sábado, 27 de fevereiro de 2016

Portugal e a sua Justiça

É um bom amigo americano, desde há já alguns anos. Crítico da atual solução de governo em Portugal, país que conhece bem, trouxe-me alguns dados sobre a avaliação de como setores do seu país olham, com muita circunspeção, para o nosso panorama político. Tentei sossegá-lo. 

A conversa, como é sempre a de um jantar em que a única agenda é a celebração da amizade, passou depois para outros temas. Vieram à baila as relações com Angola, ambos curiosos em presumir os impactos do reacender do novo caso político-judicial. De caminho, e a propósito, acrescentou:

- A vossa Justiça é muito estranha! Porta-se com aparente coragem neste episódio angolano e, noutros casos, atua de uma forma que desprestigia abertamente Portugal. Vocês talvez não façam ideia da imagem que o tratamento do caso Sócrates projeta negativamente de vocês, no exterior. Como sabes, eu não gosto nada do homem e até suspeito de que muito daquilo que se diz que ele possa ter feito tenha algum fundamento. Mas não é isso que interessa. Portugal, como país democrático, é imensamente punido pelo modo como o processo do Sócrates está a ser tratado. Vocês colocam-se ao nível do "terceiro mundo", desculpa lá! Tu achas que, num país como a Áustria ou mesmo a Grécia, passaria pela cabeça de alguém ter preso um antigo primeiro-ministro por largos meses e, depois, soltá-lo e mantê-lo sem uma acusação formulada, sem um fim ainda à vista? Além disso, o facto de peças do processo virem regularmente a público, sem que ninguém tenha sido punido ou o acusador público demitido, dá ideia de uma total inimputabilidade dos agentes judiciais. Agora, com esta prisão do procurador, que curiosamente tratava de um dos casos mais sensíveis, como é Angola, a vossa Justiça, desculpa lá, é de gargalhada! 

Pedi mais dois cafés. Para mim, porque precisava, pedi também um whisky. 

11 comentários:

Portugalredecouvertes disse...


Para o assunto,
Se me permite Sr. Embaixador, que tome um whisky consigo !
eu que não sou nada de álcoois fortes :)

bom fim de semana

Anónimo disse...

Desde quando os Estados Unidos, se interessam com a justiça portuguesa? não vai tem muitos anos até pensavam que Portugal era uma provincia de Espanha. o QUE O SENHOR INVENTA PARA BRANQUEAR O sÓCRATES. Acha que somos todos burros?

Anónimo disse...

Pois. O problema é que o texto, bem escrito, não é peça de ficção. Tenho a esperança de que o obstinado e ensimesmado procurador do processo seja desterrado para Cinfães, na falta de uma Ilha do Corvo mais ã mão.

Anónimo disse...

Um americano! Olha quem fala de justiça. Ofereça-lhe um Porto (mas de Lei. Sei que é dificil mas o Embaixador consegue!). E ele que diga de sua justiça.
E deixe-se de whisky. Não são garantidos e nós com o Porto estamos a seguir-lhe as pisadas. Agora é o vinho NO Porto.Temos a mania de copiar sempre o pior.
Como o BE também queria imitar uma vitimização... E assim vai este País!

jose reyes disse...

Gostaria de responder à terceira pergunta do anónimo das 18:03. Em primeiro lugar dizer-lhe que não fale pelos outros, mas apenas por si próprio, pois ninguém lhe passou procuração; em segundo lugar, que no seu caso, pelo que escreve, sim, sem dúvida alguma.
Cumprimentos.

Anónimo disse...

Este reyes, é mais um que a come mas com óculos de Penafiel.Querem ver que é mais um dos amigalhaços do benemérito, ou será mais um que foi estudar filosofias até Paris, se foi foi mal empregue, pois ao que vejo deveria ter sido burrologia forte.

Retornado disse...

Sobre os casos caricatos dos "embrulhanços" judiciais e políticos constantes com angolanos, são sempre autênticas "barretadas".

Barretes que os "brancos" enfiam.

Já nos doi a barriga de rir!

Rir sozinhos, porque os retornados já estamos no lar ou já morremos quase todos.

jose reyes disse...

Se o Sr. Embaixador me permitir, gostaria de deixar uma curta nota ao escrevinhador de 27 de Fevereiro de 2016 às 21:02.
Os tradicionais óculos de Penafiel eram palas de couro manufacturadas pelos albardeiros dessa localidade e usadas nos burros de carga para lhes tapar, lateralmente, os olhos. A sua função era a de obrigar estes animais, que têm um largo campo visual, a ver apenas o estreito caminho que essas palas lhes deixavam ver por diante do focinho.
Ora, atendendo à estreiteza de vistas que o anónimo agregador de letras aqui vem mostrando, creio não ser difícil perceber qual de nós usa tais palas.

Ana Vasconcelos disse...

Caso para um whisky reforçado.
(embora a justiça americana deixe muito a desejar)

Tudo Pela Nação Nada Contra A Nação disse...

Subscrevo Por Inteiro As Palavras Do Seu Amigo Americano.E Vou Mais Longe:O Que Evidencia Uma Maior Gravidade É Que Isto Não Ocorre Apenas No Processo A Que O Seu Amigo se Refere,Pois Como Afiançaram Recentemente Alguns Advogados Situações Semelhantes Passam-se No Dia A dia Da Nossa Justiça.Miguel Teixeira E Melo.





Daniel Santana disse...

Esperemos que consiga publicar este !!!
Francisco S da Costa (gostei do seu novo encargo, assinalado em cima: "branqueador de Sócrates" - a pequenez mental, sem bode expiatório como me posso considerar superior)=. Mas o que considero pior neste processo reside na falta de respeito que juízes e procuradores evidenciam para connosco cidadãos: não percebem que Sócrates nos representa a todos, por isso para com ele não deve subsistir nenhum favor, sobretudo por isso, mas é a nosso respeito que tem que subsistir um particular cuidado. Que iliteracia jurí e de cidadania!dica