quinta-feira, 14 de julho de 2016

Contra a corrente


Sei que vou ser cruxificado como um irrecuperável "cota", mas prefiro sê-lo a calar uma indignação. E essa é o facto de, aparentemente, ter passado a ser moda pronunciar em público, ou usar com à vontade "modernaço" nas redes sociais, algumas palavras que a educação sempre me levou a designar como palavrões.

Já antes de um inesperado herói desportivo se ter permitido, há dias, usar em público, perante milhões de portugueses e o gáudio visível da turbamulta, uma dessas expressões, as redes sociais estavam já cheias delas, na boca ou na tecla de gente "crescidinha", cultivada e educada, de quem eu esperava alguma contenção. A esses, eu gostaria de perguntar se achariam graça que um seu filho ou neto trouxesse para a mesa ou para o convívio familiar algo que passasse além do "fogo!", ou do nortenho "carago!", fórmulas com que se edulcora, de forma envergonhada, o convívio com algum vernáculo. Mas talvez não se importem e, nesse caso, está tudo dito!

20 comentários:

Dalma disse...

Sr. Embaixador, e o "à séria" não o incomoda? E olhe que há muita gente com responsabilidades que o emprega! A mim, que fui professora, põe -me os cabelos em pé!!

Anónimo disse...

Eu fui aprendendo de pequeno que tudo depende do meio, da região e do contexto. Miúdo que em Lisboa diga "carago" à mesa, levaria se calhar uma galheta. Aliás, já ouvi bem pior no Norte, de senhoras que não eram exactamente peixeiras do Bolhão, sem grande escândalo. E, obviamente, não se estaria à espera que o Cristiano Ronaldo, no meio de um jogo, naquelas circunstâncias, dissesse "Ó meu caro e prezado amigo Nani, não se importa de chutar a bola para a baliza, com a força e técnica suficiente para marcar um golo"? Obrigado pelo obséquio" ;). Vai-me desculpar, mas só fica escandalizado que tem mesmo muita vontade de ficar escandalizado.

Anónimo disse...

Faça-se como um que conheço que só diz asneiras em inglês! "Fuck, shit, shit, isto não está como eu quero!"

Zuricher disse...

Eis algo em que estamos plenamente de acordo! Não receie o apodo de "cota" por este motivo. Sou uns trinta anos mais novo e acho exactamente o mesmo. Mais, cá para os meus botões, sempre vou continuando a achar que o uso de palavrões é simples falta de educação e não qualquer forma de expressão moderna.

ignatz disse...

acho que as pessoas se devem exprimir livremente e como querem e lhes apetece, em vernáculo, com aspas, françiú ou mesmo amaricano, o resto é censura xenófoba ao serviço da snobeira e preconceitos de educação. é lamentável que ao fim de 40 anos ainda haja gente que não aprendeu nada com a democracia e queira impôr um modelo de expressão estado novo, só falta ressuscitar as 25 linhas azul tournesol.

Guerra disse...

Boa sr. embaixador. Ter "modos" no escrever e no falar. Era assim que a minha manhãzinha, que Deus tem, me repreendia quando tomava a liberdade de ir mais além do que o recomendável "isso são modos de dizer?" e tinha sorte quando a pergunta não vinha acompanhada de uma sonora bofetada como mandavam as regras, mas eu já sabia que a repreensão não caia em saco roto.

Cumprimentos cá da Bila

Portugalredecouvertes disse...

Sim senhor, acho que o uso de palavras de "mau gosto" é como a liberdade, termina onde se torna uma afronta para os outros. A liberdade será respeitar os limites dos outros, também a utilização de expressões que poderão ser usadas sem problemas em certas circunstâncias ou épocas, não o deverão ser se constituírem ofensa ou violência para quem as presencia

Anónimo disse...

Caro embaixador

estou de acordo consigo, quando for a arabia saudita, sobretudo nao mostre a perna!

e de preferencia venda umas armas!...


cumprimentos

Joaquim de Freitas disse...

