quinta-feira, 24 de março de 2016

Costumes


Ontem, numa conversa, um convicto vilarrealense adotivo, nascido lá para o centro do país, dizia-me temer que a abertura do túnel do Marão, ao facilitar os acessos, venha a afetar a magnífica segurança de que a cidade hoje dispõe.

Com efeito, a criminalidade, em matéria de roubos ou de furtos, que por aqui às vezes se verifica, é quase sempre produto de "know-how" importado. Para reforçar a sua ideia, o meu interlocutor referiu que, atualmente, a polícia local sabe bem o que fazer, quando ocorrem pequenos delitos: "A polícia vai logo à procura dos cinco ou seis do costume". 

Não consegui deixar de me lembrar da celebérrima frase do capitão Renault, na cena derradeira do  "Casablanca", no "princípio de uma bela amizade" com Rick: "prendam os suspeitos do costume!"

7 comentários:

Anónimo disse...

Curioso, alguém de esquerda alinhar em teorias dessas.
Não costuma ser essa a atitude quando alguém comenta - por exemplo -, a elevadíssima taxa de estrangeiros nas nossas prisões.

David Lencastre disse...

Não é elevadíssima, apenas cerca de 20 %. Elevadíssima será um exagero. Sendo uma boa parte proveniente de alguns países da CPLP (para além da Roménia, etc). As prisões aliás debatem-se com problemas sérios (não vou agora enumerá-los, seria exaustivo) que conviria que este novo governo os colocasse na agenda (através da acção do Ministério da Justiça). Acredito que o fará, brevemente. É importante que o faça.

Anónimo disse...

Nã é bem assim, Senho Embaixador. Como descendente direto do Remexido, sei bem como assaltar viajantes era bem mais fácil nos bons tempos de cavalos, muares, bestas de carga e diligências. De tal maneira, que os algarvios no século XIX, antes do caminho de ferro, preferiam mesmo viajar de barco (enjoa-se e pode ter naufrágio) até Lisboa. Medricas, essa gente pra lá do Marão! Nós cá, na serra do Caldeirão, sempre firmes!

a) Feliciano da Mata, herdeiro do guerrilheiro e apropriador de bens alheios "Remexido" do Algarve

Sérgio Serrano disse...

Bem,se contarmos com os negros considerados Portugueses, a percentagem será bem superior aos 20%,David Lencastre.

David Lencastre disse...

Mesmo assim, Sérgio Serrano, teríamos talvez uns 40% no total (com alguns brasileiros, com dupla nacionalidade alguns, à mistura). Já visitou prisões? Não só de homens, mas também de mulheres? E verificou o número de condenações com pena efectiva a cumprir?

Manuel Silva disse...

Senhor Sérgio Serrano:
O seu comentário, no bom estilo da melhor mentalidade colonialista, põe um problema curioso.
Como considerava os territórios ultramarinos a que o esquerdalho chamava colónias?
Certamente que os considerava parte de Portugal.
Logo, os indígenas desses territórios seriam portugueses, ou não?
E os seus actuais filhos, netos e bisnetos?
Ainda por cima nascidos no território do nosso Portugal, então dito Metrópole?
Serão estrangeiros apenas pela cor da pele?

Isabel Seixas disse...

"prendam os suspeitos do costume!"

Bem a frase é bem o Máximo da lei do menor esforço, traduz o que eu acho linha de pensamento sem curvas e preconcebido ,logo mais fácil sustentado em crenças que fazem muitas vezes inocentes culpados e culpados inocentes, com muita obtusidade da lógica à mistura.

boa Páscoa