terça-feira, 27 de setembro de 2016

Europa a dois tons


Estive ontem, sucessivamente, em dois exercícios "europeus".

O primeiro, de âmbito "luso-português". Coube-me coordenar um debate, à porta fechada (e sob a "Chatham House rule", isto é, podendo revelar-se o que se tratou, mas não podendo atribuir-se nominalmente as ideias expressas), com quinze especialistas nacionais, oriundos de diversas áreas. Tratava-se de preparar um documento com perspetivas portuguesas sobre o futuro da Europa, para integrarem um exercício intitulado "New Pact for Europe", organizado por várias fundações europeias.

Não obstante a heterogeneidade dos intervenientes, foi muito interessante constatar uma larga convergência de perspetivas, quer no diagonóstico da situação que atravessamos, quer nalgumas das principais perspetivas para o futuro. Não vou aqui elaborar sobre isto, a montante da síntese que outros têm a seu cargo, mas devo dizer que fiquei impressionado pela maturidade e pragmatismo do que foi dito. Sente-se a existência de um pensamento português sobre a Europa, já muito longe da agenda "paroquial" que fez escola por muito tempo.

O segundo exercício foi bastante diferente. Tratava-se de uma intervenção, num "mano-a-mano" com José Manuel Félix-Ribeiro, sobre geopolítica global, no meu caso competindo-me falar sobre a evolução do quadro dos "global players" nas últimas décadas. A audiência eram estudantes estrangeiros, na grande maioria europeus, pelo que a "questão europeia" acabou por ser o centro do debate, por quase uma hora. Foi curioso perceber as suas diferentes prioridades e preocupações, mas todos com uma agenda muito pertinente. 

A Europa mudou muito, desde os tempos em que me ocupava todos os dias. Faz-me bem "revisitá-la" nestas tarefas pontuais. Porque, qualquer que venha a ser o seu futuro, ele será sempre o nosso.

4 comentários:

Anónimo disse...

"O primeiro, de âmbito "luso-português". Coube-me coordenar um debate, à porta fechada (e sob a "Chatham House rule", isto é, podendo revelar-se o que se tratou, mas não podendo atribuir-se nominalmente as ideias expressas), com quinze especialistas nacionais, oriundos de diversas áreas. Tratava-se de preparar um documento com perspetivas portuguesas sobre o futuro da Europa, para integrarem um exercício intitulado "New Pact for Europe", organizado por várias fundações europeias"

Seria mais útil fazer a divulgação pública do documento que vier a ser aprovado

Que os outros jovens europeus mudaram muito, mudaram....já não já não vivem a "vulgata" comunista/socialista......






Francisco Seixas da Costa disse...

http://www.newpactforeurope.eu/

Anónimo disse...

New Bilderberg Show.

Anónimo disse...

"Que os outros jovens europeus mudaram muito, mudaram....já não já não vivem a "vulgata" comunista/socialista......"

puro bullshit


O amigo va a frança, hungria ou alemanha e vera que o jovens e as pessoas em geral pensam pouco na economia pensam mais nas questoes de segurança e integraçao... o comunismo e o socialismo entre muito de viés neste debate

Vendo o link que deixou o embaixador note-se que nas imagens nem um preto nem um arabe, sao todos branquinhos da fonseca

A questao fundamental da europa, na minha opiniao, claro esta, sera de como se fazer com estas gentes. A questao civilizadora é a fundamental no meio disto tudo. Temos nos europeus uma civilizacao que queremos impor ou construir e que alguma maneira achamos superior, por exemplo, à sharia (que 33 dos muçulmanos de frança disse ser por)? Esta questão não é de esquerda nem é de direita, basta lembrar a superioridade moral do comunismo...

Que europa construir feita por exemplo por yes boys, alguns dos quais pouco conctaram com outras classes sociais/ raciais ao longo da vida?


Pensar que nao se tera tratar da integracao das comunidades e de uma escolha dentro das pessoas que queremos europeias é dizer que ou se tapam os olhos ou se os expulsam ou matam todos. Nao me parecem boas solucoes.


Haveria ainda de saber como os europeus se veem uns ao outros e pensar nas dificuldades que temos em sair dos clichés, (o portugues manhoso, o alemao nazi etc) e relacionà-la com este assunto das integraçoes.

A questao das elites desconectadas da realidade e do povo perdido entre antigas classes trabalhadores deempregadas e jovens imigrantes é um assunto de cabal importancia que nao tem sido resolvido e é a razao de todos os extremos

cumprimentos