quinta-feira, 7 de abril de 2016

À lambada, não!


Era tempo! Lisboa andava abúlica, sem nervo, tirando as noites da Ameixoeira. 

Passos Coelho deixou de "dar luta" e já faz propostas construtivas ("passou-se"?). Cristas joga o "descubra as diferenças" com o passado, numa bancada lateral de Portas fechadas. O Bloco, cada vez mais "governista" (anote-se a crescente gravidade do tom das senhoras), o máximo a que chega em matéria de indignação é uma queixa feminista a Arroja ou uma arruada morna a Draghi. O PCP, empochadas as quotas sindicais nos transportes e com Nogueira no poder, é hoje um cordeiro do lobo que foi.

Neste mar de acalmação, João Soares, sem orçamento mas com superávite de verbo, decidiu agitar as águas, ameaçando com um par de bofetadas dois críticos que, no seu entender, haviam ido longe demais. Hoje em dia, na escrita, tudo é permitido, desde o insulto "ad hominem" às insinuações mais torpes. Se alguém se lembra de acionar a ERC ou os tribunais, aqui del rei que se está a limitar a liberdade de imprensa, porque a liberdade de insulto é sagrada, o desrespeito pela pessoas está protegido por uma bula eterna da justiça que nos saiu em rifa. Soares não foi por aí, foi por onde entendeu ir.

Estou de acordo com as bofetadas? Não estou. Não acho bem, não é chique. Mas, então, como reagir ao comentário sem maneiras? Como? À bengalada! A bengala é, desde o romantismo novecentista, o instrumento nobre de retribuir a agressão, de xingar o atrevido, de castigar o adversário que se excedeu. O Dâmaso foi baixo? Promete-se-lhe umas bangaladas em frente à Havaneza. Agora, pelo destinatário, é preciso fazer isso no Gambrinus? Que seja! E o momento certo até poderia ser o do acender da chama dos crepes Suzete! Com Jameson, até teria mais sainete, como antes se dizia.

20 comentários:

Anónimo disse...

Haja limites para o facciosismo partidário!

O Ministro da Cultura não pode prometer bengaladas em público a um jornalista, ou seja a quem for. Não pode ameaçar em público, nem ao de leve. Não pode insultar em público, mesmo se insultado. Não é digno do cargo que exerce.
Pode sair incógnito à noite e fazer-lhe uma espera à porta de casa e assentar-lhe, então, duas bofetadas. Pode pedir explicações à bofetada. Pode exigir nos tribunais que a sua honra seja reposta, no caso de achar que ela foi ameaçada.
Mas não pode divulgar publicamente essas intenções, quando no execício de funções do Estado. Acho eu.

Anónimo disse...

Embaixador, claro que se fosse ao contrário, ou seja um governo dos sacristas(PSD/CDS), evidentemente que a esta hora estaria a pedir no minimo a demissão do Ministro. Atenção que eu sou apoiante do Partido Socialista, não do Sócrates, nessa altura votei no Bloco de Esquerda, mas dizia, temos que olhar sempre para o que vamos dizendo atrás, para não cairmos em contradição. Para dogmático doente, já nos basta entre outros por aqui: Freitas, APS, Tomaz Melo Breyner etc etc.

Anónimo disse...

É como dizia o Maia ao Teles da Gama, ele não tinha nenhuma intenção de ofender o Damaso, apenas de lhe torcer as orelhas. Vai- se a ver e é o mesmo com as bofetadas. Estas são hoje inadmissíveis para um Ministro. Mas que a linguagem tem a pilhéria do século XIX, tem. Outra cultura...
Fernando Neves

Anónimo disse...

Não sou adepto da violência, mas também não gosto de embarcar como carneiro quando toda a gente faz coro.
Clarifico: João Soares não me é simpático.
Isto dito, leio em todo o lado o que ele escreveu no «facebook»; mas não conheço os textos que ele considera insultos.
Evidentemente, não é responsabilidade do Sr Embaixador publicá-los; gostaria, contudo, que quem faz coro a criticar João Soares divulgasse tais textos para os ignorantes como eu poderem formar a sua opinião

Anónimo disse...

Acabei de ouvir o Primeiro Ministro a demitir o Ministro da Cultura e a dar o caso como exemplo aos restantes... vá lá! Ainda reconhecem estas alarvidades no governo, mas quanto ao mais o País está mesmo no fundo, sem ética republicana: tudo tem justificação...tudo é com o outro...ou obra do "destino"...

