segunda-feira, 18 de julho de 2016

Guerra civil de Espanha

Faz hoje precisamente 80 anos que teve início um dos mais trágicos conflitos europeus - a guerra civil de Espanha. Entre 1936 e 1939, centenas de milhares de pessoas perderam a vida ou foram vítimas desse tempo que dividou o país, para muitos até hoje.

No cruzamento central das Pedras Salgadas existe uma casa branca, com uma pérgola num terraço, onde hoje funcionam a Junta de Freguesia e os Correios. Ao tempo da Guerra Civil ali estava instalado o "Hotel Colonial", que pertencia a duas senhoras da minha família. Eram pessoas sem a menor ligação à política, muito provavelmente de pendor conservador. E, no entanto, por uma razão que não cuidei de esclarecer atempadamente, elas acolheram, durante alguns meses, um cidadão galego, que era um refugiado "rojo". Passava os dias escondido num grande armário de madeira (!). Terá sido um ato humanitário, intermediado por alguém conhecido, que implicava evidentes riscos, num tempo de ditadura Portugal.

Esse refugiado acabaria por ficar por Portugal, estabelecendo-se como industrial em Chaves, onde veio a tornar-se uma personalidade local muito conhecida. Permaneceria, para sempre e até ao fim da vida, um grande amigo da minha família. Era uma figura que recordo ter encontrado por várias vezes, em idas a Chaves com os meus pais, no café de que era proprietário, o "Aurora", uma casa que hoje ainda existe. E de visitar, em diversas ocasiões, o café homónimo, propriedade dos seus familiares, existente em Verín, do outro lado da fronteira.

Esse refugiado e depois amigo espanhol, pertencente ao "velho" PSOE, chamava-se Avelino Sola Castro. É a memória dele que, no dia de hoje, pretendo saudar - e, nele, todos quantos lutaram pela liberdade em Espanha.

4 comentários:

o Merceeiro disse...

mais um acontecimento de Heroísmo e Liberdade tragicamente eliminada a par da traição e da cobardia que devia ser mais conhecido até pelo que se passa hoje neste pequeno planeta. infelizmente lembro-me sempre deste triste episódio à sexta-feira quando leio o Diário Notícias. como é costume dizer-se: eles continuem a andar por aí !

Fatima MP disse...

Sr. Embaixador,
esse refugiado galego de que fala com tanta simpatia e amizade - Avelino Sola Castro - é pai de 3 amigas minhas, uma delas, Helena, para além de grande amiga, também minha comadre, devido a nossos filhos terem casado. Já por duas vezes que eu deparo aqui no seu blog, de que sou assídua, com referências carinhosas e elogiosas ao pai da minha amiga, que eu não cheguei a conhecer, mas que sempre me despertou a maior curiosidade e simpatia pelas histórias divertidas que ela conta, traçando do pai uma figura profundamente humana, solidária e generosa, porém, com aquele tantinho de humor e de "joie de vivre", que faziam dele essa pessoa realmente especial e querida por todos, que o Embaixador tão bem recorda.
Das duas vezes eu enviei o post à minha amiga Helena e ela sempre se emociou muito. Penso, até, que ela estará tentando lhe agradecer pessoalmente essas referências públicas ao pai, dado que existem amigos comuns. Por mim, gostaria de lhe dizer – porque imagino que gostará de saber - que muitas dessas qualidades que atribuem ao pai, eu reconheço nas filhas e nas netas, pessoas maravilhosas, super especiais, com quem tenho a sorte de conviver e de ser amiga.

Portugalredecouvertes disse...


sobre o assunto, temos na cidade de Loulé o edifício conhecido com o nome de Palacio dos Espanhóis, porque foi casa de abrigo para refugiados da guerra civil de Espanha:

http://www.igogo.pt/palacio-de-gama-lobos/


O Palácio Gama Lobos é um edifício nobre, brasonado, datado da segunda metade do século XVIII, e constitui o mais emblemático exemplar datado deste período existente em Loulé. É também conhecido por Palácio dos Espanhóis, pelo facto de ter acolhido os refugiados espanhóis durante a Guerra Civil....

alvaro silva disse...

Pelo visto o "cagaço" do sr Sola de Castro em ser repatriado pela famigerada P.I.D.E. nunca chegou a acontecer e ainda bem que assim foi. não foi por falta de conhecimento da mesma, foi sim por uma questão humanitária. afinal o dr. Salazar era bem mais magnânimo do que os "rachados" do partido da marreta e foicinha ou dos reviralhistas de bigode retorcido querem fazer crer, Eu conheci bem o capitán Celso da aviação "roja" , natural de Vigo, que parava em Caminha cerca de 30 anos e que clandestinamente ia visitar a família a Espanha e nunca foi denunciado. Toda a gente sabia que era, que não tinha crimes de sangue e que retornou legalmente a Espanha com a amnistia de 1968. e tantos outros em Valença que foram industriais de Madeira (Puig) Chocolates (Valenciana) e fábrica de botas de borracha, todos refugiados e não devolvidos ao general Franco, se calha só tinham queimado alguma igreja, mas como não mataram o "cura" o dr Salazar deixou-os por cá andar.