermos bater com os pés no alcatrão molhado e nas poças que a chuva tinha deixado na berma das estradas!
era pura alegria:)

Joaquim de Freitas disse...

Pobre Embaixador : Esses que puxam conversa sobre se chove ou não chove - não poderão ir para o Céu! Lá faz sempre bom tempo...

gherkin disse...

Este invulgar comentário, nostálgico como é, surpreende-me. Surpreende-me pelo facto de ser proveniente de alguém que, com a sua bela prosa, normalmente se ocupa com temas mais contundentes. Além disso, fala-nos do tempo, neste caso da chuva. Influência britânica, dos passados tempos da sua permanência em Londres? Desses idos tempos em que se estava longe do impensável Brexit que atualmente domina?

Anónimo disse...

O Sr. Embaixador já deu conta que a nova geração não usa guarda chuva nem se recolhe nem estuga o passo quando chove?
Uns sentem a chuva, outros apenas se molham! Dizia BD.
Agora nem sentem nem se molham! As pessoas são estranhas como no tempo de JM

Anónimo disse...

Isto anda perigoso para uns e surpreendente para outros.
Nota-se muita nostalgia por tudo quanto é sítio. Mas o que já é um facto sabido é que o tempo não volta para traz. Ninguém sabe como, mas terá de se inventar tempos novos.
Os tempos antigos já se foram e em política não se conhece o vazio mas sim o caos. Fasten your sit belts. It's going to be a bumpy time.
Wait and see.

Anónimo disse...

"Por terras de Sua Majestade" chove e faz sol, lembrando-me um adagio da minha infancia "Ta a chover e fazer sol e a raposa enche o fole...". Nunca compreendi bem o adagio... mas constipada e nao gripada acabo de ler o prefacio do novo livro de John le Carre "The Pigeon Tunnel Stories from My Life". O prefacio promete: mete pombos, tuneis por baixo do casino de Monte Carlo e mais nao digo para nao lhe estragar o efeito surpresa.

Jorge Bem - irei ouvir daqui a pouco e trouxe-me vontade de ouvir Chico Buarque "Alo Brasil, alo Jorge Bem, eu vou de metro voce vai de trem". Livros e musica sao como as cerejas. E so comecar...

Saudades

F. Crabtree

Mônica disse...

Nossa Sr Francisco e eu querendo lhe perguntar como esta o tempo em Lisboa no fim de outubro e começo de novembro. Eu olhei na internet e marcava chuva. Estou ate levando uma sombrinha.E capa de chuva também. Devo tirar da mala?
com carinho Monica