quarta-feira, 6 de julho de 2016

O relvado e não só


Há quase três anos, num almoço na Universidade Autónoma, com a qual eu iniciara uma colaboração, fiquei sentado ao lado de Raquel Vaz-Pinto. Conhecia-a de intervenções televisivas sobre temáticas internacionais e foi por aí que a nossa conversa começou, com toda a naturalidade.

A certo passo, naquelas voltas que os diálogos soltos dão, veio à baila o futebol. E logo descobri na Raquel, não um benfiquismo ligeiro, mas um lampionismo sofisticado. A Segunda Circular que nos dividia não estragou a conversa, bem antes pelo contrário. É que o amor da Raquel ao seu clube, não era um carnidismo primário: era servido por um conhecimento detalhado e profundo de todo o mundo do futebol, das táticas às histórias das agremiações e das seleções. O que ela sabia! E isso era fascinante.

Um dia, fomos almoçar os dois e, com os minutos a passarem rápidos, numa conversa super-interessante, fiquei positivamente esmagado por toda aquela "aficción", pelo prazer puro no saborear do encanto da modalidade, pela capacidade de análise das jogadas, de golos históricos, de nomes - de jogadores, de treinadores e de líderes de equipas - que deram glória ao desporto. A Raquel confessou-me que via imenso futebol com a família, no seu pouso alentejano, e que, desde criança, sempre jogara "à bola"...

Há poucas semanas, a Raquel Vaz-Pinto publicou, numa daquelas edições lindíssimas da "Tinta da China" (às vezes apetece-me escrever um livro só para o ver editado por aquela casa), o "Para lá do relvado - o que podemos aprender com o Futebol".

Raramente me diverti (e aprendi!) tanto com um texto sobre uma modalidade desportiva tão emocionante como é o futebol como com este livro. Por ali passa uma vida imensamente atenta ao fenómeno futebolístico, à sua história e às suas histórias, com um fascínio particular pelo mundo do "calcio" italiano. O facto da Raquel ser uma politóloga, com uma profundidade de análise nas dimensões internacionais, ajuda-a a melhor situar os fenómenos nos seus contextos nacionais e à escala global. Saí da leitura deste livro muito mais rico e, claramente, consciente de que sou um imenso ignorante ao pé da cultura futebolística da Raquel. E, com sinceridade, com uma imensa admiração por ela - uma figura qualificada do mundo académico que tem a coragem de "trabalhar", com devoção e saber, um outro mundo, feito de emoção e técnica, que é o futebol.

A esta hora, a minutos desse jogo que ditará se passamos à final do Europeu de futebol, vejo ali, na RTP 1, a Raquel perorar, ao lado de "catedráticos" da bola, com uma rara profundidade de análise (só liguei o som para a ouvir!). Como eu gostaria de saber de futebol como ela sabe! E, aqui entre nós, que pena tenho que ela não seja do Sporting! Mas isso não vai ser possível...

Leiam o livro da Raquel Vaz.Pinto! Mesmo os sportinguistas (a capa é verde...)! Quem gostar de futebol e do fenómeno futebolístico no mundo, garanto - a 100% - que não se arrependerá.


7 comentários:

Majo Dutra disse...

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Pela seleção, por Portugal e por nós - V

Sem cátedra - Tchim-Tchim!
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Anónimo disse...

Vou ja encomdendar. A tinta da china e 1 grande editor. E que nao fosse. o titulo e aliciante

Saudades

F Crabtree

A Nossa Travessa disse...

Chicamigo

Mesmo senda a autora uma vermelhusca, palavra de honra que vou comprar e ler. Gosto muito do futebol, adoro os nossos leões!

Mas hoje (ontem) foi dia de festa: mandámos os galeses para o País deles... CR7 e Nani produtos do Sporting marcaram os golos! Viva Portugal!!!!!! Viva o Sporting!!!!!!

Abç do Leãozão

Luís Lavoura disse...

Pois. Mas eu quando vejo este apelido, Vaz Pinto, fico com uma recordação, talvez errada, de uma outra pessoa com o mesmo apelido, fundamentalista católica, o que me causa uma urticária do caraças. Não seria capaz de ler um livro com tal apelido na capa.

Luís Lavoura disse...

Ainda por cima parece que o livro está escrito na ortografia antiga, cheia de letras que não se lêem, o que também me irrita. Pessoas antiquadas e retrógradas, arrenego.

o Merceeiro disse...

isto de se misturar alhos com bugalhos, também, me faz, mas é, uma orticária*, mas é, do caneco.
* esclareço que é mesmo orticária.

Anónimo disse...

sem dúvida essa copa é do Cristiano Ronaldo...