Anónimo disse...

Engraçado, quando se tratava do Alberto João Jardim, o senhor e os que pensam igual a si não tinham a mesma complacência, assim como os agora ofendidos PSD calavam que nem ratos. Enfim uma tristeza de incoerência bem á portuguesa.

Anónimo disse...

O texto que aqui submeti, e que não era um "fait divers" a propósito da demissão de António Lamas em tempo real não chegou a ver a luz do dia.
João Soares volta à tona da água. Não é novidade que sempre se rodeou de uma corte de difícil acesso e quem a ela não pertencer não entra. Num país do politicamente correcto João tem a coragem de ser desassombrado e destemido. As bofetadas, na melhor tradição literária e pitoresca não são para se tomar à letra. Quem não se sente não é filho de boa gente. A questão é outra: é se o estilo viril é o mais adequado na Cultura, onde a beleza, a elegância e os afectos de uma titular feminina preenchem, e bem, a falta de meios e de instrumentos. Mas não há Melinas Mercouri todos os dias, embora Gabriela Canavilhas ande por aí.



Anónimo disse...

A atitude de João Soares é inadmissível num país democrático. Qualquer Ministro da Cultura deve estar na primeira linha de uma sociedade tolerante e respeitosa dos contraditores. Sobretudo quando estes, como Augusto M. Seabra que tem quarenta anos de excelente jornalismo cultural, sabem do que estão a falar. Mesmo que não fosse o caso, nenhum membro do Governo se pode exprimir desta maneira. António Costa fez bem em ter pedido desculpa e João Soares deve tirar as respectivas ilações. Por muito menos do que isto, exigiu, com a mesma falta de elegância e de respeito, a demissão de António Lamas do CCB. Neste episódio, se alguma razào tivesse, perdeu-a na forma como actuou.

JPGarcia

Luís Lavoura disse...

a crescente gravidade do tom das senhoras

Já não são "esganiçadas" como outrora...

Anónimo disse...

quem não se sente não é filho de boa gente.com vasco pulido valente,só à chapada se resolvem os problemas!

Jose Tomaz Mello Breyner disse...

Se concordo com as bofetadas? Sim, concordo mas não num Ministro. João Soares, pessoa que até me é simpática, até poderia ter escrito aquilo que escreveu no facebbok mas tinha de se demitir logo de seguida, era o que eu esperava que ele fizesse. Acho que o Primeiro Ministro e o Dr João Soares saem enfraquecidos deste episódio. Sobretudo tive vergonha das noticias que saíram lá fora. Dá imagem de sermos uma republica das bananas

Jose Tomaz Mello Breyner disse...

Acabo de ouvir as declarações do Senhor Primeiro Ministro sobre o assunto. Imagino que após estas declarações o Dr João Soares irá apresentar a sua demissão, se não o fizer, fica com uma imagem muito fraquinha

José Lopes disse...

Diz o Autor do Blog:
"...a liberdade de insulto é sagrada, o desrespeito pelas pessoas está protegido por uma bula eterna da justiça que nos saiu em rifa."
Não ignora o Sr. Embaixador que quando a justiça portuguesa condena os autores de afirmações injuriosas tais decisões são sistematicamente revogadas no Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, elogiado na imprensa portuguesa como símbolo do progressismo e da liberdade de expressão, valores que os retrógada justiça portuguesa ainda não assimilou.
Cumprimentos.

Jose Tomaz Mello Breyner disse...

Muito bem, assim continuo a ter consideração por ele, era inevitável a demissão

Anónimo disse...

Era inevitável a demissão. Por muito menos ( anedotas infelizes, comentários despropositados na AR ) outros foram demitidos, ou convidados a sair, sempre sob a capa do pedido de demissão. E bem, também nesses casos, acrescente-se.
Vá lá que João Soares se deve ter agora aconselhado com o pai, que cometeu muitos deslizes enquanto PR e mesmo PM, mas a quem nunca faltou o faro apurado para a noção de que só é permitido a um político dizer em público aquilo que aos olhos da maioria parece estar certo.
E quem é que acharia bem que um Ministro ameaçe dar lambadas seja a quem for?
Ninguém!

Anónimo disse...

