domingo, 6 de março de 2016

Margem esquerda


Durante a tarde de ontem, numa associação popular do Barreiro, debati, durante mais de duas horas, com o deputado Porfírio Silva e uma interventiva audiência, essa questão essencial que são as alternativas possíveis em matéria de política económico-financeira, numa Europa em evidente crise e no seio da qual a gestão da posição de um país como Portugal é extraordinariamente difícil. Dou-me conta de que, em pouco tempo, esta é a terceira vez que a discussão sobre a Europa me leva "à outra banda", como dizem os lisboetas.

Não sei se o debate foi conclusivo, não posso avaliar se as pessoas saíram mais esclarecidas ou se as nossas dúvidas não acabaram por tornar ainda mais complexa a sua leitura sobre o estado do processo integrador do continente. Tenho sempre uma grande dificuldade em avaliar o saldo final de interesse de quem nos escuta. 

Mas quero dizer, com a maior sinceridade, que saí daquela sessão "com a alma lavada", por observar um grande número de jovens, misturados com outros mais velhos mas que estavam longe de ser a maioria, atentos e a discutir com grande abertura, preocupados com a Europa e a interrogar-se sobre a melhor atitude para a defesa dos interesses de Portugal, avançando com as perguntas certas, sem tremendismos, mas também sem líricas ingenuidades. 

É verdade que a organização pertencia à Juventude Socialista do Barreiro, mas foi reconfortante encontrar também por ali jovens do CDS-PP e do Bloco de Esquerda, visivelmente interessados em temáticas das quais depende o nosso futuro como país. 

Cheguei ao Barreiro pela avenida Alfredo da Silva e saí pela avenida Bento Gonçalves. Isto parece-me que diz alguma coisa sobre o equilíbrio salutar que hoje se vive naquela terra, pela qual me habituei a ter um grande respeito histórico, porque por ali se cruzam memórias muito profundas da luta pela construção da nossa democracia.

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