quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Diana


Num dia, creio que de 1992, entrei no San Lorenzo, um restaurante italiano em Beauchamp Place, em Londres, para almoçar com um amigo inglês. Encontrei-o de pé, junto ao balcão do bar, logo na entrada, e comentei: "Bela escolha de restaurante! É aqui que a princesa Diana costuma vir".

Semanas antes, tinha vindo a público, na "popular press", que a mulher do príncipe Carlos era amiga da dona do restaurante, de que era regular frequentadora. Quase um ano depois, as más línguas, a começar pelo biógrafo Andrew Morton, espalharam que o restaurante servia a Diana como "eixo" para encontros extra-conjugais.

O meu amigo não sabia nada disso. Mas, nem um minuto era passado, arregalou os olhos e disse: "Está a entrar a princesa Diana!". E era verdade. A senhora, como às vezes acontece, era mais bonita ao vivo do que em fotografias. Sentou-se com uma amiga numa mesa, connosco com o almoço positivamente perturbado pela coincidência.

Voltei a vê-la duas vezes mais. Numa receção em Buckingham Palace, quando sopesou a Cruz de Cristo que Duarte Ramalho Ortigão trazia ao pescoço (eu tinha outra igual, mas ela "escolheu" o Duarte, vá-se lá saber porquê) e perguntou ao embaixador Vaz Pereira porque não tinha também aquela bonita comenda, o que o levou a responder, com a habitual graça: "I'm working for it, Your Highness!". Depois, por último, no jantar que Mário Soares ofereceu à raínha Isabel II na nossa residência, em Belgrave Square, um dos escassos lugares estrangeiros em Londres onde a soberana se desloca e, muito provavelmente, a única manifestação que sobrevive da "Oldest Alliance".

Diana tinha um olhar suave e sedutor, que sempre comparei à trajetória de algumas bolas "puxadas" de ping-pong: descia e voltava a subir em direção ao interlocutor. Parecia frágil e, de facto, era. 

Passam agora exatamente 19 anos sobre a sua morte, num acidente no túnel de Alma, em Paris, sobre o qual está uma escultura de uma chama dourada que, embora nada tendo a ver com o desastre da princesa, recolhe diariamente as flores de quem dela gostava. Hoje, deve estar cheia delas.

Aqui fica uma fotografia igual à que ela dedicou aos seus dois grandes amigos Maria Lúcia e Paulo Tarso Flecha de Lima, embaixadores brasileiros em Londres, que me recordo de ver então na sua residência.

6 comentários:

Jose Tomaz Mello Breyner disse...

Vivi um ano em Lennox Gardens, mesmo ao lado de Beauchamp Place, e ia muito ao San Lorenzo e conheci bem a Mara e o Lorenzo. Achava graça ao letreiro à porta que dizia "no plastic" devia ser dos poucos restaurantes de Londres que não aceitava CC. Adorava lá comer uma massa com salmão fumado.

carlos cardoso disse...

Há duas pessoas, mundialmente populares, que eu abomino: a princesa Diana e a madre Teresa. Reconheço que a Diana era muito mais bonita que a outra bruxa.

Manuel Silva disse...

Carlos Cardoso:
Eu então não abomino ninguém em particular.
Mas ABOMINO e estupidez de algumas pessoas que se tomam por humanas.

Jose Tomaz Mello Breyner disse...

Manuel Silva

Muito bem dito.

Anónimo disse...

Muito bem escrito Carlos Cardoso: ambas eram umas inúteis manipuladoras. Verdade seja dito que se a bruxa de Calcutá lixava a (pouca) vida aos moribundos, a de Londres lixava a cabeça a todos os vivos!

Anónimo disse...

Ainda se lembram desta fulana? se todos fossem tão cedo como ela embora bem nós estavámos.