quinta-feira, 12 de maio de 2016

Fernanda Câncio

Creio que nunca encontrei pessoalmente Fernanda Câncio, a jornalista do DN que foi namorada de José Sócrates. Apenas falámos telefonicamente duas vezes: aquando de um perfil que estava a redigir sobre uma efémera figura política da nossa praça que era minha conhecida e a propósito da comunidade portuguesa em Paris, depois dos atentados terroristas de há meses. Aqui entre nós, reconhecendo que escreve bastante bem e tem uma frontalidade e uma coragem não despiciendas, estou muito longe de fazer parte do "clube de fãs" das suas cruzadas pelo "politicamente correto" em questões de género e outras temáticas "fraturantes", em que se soma, com regularidade, à agenda obsessiva do Bloco.

Escrevo motivado pelo longo artigo que Fernanda Câncio ontem publicou na "Visão", onde descreve, com pormenor, a saga em que se vê envolvida nos dias que correm, por ter sido arrastada para todo esse magma de lama que dá pelo nome de "Operação Marquês". Li aquilo e não quis acreditar. E não sei o que mais me chocou: se o reino kafkiano em que se tornou o nosso sistema de justiça (e de injustiças), um polvo à solta, aproveitado por alguns e que se projeta como uma séria ameaça sobre todos; se a canalhice de alguma dita comunicação social, confrades profissionais de Fernanda Câncio. Noto esta frase significativa: "Não tenho forma de ganhar esta guerra porque o simples facto de a travar significa que já a perdi". Os patrulheiros que só leem "as gordas" e estão à coca de tudo quanto possa favorecer o caso contra o antigo primeiro-ministro desiludam-se: de nada do que Fernanda Câncio diz no texto se pode inferir qualquer juízo sobre a inocência ou culpabilidade de Sócrates - tema que não é para ali chamado.

Repito: não conheço Fernanda Câncio mas, depois de ler o que escreveu, quero daqui deixar-lhe a minha solidariedade. Ela não precisa dela para nada, mas a mim faz-me falta dar-lha para ficar de bem comigo mesmo.

12 comentários:

Anónimo disse...

Sintoma da nossa falta de professionalismo, o acordão histórico de 4 de Maio que deu uma trepa ao Procurador obrigando-o a revelar integralmente de que Sócrates é acusado, continua a não estar disponível no sítio web do Tribunal Constitucional...

Anónimo disse...

Se não se pode inferir nada do texto, para que serve? Para que o escreveu?
...Bem, pelo menos uns voltam a chamar nomes à justiça... e outros à jornalista...

Anónimo disse...

Como sabe bem ler um texto assim!
O Senhor Embaixador pode bem dar-se por satisfeito. É "sem sombra de dúvida" um Homem livre e independente.

Anónimo disse...

«Li aquilo e não quis acreditar»

O Embaixador espanta-me ! Por onde tem andado ?!

A mim o que me custa acreditar é que vozes que se fazem facilmente ouvir, como a sua, se mantenham estranhamente arredadas da discussão sobre o funcionamento do nosso sistema de justiça.

JRodrigues

Majo disse...

~~~
Muito bem!
~~~~~~~~~

Fernando Frazão disse...

Jogos de Guerra é um filme de 1963 feito em plena guerra fria.
A "bottom line" do filme é simples:
"A única maneira de ganhar certas batalhas ou guerras é não as travar".
Um abraço ao Sr. Embaixador e a minha solidariedade à Fernanda Câncio.

Anónimo disse...

Caro Francisco,

Concordo inteiramente.

Um abraço

JPGarcia

josé ricardo disse...

Apetece-me dizê-lo: não li e não gostei!
Pronto, já disse!
Um abraço.
José Ricardo

Anónimo disse...

José Socrates acabou com as férias judiciais, passou os magistrados de um serviço de saúde mais favorável para a A.D.S.E., deixou de pagar aos juízes subsídio de renda na reforma e ao que consta ainda lhes tirou uns emolumentos. Era bom que a Justiça avançasse de vez com este repelente processo para não se poder pensar que são essas as únicas causas do processo e acabassem de conspurcar todos os que o rodeiam.
Fernando Neves

RSC disse...

Pois eu acho que o depoimento diz muito sobre o carácter de JS, que é de arrepiar e não deve ser branqueado.
Mas "o reino kafkiano em que se tornou o nosso sistema de justiça (e de injustiças) e a canalhice de alguma dita comunicação social" como dolorosamente diz o Sr. Embaixador, ainda torna tudo mais tenebroso.
Melhores cumprimentos
RSC

João Pedro Lopes disse...

Pedir dinheiro emprestado a um amigo é eticamente reprovável; aproveitar férias pagas pelo namorado já não...
Devo ser eu que estou a ver mal a coisa.

Anónimo disse...

Quanto a mim o problema reside no facto de os fundamentos assentarem em suspeitas.
JM