domingo, 27 de março de 2016

Alain Decaux (1925-2016)


Há mais de seis anos, publiquei isto neste blogue:

O académico Alain Decaux é uma personalidade que gerações de franceses aprenderam a conhecer pela televisão e pela rádio, onde, durante décadas, divulgou a História, com graça e profundidade. Outros reconhecem-no pelas dezenas de livros que publicou sobre essa temática.

Como um dos quinze membros do júri do "Prix des Ambassadeurs", que anualmente atribui o galardão a um escritor francês, autor de um trabalho no domínio histórico-político, tenho o privilégio mensal de ouvir dele os comentários, sempre de grande sabedoria e conhecimento, com que acompanha os relatórios que apresentamos sobre as obras em análise.

Há dias, quando fiz a apresentação crítica ao júri da obra do antigo primeiro-ministro Edouard Balladur, "Le pouvoir ne se partage pas - conversations avec François Mitterrand", todos pudemos beneficiar, com interessantes histórias e comentários a propósito, da excepcional erudição de Alain Decaux, que foi antigo ministro do governo de Michel Rocard e conviveu com François Mitterrand.

É um raro enriquecimento poder usufruir desta interacção com quem andou por mundos que, para nós, fazem já parte da História.

Acabo de saber da morte de Alain Decaux. Era uma personalidade muito agradável, serena, que nos ajudava, com bonomia e indiscutível autoridade, a superar as nossas diferenças e pontos de vista, muitas vezes bem opostos, num júri que debatia obras sobre realidades contemporâneas, nem sempre de leitura unívoca. Devo-lhe a muita paciência que demonstrou em face de certas intervenções mais assertivas que fiz nesses debates. Tenho imensa pena pelo seu desaparecimento.

3 comentários:

Joaquim de Freitas disse...

De Alain Decaux conservo o antagonismo com o seu amigo Pierre Dumayet. Napoleão separou-os até à morte! Irredutíveis antagonismos. Um era indefectível admirador, o outro irredutível crítico!
E recordo a história contada por André Roussin, quando Decaux foi recebido na Academia Francesa.
Saborosa. Em poucas palavras: Decaux , em Paris , considerou que um semáforo estava ao verde, enquanto na realidade estava bem vermelho. Como era míope mas não daltónico, não podia ter dúvidas do que o esperava quando o polícia o mandou parar e estacionar à direita para um controlo. Decaux, era muito conhecido porque todos os meses aparecia na televisão, no quadro da sua famosa emissão com Dumayet e o outro Pierre, Desgraupes, “Cinq Colonnes à la Une”. Grande emissão! 10 milhões de franceses viam Decaux todos os meses. Quando passou os documentos ao polícia, olhou bem para ele, e pensou que conhecido como era, não havia problema, porque ia reconhecê-lo.
Depois de ter controlado os documentos, o polícia disse-lhe: Bom, tenha cuidado, desta vez passa! (Aqui , Decaux , durante um segundo, não mais, pensou que a notoriedade era uma boa coisa!). Um segundo só, porque o polícia acrescentou : Tem sorte que é de Lille, porque eu também sou de Lille!

Joaquim de Freitas disse...

Errata: Nao era Dumayet, o antagonista de Decaux, sobre Napoleao, mas Castelot. Claro!

Anónimo disse...

Já não era novo, não! "Quem de novo não morre, de velho não escapa"...