Gosto de ler por aqui os dogmáticos, são uma grande rizada. Temos os ditos dogmáticos que se dizem da esquerda neoliberal, aqui bem representada pelo Freitas, APS, Filho do edmundo e depois temos os dogmáticos ditos da direita dos sacristas, aqui também bem representados pelo Tomaz Mello Breyner. Enfim venha o Belzebu e escolha uma entre estas personalidades aqui mencionadas. Ó APS, "deixei ai uns portugueses sem lei, para usted ter que dizer".

Manuela disse...

Sr. Embaixador.
Há uma coisa que me causa alguma apreensão. Os jornalistas e sobretudo os "opinion makers" gozam neste momento de um estatuto de intocáveis. podem escrever o que quiserem, insultar, caluniar, por meias palavras e por frases de fino recorte,e pronto ,é um direito, absoluto, intocável, como se todos eles tivessem sido tocados do além como seres supremos, perfeitos, angélicos.
As bofetadas do Dr João Soares, foi a resposta numa palavra, às bofetadas e caneladas,que o Augusto M Seabra, despejou no seu erudito texto carregado de veneno polido.
cito o texto "tão-só um estilo de compadrio, prepotência e grosseria" - "no caso do gabinete de Soares trata-se de uma confraria de socialistas e maçons" - "E sendo ele um derrotado nato".
E vai por aí adiante , em forma de "descasca pessegueiro", mas que os quase 40 anos de "critica", dão o envernizado estilo
Eu que não sou um apreciador do Dr João Soares, acho que o par de bofetadas ( como diria o Vasquinho na Canção de Lisboa) eram manifestamente pouco.

Nota: isto não invalida que a situação referida a propósito da “aprovação” de programas no CCB, merecesse critica fundamentada.

Manuela disse...

Sr. Embaixador.
Há uma coisa que me causa alguma apreensão. Os jornalistas e sobretudo os "opinion makers" gozam neste momento de um estatuto de intocáveis. podem escrever o que quiserem, insultar, caluniar, por meias palavras e por frases de fino recorte,e pronto ,é um direito, absoluto, intocável, como se todos eles tivessem sido tocados do além como seres supremos, perfeitos, angélicos.
As bofetadas do Dr João Soares, foi a resposta numa palavra, às bofetadas e caneladas,que o Augusto M Seabra, despejou no seu erudito texto carregado de veneno polido.
cito o texto "tão-só um estilo de compadrio, prepotência e grosseria" - "no caso do gabinete de Soares trata-se de uma confraria de socialistas e maçons" - "E sendo ele um derrotado nato".
E vai por aí adiante , em forma de "descasca pessegueiro", mas que os quase 40 anos de "critica", dão o envernizado estilo
Eu que não sou um apreciador do Dr João Soares, acho que o par de bofetadas ( como diria o Vasquinho na Canção de Lisboa) eram manifestamente pouco.

Nota: isto não invalida que a situação referida a propósito da “aprovação” de programas no CCB, merecesse critica fundamentada.

Anónimo disse...

Lá se foi o das ameaças das bofetadas. Não sem antes fazer vários estragos.
Nunca deveria era ter sido Ministro da Cultura.

Anónimo disse...

O que é lamentável é que esta sociedade onde é proibido descolar do politicamente correcto - e onde se designa a raça negra por "pessoas de cor" (roxa, verde?) - tenha perdido a noção e o sentido de proporção das coisas. Aconselho as alminhas de virgens ofendidas que pululam no psd e cds a relerem (ou lerem...) o Manifesto anti-Dantas (até informo que o autor é Almada Negreiros, para os mais distraídos)- tal exercício terá seguramente o efeito de os pôr à beira de uma apoplexia por tomarem para si as dores do Dantas (que além de cheirar mal da boca, também especula e inocula os concubinos, e nu é horroroso), e a "ameaça" de morte bastas (eu disse bastas...) vezes repetida.

O que João Soares fez foi, nem mais nem menos, usar o termo bofetadas onde Almada escreveu "SE TODOS FÔSSEM COMO EU, HAVERIA TAES MUNIÇÕES DE MANGUITOS QUE LEVARIAM DOIS SÉCULOS A GASTAR".

O Seabrinha e o Vasquinho - que acham que podem escrever tudo e insultar todos à socapa - são merecedores dos tais manguitos, oh se são.

MPDAguiar