sexta-feira, 25 de março de 2016

A Oeste nada de novo?


À exceção de algumas vozes mais inquietas, às vezes tidas como Cassandras, a questão da onda terrorista que assola a Europa parece coisa estrangeira aos olhos da maioria dos nossos concidadãos. Deteto mesmo, passada a solidariedade de regra para com as vítimas, algum saloio contentamento mercantilista, pelo facto de continuarmos a consagrar-nos como beneficiário turístico da confusão instalada a Leste deste “luso-paraíso”.

O PM português, que de outras andanças governativas conhece bem este tema, disse algo que alguns fingiram não ter percebido: que por cada ataque terrorista que tem lugar, muitos outros são evitados. É que, não fora o trabalho policial e de investigação realizado, a situação seria hoje muitíssimo mais grave, face à complexa e insidiosa natureza do radicalismo islâmico

A nossa segurança como país não pode basear-se na ideia de que a perifericidade geográfica nos protege ou de que o rácio religioso interno nos conforta. A segurança está sempre longe de ser um dado adquirido: uma bomba num aeroporto ou numa escola é passível de ocorrer entre nós, face a esta guerra de fins que não olha a meios. De um dia para o outro, a leitura de interesses dos radicais pode vir a enviezar-se em nosso detrimento – e então passará a ser demasiado tarde prevenir. E o risco de isto acontecer é tanto maior quanto as nossas fragilidades securitárias forem mais evidentes.

Neste esforço de proteção, desempenham hoje um papel fundamental os serviços de informação. Por isso, e atento o caráter transfronteiriço dos grupos que nos trazem ameaças, uma cooperação eficaz entre eles é essencial. 

Ora é sabido que Portugal, neste domínio, já tem revelado grandes fragilidades, como o demonstra o facto de terem conseguido ascender a lugares de topo dessas estruturas verdadeiros “cowboys”, cujas aventuras afetaram a credibilidade dos serviços, retraindo a abertura à partilha informativa por parte dos congéneres mais relevantes.

Espero que o senhor presidente da República, que transmite sinais de se não querer furtar a dar às grandes questões de Estado uma atenção com público destaque, possa também induzir em todos os agentes políticos um forte sentido de responsabilidade neste âmbito específico. 

Em particular, importa garantir que os nossos serviços de informação venham cada vez mais a estar preservados das lutas de poder, nomeadamento no quadro da patusca conflitualidade entre as sensibilidades dos ritos organizados, os quais, por um insondável mistério, cuja lógica sempre me escapou, parece terem obtido, desde há muito, um direito natural de tutela e influência neste setor.

12 comentários:

Joaquim de Freitas disse...

O Senhor Embaixador tem razão : Não existe nenhum país do Ocidente que se possa considerar protegido, nem pela sua insignificância nem pela sua política. Portugal faz parte da NATO, braço militar dos EUA e da EU, e por vezes, no passado, pelo menos, até houve quem se vangloriasse de fazer parte desta aliança agressiva e belicista.
E vale mais, sem dúvida, estar informado das intenções daqueles que não têm razão nenhuma de nos querer bem...

Bartolomeu disse...

Esperemos nós, portugueses, que os nossos serviços policiais, de investigação e controle, nunca venham a "enfrascar-se" do mesmo produto que as polícias belga. E nunca cheguem ao ponto de sinalizar, fotografar, seguir e o diabo-a-sete, suspeitos que a seguir se confirmam.
Só lhes faltou receber um convite dos terroristas para estarem presentes no aeroporto e tomar um copo com eles, antes de efectivarem a ação bombista.

ignatz disse...

o senhor presidente da república poderia começar por desistir da ideia peregrina de ir comemorar o 10 de junho em paris para não dar mais trabalho aos serviços de segurança francesa , para confusão basta o que têm e não precisam de excentricidades do nosso tótóloto presidencial.

Anónimo disse...

