segunda-feira, 14 de março de 2016

O estado do Estado

O que vou dizer apoia-se na minha experiência. Aceito que outros possam ter uma perceção diferente. E poder estar equivocado.

Do que vi e ouvi ao longo de muitos anos, os Ministérios dos Negócios Estrangeiros e da Defesa Nacional são os dois departamentos do Estado que, aquando da mudança de governos, apresentam aos novos titulares dossiês, sobre o "estado da arte" em todas as áreas da respetiva competência, com maior neutralidade e equilíbrio. No caso de muitos dos restantes ministérios, a excessiva partidarização ou a condução ideológica dos temas leva a que as novas tutelas olhem o que lhe é passado, nas transições, com menor confiança. Posso estar a ser injusto, mas é o que me chega.

Quando, há uns tempos, comentei isto com alguém ligado ao anterior governo, acrescentei o Ministério das Finanças a essa curta lista de departamentos. Era essa então a minha ideia. A reação dessa pessoa foi imediata:

- As Finanças?! Está completamente enganado! O Ministério das Finanças, tal como você e eu o conhecemos no passado, já desapareceu. Aquilo que nós víamos como um pilar do Estado, com sólidos e conhecedores departamentos, com diretores-gerais prestigiados e estáveis no tempo, acabou há muito. Agora, aquilo é enxameado ciclicamente por uma "rapaziada" trazida pelos ciclos políticos e, para o que realmente importa, no tocante a pareceres, vive de "outsourcing", pagando balúrdios a empresas e escritórios de advogados. 

Há pouco, ao ler os números astronómicos que foram pagos pelo Estado nas assessorias para os "brilhantes" contratos de "swaps", pareceu-me que a opinião daquele meu amigo ficou confortada.

1 comentário:

Anónimo disse...

O estado do Estado é este:
"Seixas da Costa, embaixador, é nomeado administrador da EDP Renováveis, depois de ter ajudado a EDP a construir a barragem do Tua e a destruir parte do Alto Douro." - Paulo de Morais

Tenha vergonha na cara seu peneirento, tachista!