sábado, 17 de setembro de 2016

Coscuvilhices


Alguém a quem determinadas informações foram prestadas, numa conversa discreta, terá o direito, mesmo que muitos anos depois, de vir a público revelá-las, sabendo claramente que, com isso, quebrou a confiança que foi posta em si? E, em especial, se a revelação dessas conversas vier a afetar a imagem de pessoas, vivas ou já desaparecidas, será eticamente aceitável publicar - nas redes sociais, na imprensa ou em livro - tais dados? A resposta parece evidente para toda a gente, mas, aparentemente, para alguns, não o é.

Todos nós, uns mais do que outros, somos depositários de alguns segredos que nos confiaram, ou de episódios delicados que testemunhámos, em contexto profissional, com a segurança ética de que nunca os tornaríamos públicos, em moldes que possam prejudicar alguém. Na vida política e diplomática, como é natural, muitas coisas se sabem, desde questões correntes a algumas histórias de alcova. A regra a seguir é muito simples: para além do "bom gosto" nos temas a abordar, daquilo a que assistimos ou nos foi dito em confidência, só pode ser divulgado o que não afete o interesse do Estado ou, ainda que minimamente, a imagem das pessoas envolvidas ou mencionadas. Nem mais, nem menos.

Não conheço ainda um livro que se anuncia trazer umas dessas historietas de "diz-que-diz-se". A confirmar-se que insere algumas revelações que já foram indiciadas, esse "tablóide encadernado" deverá ser exposto ao opróbrio público. Se não foi possível evitá-lo, ao menos que sirva de mau exemplo. Mas, quando não há vergonha, não há remédio.

13 comentários:

Anónimo disse...

"Quebrou a confiança que foi posta em si" - levante-se a primeira pessoa que confia em Saraiva.

Anónimo disse...

Acho que tem toda a razão. A ser verdade é inacreditável (no sentido de indecente)
João Vieira

Anónimo disse...

Não há um postezinho sobre o Palácio da Ajuda?

josé ricardo disse...

Pois é, lá volto eu, desgraçadamente, ao clube do não li e não gostei.
O sr. diretor do jornal sol parece que tem no ex-primeiro-ministro um seu fiel respeitoso admirador. Lopotegui disse um dia de uma personagem que anda para aí em concursos de comentário futebolístico, de seu nome rui Gomes da Silva (fui ao Google ver o nome da coisa), que estava surpreendido como é que esta pessoa foi ministro da República. A resposta parece clarificada quando nos lembramos que o primeiro-ministro era o Santana Lopes.
Pois bem, parece que se começa a chegar, paulatinamente, a um desiderato mais ou menos consensual: como é que este homem - Passos Coelho de seu nome - consegue ser primeiro-ministro de Portugal! (ponto de exclamação).

Anónimo disse...

Pedro Passos Coelho foi Primero-Ministro de Portugal eleito pela maioria dos votos dos Portugueses em 2011.

Foi eleito para tentar tirar este país da bancarrota em que então se encontrava e conseguiu-o.

Anónimo disse...

Está tudo mortinho por "saber" quem "dormiu" com quem! Ás tantas ainda aparecem algumas descrições hilariantes tipo direita e esquerda, grupo parlamentar, assuntos tripartidários ou um conselho de ministro no meco etc... Se for isto, não podendo provar, o que me parece impossivel, o "escritor" não tem mesmo mais nada para fazer. Ponham-lhe uma enxada nas mãos e mandem-no cavar batatas. Se provar, a "coisa" já é diferente e a discussão pode ser, nalguns casos, do interesse publico. O "padrinho" pelos vistos só quer aparecer e ver a capa. O que está dentro não lhe diz nada... Como foi possível? Será que apadrinharia a tradução para mirandês de "a minha luta"? Já não digo nada...

Fernando Frazão disse...

Pois sou sócio do mesmo clube do José. Não li e não gostei.
Dito isto, o livro vai ser um "best-seller". Ninguém vai resistir a espreitar pelo buaco da frchadura e os "média" e as redes sociais vão ter assunto para muito tempo.
Haja paciência.

Carlos Fonseca disse...

