quinta-feira, 10 de março de 2016

A mão visível


Para o retrato a óleo que quis deixar para a posteridade da galeria presidencial, Aníbal Cavaco Silva decidiu escolher, para além do texto constitucional, um clássico económico do liberalismo, "A Riqueza das Nações", de Adam Smith.

Um dos princípios que essa obra consagrou é o da "mão invisível", isto é, a defesa da ideia de que, num mercado livre, em que cada um atua na defesa dos seus interesses económicos próprios, a lógica do funcionamento do próprio mercado acaba por proporcionar vantagens para todos. Cada um a seu modo, esta é a "fé" básica dos liberais, com ou sem o "neo" atrás. Pelos vistos, o economista de quem tivemos uma década como chefe de Estado cessante também concorda.

Para a esmagadora maioria das pessoas, terá passado desapercebido que, no meio do discurso de posse de Marcelo Rebelo de Sousa, surgiu uma frase em que ele se afirma solidário com "aqueles que a 'mão invisível' apagou, subalternizou e marginalizou". Quase ninguém notou, mas estou seguro que o novo presidente não escreveria o que leu se não quisesse que se notasse essa sua diferença.

15 comentários:

Daniel Fins Santana disse...

Francisco S C, notei e apreciei as passagens, sem as ligar ao Adam. Mas o Mais grave é a esquerda não ter percebido o discurso. Os temas abordados não se tornam positivos se é a esquerda a fazê-lo e negativos se outrem. De uma iliteracia politico/democrática confrangedora

Septuagenário disse...

Este homem que foi eleito sem apoio de qualquer equipa, já teria sido eleito presidente da Câmara de Lisboa, se não precisasse de vereadores.

Já tinha sido primeiro ministro se não precisasse de ministros.

Marcelo só é presidente porque não precisa de ideologias de outros.

Bartolomeu disse...

A mão e o rosto são os dois únicos elementos que identificam o pintor, especialista em nús naturais.
Mas não existem semelhanças com o óleo que representa o marquês de Pombal?
Neste, não existindo o Tejo por fundo, abundam os elementos que figuram também no quadro do marquês.
Bom, adiante... o freguês que se segue...

Luís Lavoura disse...

essa obra consagrou [...]a "mão invisível"

Quem consagrou essa mão foi a interpretação posterior da obra. Na verdade, a expressão "mão invisível" aparece uma única vez na obra de Adam Smith. Foram os seus sucessores quem alçou a mão à importância que ela hoje assume.

septuagenário disse...

Embora não se goste, mas fica para a História a Ponte Vasco da Gama e a Expô 98 e o CCB.
Depois vieram os imitadores, os detractores, os banqueiros nas coxas, os empreiteiros impostores e os sanguessugas.
Aguentou os maquinistas, camionistas e sindicalistas, jornalistas, regionalistas norte sul e ilhas.
Aguentou os armadores e pescadores que queriam o dinheiro e o peixe.
Aguentou os agricultores que queriam os tomates tractores e Todo-o-Terreno.
Aguentou professores sem alunos, alunos sem professores. Aguentou greves porque sim, greves porque não.
Mas que vida!

ignatz disse...

o sócras já lhe tinha chamado a-mão-atrás-do-arbusto.

ignatz disse...

gostei especialmente daquele led em forma de bolo-rei na lapela, deve ser para sinalizar que ficou em modo de sobreaviso. a montblanc e o tinteiro compõem o borrão.

Anónimo disse...

Ao ler nalguns dos posts os comentários de alguns leitores, fica-me a ideia que existem pessoas que a ideologia delas é do seguinte teor: O MEU CORRUPTO É MELHOR QUE O TEU. Passo a explicar, já vi que existem pessoas que não admitem que se fale mal de uma certa e dita esquerda, que vai desde o populismo descamisado do Lula até á burguesia ostentativa e novo riquismo, bem representada pelo Sócrates, mas não só. Assim que alguém refere os casos em que essa gente su+ostamente está envolvida, cai aqui o carmo e a trindade para alguns dos comentadores. Mas quando o assunto é falar de temas em que a dita direita está envolvida, esses mesmos senhores é cacetada em cima de cacetada. Por isso é que eu digo que a unica ideologia que norteia por exemplo pessoas como o senhor Joaquim Freitas, um senhor que usa boina e que agora não recordo o nome, mas que tem cara de funcionário público aposentado, o senhor Breyneer, este dos ditos da direita e outros mais, a unica ideologia deles é o meu corrupto é melhor que o teu. Pobres individuos estes, que endeusam corruptos e vigaristas de toda a espécie.

Anónimo disse...

Gosto particularmente da caneta Montblanc.

Não havia necessidade.....

Anónimo disse...

E no futebol temos a mão-de-deus-de-Maradona...

Joaquim de Freitas disse...

O anónimo das 12:49 até é capaz de ter razão: tenho convicções que norteiam as minhas opiniões. Mas assumo-as, e assino o que escrevo. Quando essa coragem falta a alguém que pretende ter opiniões diferentes, o que ele pensa não vale nada.

Anónimo disse...

O anónimo das 12:49 estragou tudo quanto acha que um senhor qualquer tem ar de funcionário público por parecer antigo. Olhe eu sou dos antigos mas os serviços já estão cheios de rapariguinhas novas bonitinhas e muito empertigadas. Devem saber tudo porque não ligam nenhum ao que lhe dizemos. E as chefas, um pouco mais velhas, só as ouvem a elas! Por vezes procuro saber do curriculum delas. Custa a acreditar!
Mas na privada as coisas não são diferentes!
Agora o caro Joaquim de Freitas deve entender que fica mais "inteligente" por "assinar" as suas convicções. É mais uma convicção!

Joaquim de Freitas disse...

O anónimo das 20:47 entra perfeitamente no quadro do último parágrafo do meu comentário precedente. Mas compreendo, por esta vez, que tem razão de não assinar o que escreve : Tem receio que uma das "bonitinhas e empertigadas" o leiam O julgamento dos jovens é por vezes cruel, não é assim? Pois, é que eles também têm convicções.

Anónimo disse...

As "raparigas" e o caro anónimo das 8:15 têm bem mais receio dos meus comentários! Que na realidade, a haver, só têm a crueldade da ignorância. Eu fui o único que publiquei aqui o meu NIF. Vasculhe!

Anónimo disse...

E bufe à vontade!