E no fim de todas estas opiniões sobre a utilização de palavrões, que detesto e nunca utilizei, porque não traz nada de valor ao indivíduo, penso também que, infelizmente, não se deve esperar « traços » de educação e cultura em « artistas » dos pontapés na bola, que nunca brilharam nestas disciplinas. Em França, basta ouvir um minuto Zidane e Ribery e muitos outros, para compreender que muitos jogadores não “perderam” tempo nas escolas. Mas há muitas excepções, felizmente.

Mas o autor do palavrão da Alameda, ficará na história, enquanto que um bom autor dum bom livro, será esquecido no fim do ano. Foi pensando neste aspecto do mundo do desporto que escrevi isto há dias: - “Mas, sobretudo, quando sociedades inteiras têm como principal ponto de referência uma bola em forma de cabeça, e pés no lugar do cérebro, talvez seja preciso questionarmo-nos sobre o futuro da humanidade.”

Anónimo disse...

É pena não dirigir a sua indignação azeda para o facto de a nossa estrela maior ter ido para o Palácio de Belém com uma bandeirinha regional aos ombros, numa clara demonstração de saloíce bairrista. Para já não falar de umas valentes Super-Bock de lata emborcadas por lá.

Anónimo disse...

Mas estão todos a falar a sério? Ofenderam-se por o Cristiano Ronaldo dizer um palavrão em campo e invocam a educação transmitida pela mãezinha? Eu não acredito, tudo isto ridículo demais… às vezes tenho inveja da alegria e espontaneidade, até nos palavrões, dos espanhóis. Sai-se da fronteira e até se respira melhor. Eu peço desculpa, mas isso que dizem é mesmo sincero?

Anónimo disse...

Os filhos dizem os palavrões que os pais dizem! Não percebo onde está a "falta" de educação!
Lá no ténis há um que, quando falha, diz: MERDE!

Anónimo disse...

Oh Freitas, se você escreveu uma máxima, só há que esperar que a Humanidade a respeite! Perdida ela estará se não ler atentamente as suas sábias palavras!

Anónimo disse...

Infelizmente, há quem não diga palavrões mas se dedique a dizer/escrever asneiras.

Anónimo disse...

"Infelizmente, há quem não diga palavrões mas se dedique a dizer/escrever asneiras."

É verdade. E pode insultar-se alguém sem dizer-se um único palavrão. O problema é que por cá se confunde a falta de educação com o dizer palavrões.

ignatz disse...

aqui na casa é recorrente confundir vernáculo com falta de educação, dá muito jeito a quem não tem argumentos e enche de razão quem censura. é o labo b do "anónimo é cobarde", clássicos da net, bastante riscados, mas que ainda agradam a muita gente, especialmente à malta do "oh tempo volta pra trás".

Anónimo disse...

Convém dizer que o caso a que o Emb. se refere foi da autoria do Éder, com um sonoro "Hoje é feriado, pénis!"

Isabel Seixas disse...

De facto Sr. Embaixador eu também me sinto pouco à vontade, inculcaram-nos isso de tal forma... Agora eu consegui ficar tão contente e abstrair-me uns segundos das outras duras realidades que não me fez qualquer aflição...

Ri-me foi a bom rir com o comentário do comentador de 15 de julho das 16:54 está o máximo, parabéns, assim de forma "anaTómica" perde o picante...

Anónimo disse...

Pois eu..... como sou pouco informado recuso-me a ver televisão e nem tenho nenhum aparelho desses em casa já há uns muito bons anos. Assim não vejo a desgraça a que chegámos. O ser pouco informado ajuda a prolongar a vida sem desgostos.

Anónimo disse...

Sabe Sr. Embaixador, infelizmente, quem não teve chá em pequeno, não vai ser em adulto que o vai ter.
Anonima