Tal como o comentador José Ricardo, também não li, não vou ler, e não gosto nem percebo que uma editora, aparentemente decente, esteja disponível para publicar o que, a ser verdade (apenas) o que já foi revelado, não passa de uma indignidade. Um nojo.

Mas, se me surpreende que a Gradiva alinhe, não me surpreende que o inventor do saco de plástico para acondicionar jornais, se dedique a enxovalhar terceiros, incluindo alguns, que por terem morrido, não lhe podem dar as "bengaladas" que ele merece. Mas espero que os seus descendentes não deixem de lhe fazer sentir na pele que as canalhices nem sempre passam impunes.

Anónimo disse...

PPC teve "coragem" para cortar salários e serviços e vender monopólios de serviços básicos. Mexer nos sequazes, apanágio aliás, de todos os partidos, é que não lhe chegou a coragem. Saimos da banca rota mas o Estado ficou ainda mais roto. Ele acredita que isto funciona sem Estado? Devia ter dito isso antes e se calhar a eleição seria outra.
É preciso muita imaginação para dizer que foi ele que nos tirou da banca rota!
Não! Fomos nós que saimos da banca rota custasse o que custasse e sem bufar. Mas a esperança piorou drásticamente com a "terra queimada" em que o Estado está!
Agora vem apadrinhar mexericos! É isto que temos!

Anónimo disse...

Este livro, por quem o escreveu, por quem o edita e por quem o apresentará (apesar do apresentador, não o ter lido), nunca o irei ler. Teria muita vergonha de mim. Só espero que vá ser um estrondoso fracasso editorial, financeiro e de prestígio. Tudo de mau, desejo, ao trio!.

Manuel Silva disse...

Para o Apparatchik do PSD que se apresenta como Anónimo (de 17/9, às 17:53):
Disse: «Pedro Passos Coelho foi Primeiro-Ministro de Portugal eleito pela maioria dos votos dos Portugueses em 2011.»
Certo, mas o voto dos portugueses também elegeu outros trastes semelhantes ou piores.
Estou a pensar num em concreto, que tenho a certeza este Apparatchik concordará comigo que foi (é) um traste (que espero a Justiça julgue).
Portanto, o critério do voto dos portugueses para validar a eleição do Passos é curto.
Disse: «Foi eleito para tentar tirar este país da bancarrota em que então se encontrava e conseguiu-o.»
Falso, quem tirou o país da bancarrota foram os países e instituições que nos emprestaram dinheiro.
Empréstimos como este já ocorreram noutras ocasiões, com outros primeiros-ministros.
Quanto a ter tirado o país da bancarrota, recebeu-o com 112% de dívida e deixou-o com 130%.
Expulsou 500 mil portugueses dos mais bem preparados e em idade mais activa.
Fez disparar o desemprego para mais de 17%.
Entregou ao preço da uva mijona a estrangeiros e a amigos os nossos melhores recursos (os CTT há muito que davam lucro ao Estado, agora dão-no a privados).
Cortou sem dó nem piedade os rendimentos dos mais pobres.
Fez perder 6,5% do PIB com a recessão provocada.
Se é verdade que o país cresceu 1,5% em 2015 (as eleições operam milagres), não é menos verdade que os sinais de decréscimo desse crescimento se fizeram sentir desde pelo menos o Verão desse ano, pelo que o que se passa hoje está em linha com essa trajectória que se desenhava.
Portanto, a obra desse cromo foi muito mais negativa do que quer fazer crer.

Anónimo disse...

Por acaso também não elegeu a "ministra" das finanças (ainda ontem de cueiros)que devido aos sacrifícios do mealheiro dos progenitores ano após ano, grão a grão permitiu, que hoje, o bem aventurado povo português aceite uma proposta para que "os ricos e médios ricos" pagarem o que desviaram desde o PREC no tempo dos progenitores.

Lembro em 75 o "otelo": Vamos acabar com os ricos em Portugal, resposta de Olaf Palme: Aqui na Suécia, queremos acabar com os pobres.

Anónimo disse...

A liberdade de opinião e escrita é sinónimo de democracia, custa a quem custar, de esquerda ou de direita,cnovém não esquecer Orwell, Chavez, Pinochet e outros "walking deads" que ainda andam por aí.....