ó senhor Joaquim Freitas, o senhor como paladino de suspeitos, tem estado a falhar na defesa do senhor Sarkozy, porque será? será porque o senhor no fundo é um dogmático? pois é senhor fretas, tanta prosápia que o senhor costuma ter, quando lhe interessa, quando lhe mechem nos seus bandidosinhos de estimação e agora nada. Aprenda, todo o dogmatico seja ele religioso ou politico ou até ambos, será sempre um imbecil que se derrota a ele mesmo. Não se esqueça que para além deste, terá que fazer a defesa do Mesquita Machado e do Luis Filipe Menezes. Ou estes não fazem parte dos seus bandidolas de estimação? Toda a pessoa que defende bandido sem ser em tribunal pelo acto da advocacia é igualmente bandido.

Anónimo disse...

Sr. Embaixador, o problema é muito mais profundo, para além dos veneráveis mestres terem tomado conta do sistema e dos dois serviços, o recrutamento é feito com base não no mérito mas nas cunhas dos "irmãos", entrando os filhos de veneráveis diplomatas, policias, militares e politicos, ficando os melhores de fora. Ora, assim o sistema não se fortalece, pelo contrário.

Anónimo disse...

Efectivamente tem de ser dada especial atenção aos serviços de informações, que são sistematicamente menosprezados, em nome das liberdades.
Urge que os serviços, em Portugal e na Europa possam ser dotados de pessoal e meios sificientes. Quanto ao pessoal deve ser feita uma correcta selecção e não andar a colocar lá pessoas só por usarem luvas e avental.

Os serviços de informação são fundamentais para a defesa do Estado de Direito e podemos estar certos que o terrorismo islãmico vai intensificar as suas operações até ser erradicado.

Precisamos de alguém com a verticalidade e integridade do General Pedro Cardoso á frente dos nossos serviços de informação.

Um comentário lateral para Ignatz, é lamentável que alguns portugueses continuem a menosprezar a Comunidade Portuguesa no estrangeiro e que os considerem cidadãos de segunda, que devem ser ignorados pelas autoridades nacionais.

ignatz disse...

comentário directo para quem se insurge contra luvas e aventais. se querem tratar os emigrantes como cidadãos de primeira podem começar pelos diplomatas e pôr os consulados ao serviço dos portugueses que vivem no estrangeiro, mas pelos vistos só há verba para folclore promocional do presidente e anexos lambe-botas. os serviços de segurança franceses já têm dores de cabeça suficientes, não precisam de marceladas para aumentar a confusão.

Francisco Seixas da Costa disse...

Isto começa a clarificar-se: o Ignatz está num "coming out". Picou-se com os aventais...

Anónimo disse...

Ignatz deve estar desactualizado. Na meus recentes contactos com consulados e escritórios consulares tenho visto pessoal muito empenhado, que satisfaz com prontidão e celeridade o que lhe é pedido.

ignatz disse...

yeah meu, o embaixador não fala com besuntas e o cônsul foi a banhos, é o admirável mundo novo da diplomacia aldous portas e do parente chancerelle. vai falar de prontidão e celeridade aos emigras e levas com a mais bela colectânia de impropérios de troco.

Anónimo disse...

o anonimo das 18h49 nunca deve ter visto aquilo que eu varias vi acontecer em frança, pessoas fazer 300 km de carro para ir ao consulado mais proximo fazer um passaporte ou um b.i. (cartao do cidadao) e a maquina estar avariada...

a prontidao e empenho do pessoal nao resolve esse tipo de problemas, nem paga nem deslocamentos nem estadias nem faltas ao emprego

a critica do ignatz em parte justifica-se (nao sei se tem relacao com aventais saias meias de nylon ou o que seja, mas o desaparecimento de parte da rede consular em frança nao foi, por certo, uma benesse)

cumprimentos

Anónimo disse...

Relativamente aos comentários do anónimo das 21h24 sobre o desaparecimento de parte da rede consular em França, não posso deixar de concordar, pois também creio que a rede actual é insuficiente, mas reitero o que disse sobre a prontidão e celeridade no atendimento. Vejam nomeadamente os casos de França e da Suíça.
Quanto ás falhas de equipamento elas acontecem em todo o lado, nos tempos em que havia vistos para os EUA, também me fizeram voltar à Embaixada americana, pois o sistema estava em baixo