quarta-feira, 13 de julho de 2016

Clostermann em Vila Real


Ontem, num texto numa rede social, um familiar de alguém que teve funções muito relevantes na aeronáutica portuguesa falava de Pierre Clostermann e, de repente, veio-me à memória um episódio de que tenho um registo incompleto.

Noto, para quem não saiba, que Pierre Clostermann foi um célebre piloto francês durante a Segunda Guerra Mundial. Nascido no Brasil, filho de um diplomata, Clostermann integrou as forças gaullistas durante o conflito, combatendo integrado na Royal Air Force e, após o termo da guerra, fez uma carreira política em França. Publicou pelo menos três livros, de que tenho um exemplar do mais famoso, "O Grande Circo". Morreu em 2006, aos 85 anos. Alguém, também nas redes sociais, referiu hoje que Clostermann terá sido proprietário de uma casa de férias em Sesimbra.

Ao ler o nome de Clostermann, veio-me à memória uma história que sempre ouvi na minha família. Um dia, que dato nos anos 50, um avião pilotado por Pierre Clostermann foi obrigado a fazer uma aterragem de emergência na Campeã, uma localidade perto de Vila Real. O piloto, que terá saído ileso dessa arriscada aterragem, foi trazido para a cidade, onde se hospedou por uns dias no Hotel Tocaio. A cidade pacata que Vila Real então era ficou em polvorosa com a presença de Clostermann. É tudo quanto lembro ter ouvido.

Alguém, em Vila Real, terá memória deste episódio? Algum dos jornais locais o referiu? Ou a censura achou mais conveniente que a imprensa "ignorasse" o assunto? Se o meu amigo Elísio Neves, o mais qualificado "vilarrealógrafo" à face da terra, não sabe do assunto, então ninguém saberá!

EM TEMPO: Aqui vai o que me chegou de um amigo de infância, Antonio Lopes, através de um contacto:

"O piloto fez uma primeira tentativa de aterragem no Alto Velão, acabando por efectuá-la na zona da Sardoeira (Campeã) tendo saído ileso. Passados três ou quatro dias, foram colocadas chapas de ferro ao longo do vale, numa determinada extensão, para uma tentativa de levantamento de voo, que não resultou. Assim, como solução, desmontaram as asas do avião que foi posteriormente rebocado para Vila Real e depois levado para a pista da Chã-Alijó. Aí foram novamente colocadas as asas e levantou voo rumo a França." Este facto é datado de 1958.

3 comentários:

o Merceeiro disse...

há coisas do caneco. realmente do caneco. li este livro “o grande circo” teria para ai os meus 16 anos. Lembro de contar ao meu pai algumas das passagens do livro quando o ia visitar a Peniche. Eu bastante empolgado e ele com paciência a ouvir-me. Depois perdi o rasto ao livro (coisa para mim imperdoável em termos de livros). Muitas vezes ao longo destes 63 anos me tenho lembrado dele (a sério, juro), e agora cai-me aqui “no prato da sopa”. É do caneco. Obrigado sr Embaixador nem sabe como estou emocionado. Coisas de gajo antigo !

o Merceeiro disse...

peço desculpa, é 53 e não 63. o gajo é antigo, mas não tanto.

Manuel Goncalves disse...

Um dos mais famosos asses franceses da II Guerra Mundial. Terminou a guerra aos comandos de um Tempest, com a insígnia da Cruz de Lorena, baptizado com o nome de "Grand Charles" em homenagem ao Gen De Gaulle. Alem do "Grande Circo", recomendo a leitura de "Fogo no Céu" e "Une Vie pas comme les autres", obras que com alguma paciência se encontram a venda na Net. Conheço bem o percurso de P Closterman, mas desconhecia o episódio da sua aterragem em Vila Real. Muito agradeceria se alguém pudesse fazer luz sobre esse assunto.
Cumps
FGoncalves